As relações de Portugal com o Reino da Tailândia foram encetadas em 1511 e a primeira nação do Ocidente a instalar, em 1820, a primeira missão diplomática em Banguecoque, capital do então Reino do Sião.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
sábado, 30 de junho de 2012
sexta-feira, 29 de junho de 2012
quarta-feira, 27 de junho de 2012
PARA QUE A HISTÓRIA NÃO FIQUE ESQUECIDA - BANGUECOQUE
P.S. Estamos envolvidos na história
de Portugal na Tailândia há mais de 30 anos. Não somo académicos,
professores ou históriadores, somos o que somos com a 4ª classe do
ensino primário elementar. Porém não nos assusta os académidos,
portugueses, de oportunidades que de tempos a tempos surgem por aqui. A
minha fonte está aberta para mergulharem e saciarem a sede os
historiadores/académicos de ocasião.
- José Martins
quinta-feira, 21 de junho de 2012
MEMÓRIAS DE BANGUECOQUE: AZEDAS E DOCES – HÁ 20 ANOS
Como
já me referi, antes, tenho imensas memórias de Banguecoque, para contar,
algumas azedas e outras doces.
.
Memórias
onde conto a minha actividade ao serviço da diplomacia portuguesa, na Embaixada
de Portugal, em Banguecoque, por mais de duas dezenas de anos.
.
Servi
a diplomacia, portuguesa primeiro, por amor à camisola (de borla) eventual,
assalariado e finalmente, por poucos anos e antes da reforma, triunfantemente,
fui inserido no funcionalismo público, pela graça e consideração aos
espezinhados mangas de alpaca, do ministro dos Estrangeiros, de então, o Prof.
Jaime Gama.
.
Por
acidente e por razões já contadas e mais adiante me referirei, como entrei
ao serviço da diplomacia portuguesa.
.
O meu começo foi o de tarimbar a pintar, por 27 dias, as paredes em redor do Jardim da Residência dos Embaixador e da Chancelaria, cujo o meu trabalho custou, simbolicamente, aos cofres da missão diplomática 2.500 bates, ou seriam, hoje, o trabalho de 27 dias de pincel na mão e a subir os degraus da escada de aluminino cerca de 50 euros.
O meu começo foi o de tarimbar a pintar, por 27 dias, as paredes em redor do Jardim da Residência dos Embaixador e da Chancelaria, cujo o meu trabalho custou, simbolicamente, aos cofres da missão diplomática 2.500 bates, ou seriam, hoje, o trabalho de 27 dias de pincel na mão e a subir os degraus da escada de aluminino cerca de 50 euros.
.
É
verdade! Há documento nos arquivos da chancelaria da embaixada, em Banguecoque,
Palácio das Necessidades (cópia em meu poder) que provam isso.
.
Mas
eu não vou aqui apontar o dedo ao Embaixador Mello Gouveia da ridicularia da dávida
de 50 euros por 27 dias de trabalho, porque o fiz com todo gosto e maior
prazer. Deixamos o conto para mais tarde.
.
Desejo
nesta peça, já histórica, referir-me de quando eu já assalariado do Ministério
dos Negócios Estrangeiros, com um salário de 500 dólares mensais, sem direito a
férias, o respectivo subsídio e do Natal, quando como patrão tinha o embaixador,
o nobre, Dom Sebastião de Castello-Branco (1988-1995) e apenas, os dois, de um de
Janeiro a 30 de Junho de 1992 fizemos o primeiro semestre da Presidência
Portuguesa da União Europeia.
.
Não havia número 2 da embaixada e o último o Dr. Paulo Rufino deixou-a, em meados de Junho de 1990, depois de cumprir a sua missão (6 anos) e o Palácio das Necessidades nunca mais enviou (apesar de solicitações) nenhum.
Não havia número 2 da embaixada e o último o Dr. Paulo Rufino deixou-a, em meados de Junho de 1990, depois de cumprir a sua missão (6 anos) e o Palácio das Necessidades nunca mais enviou (apesar de solicitações) nenhum.
.
Era
eu assim (!!!!) um assalariado auferindo 500 dólares o número 2 da missão,
encarregado de receber e enviar o expediente entre a missão, o MNE, em Lisboa e
as destinadas aos 12 aos países,parceiros de Portugal na União Europeia, em
Banguecoque
.
A
aparelhagem de recebimento e envio das comunicações nada se pareciam ao luxo de
hoje...!!! Máquinas de escrever, manual e duas Remington eléctricas, um aparelho
de fax, o telex e a máquina cifradora/decifradora Siemens. A Internet, uma
miragem e a informatização das embaixadas ainda demorariam 8 anos em serviço
experimental.
.
.
Havia
telegramas confidenciais que eram decifrados sem a necessidade de chave, mas
havia os Secretos que só seriam decifrados quando lhe fosse inserida na máquina
um chave que era um número, inserida numa lista e guardada no cofre da missão,
chave que nunca tive.
.
A
fita picotada retirada do telex não nos informava se a comunicação era
confidencial, ostensiva ou secreta. Se secreta a cifradora/decifradora
tinha um companhia que dava o alarme, alto e a bom som, que um intruso estava a
proceder a um serviço sem autorização e teria eu, então, de comunicar a chefe
de missão que havia um telegrama secreto para decifrar para me dar o número do
telegrama em causa para o receber e ele presente, para depois de o ler ser
arquivado no cofre.
.
Foram
seis meses de um trabalho, penoso, para mim em que muitos dias (sábados e
domingos) não tinha horas de saída dado que as comunicações “emperravam”, a
fita partia e lá estava eu a comunicar com a Cifra, nas Necessidades, para as
repetir.
.
Mensagens
com 50 e mais metros de fita que durante a noite era aparadas por grandes
cestos de plástico e principiava a organizar as comunicações a partir das 6:30
da manhã, para quando o embaixador chegasse às 9 da manhã principiar a
despachar e responder ao ministério.
.
O
embaixador Dom Sebastião de Castello-Branco era uma pessoa muito difícil de
trabalhar, exigente, bom profissional, inteligente, mas o título de nobreza que
ostentava dava-lhe para tratar, quem o servia, um pouco a cima de cão.
.
Não
tolerava faltas a nenhum funcionário, tailandês e não foram poucas vezes em que
haviam altos berros na chancelaria. Escravizava as pessoas e eu foi uma delas
em que depois de o servir, com dignidade, como deveria, dentro de minhas
funções, me tratou muito mal e me apunhalou pelas costas.
.
.
Orgulhei-me,
na altura de ser europeu, esqueci o iberismo enquanto que hoje, sinto uma pena
imensa de me cortar alma de possuir passaporte da UE, castanho, enquanto o
outro antes era de cor verde da esperança.
.
O
embaixador Castello-Branco, seria o presidente de todos os outros seus colegas
da UE, acreditados no Reino da Tailândia e uma vez por mês uma reunião na
embaixada, em que antes foi preparada uma grande mesa com 12 cadeiras em que em
preparava com blocos e canetas e lhe dava o nome da mesa dos apóstolos e o Deus
o embaixador da União Europeia acreditado em Banguecoque.
.
Também,
seria, difícil de eu adivinhar qualquer seria o embaixador Judas entre os 12...
Creio que todos não seriam, Judas, mas pelo menos uns 6 seriam mesmo isso.
.
É
que alguns, quando entraram na diplomacia, venderam a alma ao diabo, porque
esta gente tem um estilo, próprio, de estar na vida que se consideram uma
classe elitista, só pena que alguns
sigam o caminho de vida prazenteira e (aparte dos machos) para o lado da “maricagem”.
.
A
sala de reuniões, sonhada e mandada decorar, na Chanceleria, pelo embaixador Castello-Branco,
foi um autêntico “buraco” dado que havia, alguns, embaixadores que fumavam
iguais a turcos e o espaço ficava um autêntico nevoeiro de fumo de cigarros e
charutos e foi mudado o espaço para a varanda residência dos chefes de missão,
com as janelas abertas e para onde a fumaça dos cigarros se dispersava.
.
Ao
fim da reunião, onde se discutia os sistema governativo, comunista, dos países do Sudeste Asiático, havia o almoço, opíparo, confeccionado, pela
grande mestre de cozinha a falecida embaixatriz Luisa de Castello-Branco, que
tão boa senhora que era me mandava um prato de comida à chancelaria para eu
saborear.
.
No
da 30 de Junho de 1992, terminou a primeira presidência portuguesa da União
Europeia. Tudo correu em cima de rodas. João de Deus Pinheiro, o super-ministro
correu meio mundo a voar no Falcon da Força Área. Já pensava que seria o novo
inquilino da Palácio de Belém. Hoje não sei onde pára o Deus Pinheiro... Está
silenciado...
.
Em
Portugal havia dinheiro, chegado de Bruxelas para gastar à “tripa forra”. Foi
uma orgia de gastos e cada um esbanjou e roubou conforme pode.
.
Vinte
anos depois, Portugal da União Europeia depois tanta grandeza, como a que teve
há 20 anos está na miséria e tutorizado, por uma Troika, espécie de uma “mafia”
composta de uns tantos “agiotas” que nos colocaram a pão e laranjas.
A
simbologia da primeira Presidência Portuguesa da União Europeia é um Canto de
Luis de Camões:
Mudam-se os tempos,
mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
Subscrever:
Mensagens (Atom)





