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sábado, 2 de junho de 2012

PORTUGUESES NA ÁSIA - VENCESLAU DE MORAIS

 

PORTUGUESES NA ÁSIA
VENCESLAU DE MORAIS
Oficial de  marinha,viagem à Tailândia, cônsul, escritor e correspondência para a    irmã Francisca palu
Foram muitos os portugueses que dedicaram suas vidas ao Oriente. Viveram, serviram Portugal das mais diferentes formas na ex-Índia portuguesa, no Ceilão, Malaca, Macau e Tailândia e no longuínquo Japão. Viveram na generalidade, numa constante solidão, com um pé na terra de opção e outro em Portugal.
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Entre essas figuras destaco duas, duas que ficaram retidas na minha memória e que foram ainda reconhecidas em vida pelos bons serviços prestados a Portugal. 
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Destaco, primeiramente dessas duas figuras, o Monsenhor Manuel Teixeira, historiador de mérito e no meu entender o classifico entre os melhores narradores desde a altura em que Portugal iniciou a aventura, expansionista no Oriente que aconteceu quando Bartolomeu Dias, em 1486, dobrou o Cabo da Boa Esperança e, depois em 1498 as Caravelas de Cristo, capitaneadas por Vasco da Gama, chegam à Índia e assim se descobriu a rota marítima da Europa à Ási
Monsenhor Manuel Teixeira escreveu dezenas de obras durante o mais de meio século de vivência em Macau e entre  essas obras à que destacar: “Portugal na Tailândia” de 563 páginas, editada em 1983, durante a gerência do Embaixador José Eduardo de Mello-Gouveia. 
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Outro seu contemporâneo foi o Padre Manuel Pintado, também, com mais de meio século de permanência em Malaca, investigando e escrevendo sobre a história do território, conquistado pelo Grande Afonso de Albuquerque em 1511; publicou livros e assistiu espiritualmente a comunidade católica lusa/descendente. 
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Os dois clérigos já não pertencem ao número dos vivos. Há pouco mais de meia dúzia de anos foram morrer a Freixo-de-Espada-á-Cinta, de onde eram naturais.
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Mas uma figura verdadeiramente apaixonante, depois de Fernão Mendes Pinto, nas suas andanças pelo Japão, foi, sem qualquer dúvida, Venceslau Morais, do qual me apraz escrever um resumo do que foi a sua presença no país do sol nascente.  
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Morais, apesar de ter sido dos poucos historiadores portugueses interessados na epopeia lusa, nas águas dos cinco oceanos do globo, certamente não tardará a cair no “ról” dos grandes esquecidos, dos que foram embaixadores honorários,  sem estatuto diplomático, de Portugal no Oriente.
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Homens de alto valor, com os seus nomes inscritos nas pedras túmulares e certamente as poucas que ainda existem, com a erosão do tempo, lentamente, se vão apagando e, deste modo, os seus feitos e valores serão esquecidos para sempre.
 
O mesmo acontece às igrejas, em ruínas, onde a vegetação desde o solo as envolve num denso matagal; às peças de artilharia, bocas  fogo das fundições de Manuel Bocarra, de Macau e Goa, que dispararam das ameias contra os piratas, contra as forças navais de países da Europa que a toda força e custo desejavam desalojar os portugueses dos territórios, que não eram nossas colónias, mas entrepostos comerciais para a troca de mercancia entre os países da Ásia. 
Material que foi objecto de glória de Portugal, hoje inerte, no meio da vegetação cujo o turfo, gerado pelo apodrecimento das plantas e ervas,  lentamente, o vai enterrando.
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Venceslau de Morais, oficial da Marinha Portuguesa, diplomata, escritor, personalidade romântica e de trato fino - é o que podemos avaliar da sua pessoa, através das cartas e postais ilustrados que do Japão  envia à sua amiga e adolescente Maria Joaquina Campos, em Lisboa, e a sua irmã Francisca Paul, que reside em Nelas, na Beira Alta. 
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Venceslau escolhe as “toalhinhas” (o nome que dava aos postais ilustradas) com cenários campestres, com imagens de animais ou imagens que ilustravam a vida do quotidiana dos japoneses. Nessas comunicações,  encontram-se lamentos, humor mórbido, dedicação aos animais e às flores.
Das suas ligações amorosas,  pouco ou nada delas se conhece, embora alguém tenha afirmado que Morais estava acorrentado aos amores, femininos, nipónicos e tinha optado pelo exílio no Japão por via disso. 
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O Homem amou o Japão e terá escolhido o país do sol nascente possivelmente pelo facto de na época  Portugal politicamente não possuir estabilidade. 
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O seu sentimento e pensamento em relação à política nacional é nos dada a conhecer numa carta, datada em 27 de Fevereiro de 1908, 26 dias antes do regicídio que vitimou o Rei Dom Carlos e o Príncipe Real D. Luis Filipe, que dirige ao seu ex-comandante Pereira Nunes, da canhoneira Rio Lima e Capitão dos Portos da Índia Portuguesa que termina com o seguinte P.S.: “Não fallêmos da política da nossa terra. Que tristeza, que miséria.....”
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Daqui, podemos concluir que Venceslau ainda não tinha conhecimento do regicídio, já que a este não se refere. Sabe-se que Venceslau era um adversário da ditadura, imposta por João Franco e, este facto vai encontrar-se na sua correspondência particular.
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Morais, depois de ter servido a Marinha Portuguesa, é nomeado cônsul de Portugal em Hiogo e Osaka. Num relatório elaborado por si com o conteúdo de nove páginas, datado de 13 de Janeiro de 1912, e solicitado pela Sociedade de Geografia de Lisboa, encontramos um diplomata a dar conta, em pormenor, do modo como vivia a comunidade portuguesa, que não era oriunda da metrópole ,mas sim de Macau e denominada macaense. 
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Não deixa de ser curiosa a forma transparente e elogiosa como Venceslau de Morais se refere a essa gente, vinda de uma mistura de sangue luso/chinês, ao qual já tinha sido adiccionado o japonês:
“...Nos filhos d’homens macaenses casados com mulheres japonêsas, é que muitas vêzes se nota o phenonemo do idíoma portuguez, circunstancia que vem corroborar a enorme importancia, sobejamente conhecida, da influencia materna na educação da família......afastados por longos annos da Patria, sem nunca haverem visitado, (com excepção de uns dois) o nosso Portugal europeu, vivem em geral pouco interessados com o que vae pela metropole; mas guardando, latente, um louvável orgulho nacional, pronpto a manifestar-se quando a circustancias o reclamem. 
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Na recente passagem pelo porto de Kobe, do nosso cruzadôr S.Gabriel, o enthusiasmo dos macaenses, foi sincero e caloroso......se um dia os portugueses da Metropole pensarem em estreitar intimamente os seus laços de commercio com a China e com o Japão, encontrarão na colónia macaense um auxilio poderoso......(texto fiel).
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Morais quando se refere aos macaenses do Japão dá a imagem real do que também tinha sido essa mesma comunidade em Banguecoque. Vamos encontrar a prova de tal facto em documentos antigos, que “vasculhamos” na Embaixada de Portugal, que nos dão conta das actividade dos macaenses nascidos na Tailândia ou vindos de Macau, pouco depois da fundação da capital do Sião, em 1782, muitos deles foram funcionários  e interpretes da língua inglesa e portuguesa para a siamesa, na Corte da monarquia e em companhias estrangeiras que ali  se haviam estabelecidas.
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Venceslau de Morais antes de ser nomeado Cônsul foi oficial da Marinha Real Portuguesa e em Março de 1890 assumiu o comando da canhoneira Tejo, com a categoria de primeiro-tenente, em Macau. Em 20 de Abril o barco navega com destino a Banguecoque cuja missão era “colher informações em que situação se achava a comunidade portuguesa no Reino do Sião”. O vaso de guerra lança a âncora passado oito dias no porto vietnamita de Saigão e parte a 3 de Maio com destino a Banguecoque.
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A visita Morais à Tailândia como comandante de um navio de guerra português é pouco conhecida e certamente nunca será explorada.                                                                                                                                                                                                                                                       
A Tejo, com um tamanho significativo para a época, fica ancorada no Chao Praiá River, em frente à Feitoria de Portugal. Morais elabora um relatório e nele dá conta da comunidade existente em Banguecoque que contava então com  cerca de 50 pessoas, todas macaenses, excepto um europeu. Informa serem pessoas honestas, activas e que parte delas são funcionários do Estado siamês. 
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Refere-se, também, aos protegidos sob a Feitoria de Portugal, que eram uns 120 chineses oriundos de Macau. Aqui Morais não foi informado correctamente pelo Cônsule dado que os protegidos não era naturais do Território chinês  administrado por Portugal, mas sim de vários pontos da China. 
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Sião, devido à sua fama de “terra de leite e mel”, era muito procurado pelas gentes chinesas que aí desejavam fazer fortuna e Macau, deste modo, era utilizado como  “trampolim”, por esses emigrantes que pelo método corruptivo obtiam documentos de viagem que lhes permitia, em Banguecoque, o estatuto de “protegido” pela Feitoria de Portugal e não com a nacionalidade. 
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A nacionalidade portuguesa seria obtida, depois, de uma forma ou de outra, mas por formas sempre pouco claras, onde não está posta de fora a corrupção. A nacionalidade seria  conseguida em Banguecoque como fora o passaporte obtido em Macau.
               
Morais, durante a permanência  na capital siamesa, vai anotando as maravilhas que os seus olhos vislumbravam, e relata-as com uma veracidade tão impressionante que ainda hoje as podemos admirar tal como se encontravam  aquando da sua passagem. 
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O Rei Chulalongkorn (Rama VI) encontrava-se ausente e, tem durante a visita, como anfitrião um príncipe que o conduz ao palácio real, aí visita os estábulos dos elefantes brancos e outras maravilhas do Grande Palace e sobre o observado procede ao seguinte registo:
 
“Fixa-se a nossa atenção nas paredes revestidas de trabalhoso mosaico, nas incrustações de madrepérola dos portais, na allegorias do culto, no portentoso Buddha, feito de uma só esmeralda de três palmos de altura, de valor inestimável. Ergue-se mais além o palacio real, n’uma elegantissima fachada, cujo único senão está no mau gosto da sua architectura europea, sobe um telhado, rendilhado em mil cornijas, de pura feição indígena. Profusão de flôres  e de arbustos viçosos. Grandes elephantes doirados, em pedestais de marmore”

Ferreira de Castro no seu livro “A Volta ao Mundo” (editado em 1942), assim como Morais, escreve:
“É uma alucinante floração de templos das mais imprevistas linhas, de cúpulas doiradas e de torretas polícromas, de portas de oiro e de paredes revestidas de pedras cintilantes, que enchem tudo duma perene fulguração, cromáticos reverberos que extraem de quando vemos todo o sentido da realidade.”
               
 Porém, Morais, antes de partir para o Sião e para seus conhecimentos da monarquia siamesa desde a fundação, leu a “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto:
           “ Na Peregrinação Fernão Mendes Pinto mencionou “a guerra do Chiamnay,” o envenenamento do rei do Sião pela sua amantíssima esposa, a inceneração do assassinado e o ataque do “rei do Bramá” ao Sião”.
                Muito provavelmente Morais não visitou mais do que a zona ribeirinha de Banguecoque,  assim, não teve a oportunidade de admirar as outras maravilhas da arte budista e khmer, espalhadas por todo o país, e ainda as ruínas da velha capital, Ayuthaya, caída em 1767. 
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Se assim tivesse acontecido, teríamos hoje um excelente relato da visão de Morais. Mas tal era impossível devido à falta de vias terrestes e ao facto do rio Chao Praiá não ter, na época, fundo para facilitar a navegalidade da Tejo, que permitisse, pelo menos, chegar até a Ayuthaya.
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Venceslau, no seu voluntário exílio japonês, mantém-se ao corrente do que se passa em Portugal e  activo literariamente. Escrevia, lia os periódicos de Portugal, com atraso de mais de um mês, e a revista “Ilustração Portuguesa”. 
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Colaborador do “Comércio do Porto”, através do jornalista Bento Carqueja com quem manteve  uma correspondência vasta e assídua. Carqueja incentivava Morais para que escrevesse mais, mas depois entraram em conflito pelas falhas encontradas na “Cartas do Japão” a que atribuía as culpas ao editor. 
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No Comércio do Porto são publicadas: Cartas do Japão, Bon-Odori,Ko.haru e Fernão Mendes Pinto no Japão. Morais era rigorossímo na fidelidade da publicação dos seus artigos onde não admitia erros de impressão e, sobre isso disse:
                   
“O que me acode já ao pensamento é que a maneira como se deu início ao artigo não foi de certo casual; houve  certamente a intenção de furtá-lo à leitura dos leitores do Commercio; não seria mais leal, mais honesto, mais decente, que o Carqueja o não publicasse e me escrevesse informando-me de que o artigo não lhe convinha, por uma razão qualquer?....E não tinha eu o mais leve motivo de offender-me.Veremos como acaba isto...”
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Existe uma longa troca de correspondência entre Morais e Bento Carqueja; um e outro vão dando conta das suas actividades literárias, das novidades de Portugal e Japão. A última comunicação (que encontramos) de Morais para o Carqueja data de 15 de Setembro de 1920:
                        
“.... Dá-me prazer vêr que o meu amigo insiste em ignorar “ a ortografia moderna”, a qual, na minha modesta opinião, é uma monstruidade inaudita, que veo dar um golpe tremendo nas lettras patrias!....”
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Nas “toalhinhas” (postais ilustrados) que Morais enviava a sua amiga Joaquina de Morais e irmã Francisca Paul, ficamos a conhecer um homem ansioso por receber novidades de Portugal e, sempre, muito preocupado com o estado de saúde delas e as habitais recomendações. 
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Para Joaquina Campos (a quem tratava por fidalguinha) vamos encontrar quatro “toalhinhas” e duas cartas. O primeiro postal ilustrado foi datado em 12 de Maio de 1909 e a última, que encontramos em 2 de Junho de 1915. Resumindo passagens das comunicações a Maria Joaquina Campos:
“.....Mas creia que lhe quero muito e hei de dar-lhe frequentemente notícias minhas, se vê n’isto alguma satisfação. Para mim, a sua boa amizade é preciosa; nunca me falte com ella. Adeus. Quando não tiver nada que fazer, escreva-me......”
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 “....Desejo-lhe e a sua maman um tranquilo anno de 1914 (ano do Tigre no Japão). Surpreendeu-me o que me diz do Brazil-Portugal; não mande retrato nem vi o jornal; quem será o auctor? Mas isto não tem importância; Bravo! Vestido novo, chapeo novo! Que os gose com saude, minha Fidalguinha. Sempre seu Nicolau....” (Brazil-Portugal foi uma revista,considerada das mais duradoiras 1899 a 1914 da I República).
Em 2 de Junho de 1915:
     
 ......Por cá nada de novo; vou vivendo; espanta-me o desenvolvimento da guerra (a) que parece não ter fim! Tenham a minha boa Fidalguinha e a sua maman mtª saude, é o que do coração lhes desejo. Não tenha receio que eu me esqueça de si; hei de continuar a dar-lhe notícias em qtº o possa fazer e em qtº ellas sejam agradaveis. Adeus.Comprimentos cordiaes do sempre seu Nicolau – Wenceslau....” (grassava a 1ª Guerra Mundial)
Nas “toalhinhas” enviadas para sua irmã Francisca Paul, residente em Nelas, que foram centenas delas, havia uma preocupação constante de Morais de escolher aquelas que melhor agradassem a Francisca, onde se incluiam tópicos do calendário nipónico a premente devoção a sua família na mãe pátria e a sua admiração, total, pelo povo japonês. 
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Começa, assim o envio dos postais ilustrado em 13 de Outubro de 1910 e terminam em 18 de Junho de 1929.
Algumas passagens:
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17.01.1913.- “Ahi tens um boi, enfeitado em gala. É bem bonito, não é verdade? Quantos bois já tens? Ainda queres mais? Olha que ficas com a casa cheia de bois, menina Chica.”
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10.9.1914.- “Nada de notícias, o que já me vae admirando.Terás tu, com o teu nervosismo, deixado de escrever, à espera que a guerra acabe? Terás muito que esperar.Eu escrevo-te 2 vezes por semana, geralmente às segundas-feiras (com toalhinha) e ás quinta-feiras. Estou bem. Desejo-te muita saude e aos Teus. Um abraço do Apá.”
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22.7.1918.- “Desejo-te saude. Segue toalhinha. Cá vou teimando em mandar-te tudo para Nellas com dois ll, e até talvez comece a escrever Nelllas, com três lll, mas nunca com um só l, pois me repugna a nova moda de escrever. Um abraço do Apá”
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7.9.1918.-  “Que bellos queijos da Serra da Estrella deves tu ter ahi em Nelllas!... Eu, que não como pão ha quase um anno, com que prazer almoçaria um dia, um pedaço de queijo e pão!... Segue toalhinha. Desejo-te muita saude e abraço-te. Apá”
           
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8.11.1919.- “..... dizes estar fatigada do calor e dos banhos; não abuses. Partirias para Viseu no dia 1º de outubro, onde ficarias até ao fim do anno. Safa! E para quê? Mas talvez cries amizade à terra, que é importante e certamente bem provida de tudo. Que te dês bem, é o que te desejo e que depois voltes para Nellas, que é a grande terra!... Um abraço do Apá”
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24.11.1919.- Ha dias sem notícias; mas virão. Desejo-te a melhor saude, já de todo restabellecida das bebedeiras que tomaste com as águas da Felgueira. E o que ha do nosso amigo Castel Branco? Por cá já frio; eu vou indo bem, posto que um tanto tristonho. Havia aqui uma pequena (13 anos de idade) que era a única pessoa que vinha às vezes jantar commigo (houve um tempo em que vinha tambem roubar-me as pratinhas das gavetas), pois acaba de morrer, com uma peritonite tuberculosa, fiquei penalizado; mandei fazer-lhe um tumulo pequenino. Não tenho agora recebido noticias do homem de Viana do Castello, mas imagino que o meu artigo que te é offerecido já deve estar publicado; veremos. Segue toalhinha. Lembranças, saudades e um grande abraço. Feliz 1920! Teu Apá”
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1-7-1926.-“ Acabo de receber o teu formoso postal de 26-5º-1926 (tantos 26), com a vista do Senhorim. Parece ser coisa soberba. Se é perto e bom caminho, deves ir vêr aquillo; se não é, contenta-te de informações, e não vás. Felicito-te por ter já chegado a Nelllllas a snrª Primaverta; agora é que é passear, divertir; já deves ter asagao em flôr; eu já tenho. Como vão os teus gatos? A minha gata morreu agora de parto. Haja por aíu muita saúde. Cumprimentos ao Esposo. Abraça-te o Apá”
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2.9.19.28.- Minha boa Chica, Recebi a tua carta de 14.7. Boas notícias, como agora, ha algum tempo, sempre veem, felizmente. Eu, da vista ainda estou soffrendo, mas vou melhor: preciso que passem estes calores, que ha poucos dias teem sido muito violentois. Tu, coitada, dizes que tambem soffres da vista, deve ser dos nervos, não dos rins. O Esposo, cocluo, deve estar perfeitamente, a julgar pelas ultimas impressões –do magnifico retrato!.... E occupando uma bella situação, de bastante socego. Tiveste, para variar, mais outra revoluçãosita, mas fazendo poucas victimas, como convem. Imagino que não soffreste grandes sustos. As tuas plantas teem sofrido muito com as grandes chuvas. O “xano” feio, mas melhorando. Adeus.Desjo a melhor saude aos dois. Abraço-te Apá. (Postal está escrito numa letra trémula,quase ilegível.
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Tokushima 18.6.29.- Recebi hontem carta de 31.5. Queixas-te de irregularidades do tempo, as plantas soffreram. Foste de passeio à Luz? Receio que o retrato se tenha extraviado, o que tratarei de remediar, se for possível. Cá tambem tem feito frio, fora do tempo. Sinto-me melhor de saude, vou resistindo. O calor deve estar a fixar-se, para tua satisfação, do gato e das flores. A minha gata teve 5 filhos, morrendo toodos. Agora ha ninhada nova; a ver se resistem. Abraça-te e ao Esposo o teu Apá. P.S. Recebi a flor de chagas, de que gostei muito. W.  (Foi esta a última toalhinha de Morais enviada a sua irmão Francisca Palu que chega a Lisboa em 15 de Julho de 1929 e Venceslau tinha morrido em 1 de Junho, com 74 anos).
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Em 1921 Venceslau de Morais era evocado em Lisboa:
“ Maior do que Loti, mais belo nas suas fórmulas e na sua observação do que os próprios Goncourts, Wenceslau de Morais, o enfeitiçado, vive hoje dum prazer de alma mais do que duma abastança requintada que bem merecia a sua obra prodigiosa. Um punhado de arroz e um sonho; uma taça de chá e uma fantasia devem ser o alimento do homem superior que numa hora de renúncia à volta do seu país devastado, não hesitaria em o representar ali se da parte dos governantes houves o carinho para com o seu talento priviligiado (...) Lágrimas não chorará o velho escritor de talento; bendita alegria o Japão lhe deu  e esquecido pelos patrícios mas não podendo ser olvidado pela Pátria, ele ficará na história literária como na da nação ficaram os antigos descobridores. Pois que descobertas não fez ele? Uma linguagem oiro um país onde tem felicidade; uma terra onde não há pranto” R..M. “Wenceslau de Morais, o enfeitiçado”, ABC, de 16 de Junho de 1921.
“- Agora tenho só uma irmã que vive perto de Viseu, que às vezes me escreve.
-          Então porque não volta ao seu pais – a Portugal?
-          Ele tristemente, disse:
-          Já estou velho; não tenho coragem para sair para países estrangeiros e, além disso, não tenho dinheiro para o fazer.
-          Estou satisfeito nesta socegada cidade de Tokushima. Quero ser enterrado no solo de Tokushima.”
José Martins
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P.S Os meus sinceros agradecimentos ao Dr. Jorge Dias, residente no Japão, que se tem debruçado sobre a vida e obra de Venceslau de Morais e que em 6 de Março de 1995, numa sua visita a Banguecoque me ofereceu dois livros de sua autoria “Venceslau de Morais Notícias do Exílio Nipónico” e “No Ádito da Ásia Episódios da Aventura Portuguesa no Oriente”, Instituto Cultural de Macau- Comissão Territorial para as Comemoraçõies dos Descobrimentos Portugueses- 1993.-Instituto Português do Oriente 1994. Sem estas duas obras seria impossível escrever sobre Venceslau de Morais)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A VASTA HISTÓRIA DOS PORTUGUESES NA TAILÂNDIA

Bang Portuguet - Aldeia dos Portugueses

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Ban Portuguet - Aldeia dos Portugueses, foi fundada pouco depois de Portugal e o Reino do Sião, em 1516, assinarem o primeiro Acordo de Amizade, Comércio e Navegação. Passados 483 anos o Ban Portuguet continua na mente de várias gerações em Ayuthaya. Ali viveu uma comunidade luso descendente, ordeira, progressiva e foram os homens portugueses que introduziram, em Ayuthaya, artes do ocidente. Entre estas o saber trabalhar o ferro, de fundição e o manejo das armas de fogo e, também, especialidades culinárias.

No Ban Portuguet, viveram pessoas ilustres: Fernão Mendes Pinto, Maria Guiomar de Pina, luso/japonesa que viveu o resto da sua vida a decorar os altares das três paróquias do Bang Portuguet e legou a receita da confecção dos fios de ovos que se tornaram a mais popular doçaria do país, e conhecida por "Foi Thong", cujo nome diz ser de origem portuguesa.

Depois do "Foi Thong", outras duas delicadezas da doçaria lusa, deixou na Tailândia Maria Guiomar que continuam a fazer parte da pastelaria tailandesa: "Thong Yip" e os queques. "Foi Thong" e "Thong Yip", são doces portugueses, desde o século XVII. Hoje, parte da cultura gastronómica tailandesa.

Em todos os casamentos, a ocupação de uma moradia, a abertura de um estabelecimento comercial, a inauguração de um evento, almoços ou jantares de recepções a entidades governamentais, visitantes de outros países, obrigatoriamente, por tradição, as doçarias portuguesas de Maria Guiomar são parte do protocolo culinário do Governo ou entidades privadas.

Doçaria, ímpar pela maciesa do seu paladar e da côr do ouro, que continua o símbolo da riqueza e bem estar das populações da Tailândia.

O Ban Portuguet, depois da queda de Ayuthaya, em 3 de Abril de 1767, pelas tropas invasoras do Reino de Pegu, os tijolos que eram paredes das igrejas: São Domingos, São Paulo, São Francisco e das residências da comunidade luso/tailandesa, foram trazidos para Bangkok para construirem moradias e igreja do novo Bairro de Santa Cruz, junto à margem do rio Chao Prya, em Thomburi.

Ayuthaya foi, por séculos, objecto de cobiça de Luís XIV, Rei de França que ambiciona balançar as forças inglesas, que já dominam a Índia e as Holandesas, Índias Orientais, colonizando o Sião. A comunidade francesa, em Ayuthaya e em Lop Buri, a 60 quilómetros da capital do Reino, procura a intriga, através de todos os meios, entre esta, estão envolvidos os missionarios Jesuítas das Missões Estrangeiras de Paris. Os poucos súbditos de Luis XIV que ali viviam na altura, quando da queda, fogem em debandada.

A ordeira comunidade portuguesa tem todo o apoio do General Taksin, o libertador que em 1782 tinha o Sião e as fronteiras com os paises visinhos deliniadas, tal como hoje se encontram.

O Ban Portuguet por 215 anos sofreu assoriações das cheias do rio Chao Prya, a queda das folhas mortas da vegetação espessa tornou irreconhecíveis os lugares da localização das três igrejas. A dimensão do campo era precariamente conhecida por mapas existentes, em livros e elaborados a partir de 1660 por desenhadores franceses.

O Ban Portuguet adormeceu debaixo de vegetação e da sombra das árvores taramindeiras. No cerrado mato que envolve a Paróquia de São Domingos, existia um pequeno altar, construído em madeira tosca e suspenso por estacas a um metro do solo com uma pia de baptismo na base. Ali, os católicos do Ban Portuguet e das redondezas, iam fazer as suas preces e procurar conforto espiritual. Pia baptismal, séculos atrás, a água benzida, baptizou centenas de crianças, filhas de mães siamesas e pais portugueses ou luso descendentes.


Em 1982 foi acreditado Embaixador de Portugal na Tailândia, Dr. Melo Gouveia. Ao diplomata, Homem de alma lusa, profunda, juntou-se-lhe o dinamismo do Dr. José Blanco, Administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, cuja instituição financiou as escavações e patrocinadas pelas Belas Artes tailandesas, em 1984, as ruínas da Igreja de São Domingos foram trazidas a luz do dia.
José Martins

Fotos de: K. de Carvalho / José Martins 
Publicado, também, no website Portugal em Linha há 12 anos.

sábado, 28 de abril de 2012

OLÁ SIÃO - 5 SÉCULOS DE RELACIONAMENTO ENTRE A TAILÂNDIA-PORTUGAL

Em Banguecoque, na área nobre da capital Tailândia, a escassos metros do Grande Palace e do tempo templo budista Wat Po, onde umas largas centenas de turistas passam, diariamente, por ali, durante os dias 27,28 e 29 de Abril esteve aberta, absolutamente grátis, ao público tailandês e turistas uma exposição onde evidencia a chegada, em 1511, dos portugueses, à velha capital do Reino do Sião, Ayuthaya. No largo edifício que antes se instalou o Ministério do Comércio da Tailândia e convertido, em 2004, em mais um centro de estudos denominado  "Museum of Siam" (National Discovery Museum Institute), dando conta das orígens das gentes siamesas, há milhares de anos e o relacionamento com outras gentes quer da Ásia, Oriente e Ocidente. Em destaque, entre os países que tiveram relações está Portugal e os portugueses os primeiros europeus que chegaram a Ayuthaya no príncipio da primeira década do século XVI. As imagens, a seguir, legendadas  dão conta da exposição, com o patrocínio do departamento do turismo da Tailândia (TAT) e a colaboração da Embaixada de Portugal em Banguecoque.
O catálogo, explicativo, da exposição apresenta a figura do Grande Afonso de Albuquerque, personalidade, portuguesa, que a ele se deve o relacionamento de Portugal com Reino do Sião de quando conquistou, a fio de espada, Malaca em 1511. O Grande Albuquerque depois tão grandes feitos conseguidos e colocar Portugal como o país de maior prestígio na Europa, na era da expansão, sofreu os "malefícios", da intriga e famosas as suas frases, já moribundo e prestes a deixar o mundo, num barco com Goa à vista: "Mal com el-rei por amor dos homens; mal com os homens por amor de el-rei."
A capa da parte de trás do catálogo, apresenta a imagem, das gentes que viveram (vivem) no Sião/Tailândia cujas raças de diferentes religiões e credos, por séculos (ainda  actualmente) têm vivido em completa harmonia.
O amplo jardim e a entrada para edifício onde três andares ocupados com a exposição "Olá Sião" estava decorado com artilharia portuguesa, outros apetrechos da época da expansão portuguesa na Ásia e Oriente. 
Um cartaz mostrando um soldado português, empunhando uma espingarda, mostra também uma peça de tiro curto e duas espingardas. Quando os portugueses chegaram ao Reino do Sião, na velha capital Ayuthaya, as armas de fogo eram completamente desconhecidas e o sistema de defesa do Sião obsoleto. Os portugueses, introduzem a espingardaria, os canhões e ensinam aos siameses a arte do manejo, contribuindo assim para a conservação da soberania da Tailândia desde a fundação do Reino em 1180 até aos dias de hoje. O Sião não se livrou de guerras e invasões impostas pelo seu vizinho Reino do Pegú, mas nunca perdeu a independência e tenha sido colonizado por potência europeia como outros países do Sudeste Asiátco o foram.
Imitações de velhas peças de fogo, grosso, expostas no jardim do museu e servem para entreter os visitante, fazer o gosto ao dedo disparando ao encontro de um alvo.
Uma imitação de um canhão português, com as balas, pólvora em barril, a mecha de pegar fogo ao rastilho, vara com chumaço na ponta para atacar a  pólvora e outros material usado pelos artilheiros. Classifico esta exposição de alta pedagogia, principalmente, para as crianças de escola e estudantes.
Um soldado siamês na época que os portugueses chegaram ao Sião (1511). O sistema de defesa era, então, bastante rudimentar. Os portugueses construiram fortes e baluartes em pontos estratégicos e ensinara os siameses na arte de trabalhar o ferro e os metais e fabricar as suas armas.
A proa de um barco à vela é exposta no jardim. É um símbolo da ligação de Portugal com o Sião. Continuo a referir que os portugueses, além de serem os primeiros a travar relacionamento com o povo siamês estiveram fixados cerca de 130 anos sem outro país da Europa conhecer o Sião.
À entrada para o edifício onde nos três andares se encontra a exposição, à entrada o público é recebido por duas simpáticas e bonitas tailandesas trajando o quimono japonês. Refiro aqui que o relacionamento entre o Japão e o Sião remonta pouco depois da chegada dos portugueses. O campo japonês, Yamada, na margem esquerda do grande rio Chao Praiá em Ayuthya (velha capital do Sião) situa-se do lado oposto ao campo português Ban Portuguet. Houve uma estreita ligação entre os portugueses e japoneses, pois estes eram os cristãos perseguidos de quando Francisco Xavier introduziu o catolicismo no Japão. Maria de Pina Guiomar, a luso/japonesa que deixou, como herança, o fio de ovos, e a mais popular doçaria na Tailândia, tudo me indica que viveu seus últimos anos no Ban Portuguet e ali ficou sepultada.
Uma jovem tailandesa, trajando à europeia do século XVII, introduz ao público, sentado, a exposição que vão ver.
O público vai ver um curto filme, projectado num ecran curvilíneo e grandes dimensões a introdução do que vão visitar. 
 Não poderia faltar na exposição o tradicional Tuk-tuk, um pequeno triciclo que serviu de táxi e popular para o transporte de pessoas a partir da década quarenta do século passado. Este meio de transporte é uma invenção tailandesa e adaptada, a locomoção, um motor de rega cujo o escapa imitia o som: tuk,tuk,tuk..... Os táxis de quatro rodas tomaram-lhe o lugar e usados para pequenos transportes baratos dos siameses ou algum turista curioso que deseja experimentar o simpático meio de transporte.
A exposição, como óbvio, não foi unicamente dedicada a Portugal, mas inseridos as origens do povo tailandês, outras étnias e países que também se relacionara, Um cartaz dá-nos conta da Companhia Holandesa da Índias Orientais, da Holanda que colonizou a Indonésia, tomou-nos Malaca. A fixação holandesa em Ayuthaya foi muito pequena. não criaram raízes, como Portugal. Num pequeno terreno instalaram-se com armazéns onde guardavam as mercadorias compradas e especialmente a prata que chegava do Japão.
Os ingleses nunca se fixaram no Sião apenas a Companhia das Índias fez negócios com o Sião de compra e vendas. O comércio principal dos ingleses foram tecidos.
Os franceses também se fixaram, embora por curtos anos, no Sião. Luis XIV de França, suas intenções era colonizar o Sião e com isto ser o pêndulo da balança entre o Reino Unido que colonizava a Índia e a Holanda a Indonésia. A pretensão de França, usando o aliciamento e os missionários das missões de Paris, reverteu numa total tragédia, de quando os siameses deram conta das intenções de França, com perda de muitas vidas do lado francês.
Uma maqueta que apresenta o Rio Chao Praiá, dois barcos junco chinês, uma canoa, a vegetação e uma igreja católica, em Ayuthaya. São os missionários do Padroado Português do Oriente que introduziram a religião católica no Reino do Sião. Como nota curiosa o Padroado Português do Oriente não estava sob a jurisdição do Vaticano e isso viria a dar-lhe imenso desgostos de quando Portugal esteve sob  os Filipes  de Castela, por 60 anos, altura em que o clero português no Oriente sobre os revezes da política, religiosa, do Vaticano que não ordena bispos portugueses
 Um cartaz entre muitos outros designa: Ayuthaya a cidade multi-racional de pessoas, de línguas e culturas. Através de séculos os reis do Sião e presentemente a Tailândia foram tolerantes à disseminação de outros credos. Nunca nenhuma igreja foi perseguida.
Houvera um cuidado, primoroso, de vestir as tailandesas com trajes europeus do século XVIII e XIX. Não posso descurar e revelar aqui a simpatia e a beleza destas criaturas. Destaco aqui o cuidado de quando pedi uma brochura, informativa, que não havendo no local solicitado, prontamente, uma cicerone a fui buscar e ma entregou em escassos minutos.
Em mesas interativas, muitos jovens estudantes, dos dois sexos, divertiram-se e aprofundaram o conhecimento sobre a sua nação.
 Uma das várias mesas interativas onde bastava o visitante coloca o dedo num porto, logo abria uma rota, explicativa que daria mais conhecimentos. O jovem tailandês tem sede de aprender.
 Uma sala, do período de Ayuthaya, palavra deixada pelos portuguesa na Tailândia. Ainda hoje, modificada, a sala continua popular na Tailândia. A da imagem pertenceria a um oficial do exército ou a nobre de Ayuthaya. Em cima da mesa de pé curto está um mosquete de pequena dimensão que seria para disparar se por ali surgisse um mau encontro.
Figurantes a representarem soldados siameses, portugueses e um pirata posam para quem desejar ficar cim uma lembrança da exposição
 A imitação de um pirata de alto mar. Os ingleses e os holandeses grandes trabalhos deram às naus portuguesas no alto-mar. Chegavam a pilhar a mercadoria e a matar tripulações completas das naus. Foram o terror nos mares do Sul da China, Golfos do Sião e Bengala. A pirataria era de tal orden que uma nau ou caravela a navegar de Macau para Goa teria que navegar junto à costa para fugir aos piratas ingleses e holandeses.
A entrada para a exposição "Olá Sião"
No museu na loja de vendas de lembranças fui encontrar um excelente livro, escrito na língua tailandesa "Discovering Portugal", importante para os turistas tailandeses que visitem Portugal. 
José Martins


sexta-feira, 30 de março de 2012

ABRIR AS GAVETAS DE MINHAS DOCES MEMÓRIAS EM BANGUECOQUE

Em Agosto de 1996 e de quando tinha a "pecha" de escrever para

jornais e revistas tive conhecimento de que na Tailândia e nos arredores da estância balneária de Pataia residia o Cavalo Português Lusitano. Meti-me à estrada com o meu velho,  bate-latas, Volvo de 20 anos  bem rodados e venci, sem avarias, os 130 quilómetros de Banguecoque a Pataia. A reportagem que eu fiz era para o jornal da minha terra o "Notícias de Gouveia", porém em Banguecoque o Dr. Jorge Morbey, Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal, leu-a e, pelo seu empenho. foi publicada na Revista Macau. Depois da peça publicada, o director da revista entregou ao Dr. Morbey 600 dólares pelo texto e fotografias. Os 600 dólares fizeram um "jeitão" dado que o meu salário, na embaixada de Portugal, era o do maçã dos porcos 500 dólares mensais, sem direito a assistência médico ou outros privilégios. 
José Martins 

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terça-feira, 27 de março de 2012

HOJE DEU-ME PARA ABRIR AS MINHAS GAVETAS

Parece-me mentira mas pura realidade. 
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Depois do alarme, em Outubro do ano passado, em Banguecoque, das inundações que a minha casa não chegaram, mas tive que subir tudo que havia no rés-do-chão acima de um metro. 
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Vária tralha, livros, velharias (tenho a mania de guardar cacos antigos) arrumados ao Deus calha. 
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Depois (os velhos estão sujeitos a moléstia) sem ir para a cama de molho (fui-me aguentado nas canetas) tive problemas de saúde e só agora estou a ficar a 85% e os 15% chegarão em breve.  
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Comecei há dois dias arrumar livros, papeis que fui coleccionando ao logo de 30 anos, na minha biblioteca particular. Nas coisas e loisas velhas que por aqui há fiz o scanner a três imagens que publico. 
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Continuo a facultar (a quem viver por bem) a servir-se da minha biblioteca e procurar cópias (copiar também) de documentos antigos, relativos à História de Portugal na Tailândia e da expansão portuguesa na Ásia desde o início do século XVI.  - José Martins