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terça-feira, 14 de junho de 2011

HISTÓRIA DE PORTUGAL NA TAILÂNDIA: "WEBSITE RECOMENDÁVEL A HISTORIADORES E ACDÉMICOS"

Nas minhas vasculhagens, diárias, na internet vou encontrar um website interessante,
com imagens e embora lhe falte muito conteúdo é de utilidade para os interessados na História de Portugal na Tailândia. Trabalho, absolutamente, honesto de Tricky Vandenberg (não conheço) que dá uma panorâmica real e menciona nomes (pessoas com quem lidei) de quando as escavações no Campo de São Domingos. Entre estas destaco: Patipat Pumpongpaet; Pirak Javanakriang, arqueológos do Fine Arts Department (Belas Artes) da Tailândia; arquitecto Eduardo Kol de Carvalho (bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian) e Rita Bernardes de Carvalho.
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Falta ainda mencionar outros nomes que contribuiram para o projecto das escavações. Mais tarde as revelarei.
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Destaco porém a arqueóloga, portuguesa, Rita de Carvalho uma jovem que me contactou, em 2005, e a dar-me a conhecer  seu interesse na investigação da História de Portugal na Tailândia. A Rita chegou a Banguecoque em Abril, acolhi-a em minha casa, durante 10 dias, onde na minha biblioteca particular procurou o que necessitava.
Mais tarde voltou à Banguecoque, leveia ao Ban Portuguet e esteve em Ayuthaya, hospedada (a suas expensas) numa guest house, durante uma semana, alugou uma bicicleta e pedalava desde a cidade ao Ban Portuguet.
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Na terceira vez na Tailândia, voltei acolhê-la em minha casa e presenteou-me com uma magnífica obra que depois de analisar o valor do seu trabalho, fui levá-lo ao embaixador Faria e Maya para o ler (não sei se o valioso trabalho está na missão ou se foi para Portugal no contentor).
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Faria e Maya desde logo desejou conhecer a Rita  e recomendou-a à Fundação Gulbenkian que a viria a convidar para supervisionar as escavações da Igreja de São Paulo dos Jesuítas no Ban Portuguet que seriam financiadas pela referida Fundação.
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A Rita, acompanhada de uma senhora representante da Gulbenkian, de Lisboa viajou a Banguecoque para verem o local das ruínas da igreja dos Jesuítas,  juntamente com o embaixador Faria e Maya.
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Estive presente e obti numerosas imagens que conservo nos meus arquivos.  
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Entretanto, forças ocultas que se movimentavam por Banguecoque logo se apressaram a divulgar que a igreja de São Paulo não era ali e em vez dela um templo budista.
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Pouco, depois, um jornalista português foi ao Ban Portuguet e viria a escrever no seu jornal que não houveram três igrejas católicas no Ban Portuguet, mas sim duas.
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O trabalho que a jovem Rita de Carvalho iria fazer foi na corrente de águas turvas. Quem ficou a perder foi a história de Portugal na Tailândia!
Actualmente é bolseira da Fundação Oriente, em Paris, a concluir Mestrado.
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De quando no início das escavações na paróquia de S.Domingos - Ban Portuguet - Bairro Português em Ayuthaya.
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Nesta página da internet encontram-se fotos com uma legendas de alguns dos objetos escavados no Bairro Português.
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Escavação começou em 02 março de 1984 pela  1ª da Divisão de Arqueologia do Departamento de Belas Artes, sob a responsabilidade do Sr. Patipat Pumpongpaet e em colaboração com a Fundação Calouste Gulbenkian, de Portugal.
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A descrição dos objectos é baseado no folheto apresentado pelo "Museu Nacional do Rei Narai", em Lopburi, que exibiu um número de objetos a partir de 2 abril - 31 maio 1987.
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O documento é intitulado "A escavação do Bairro Português de Ayutthaya" e foi escrito pelo Sr. Patipat Pumpongpaet e Pirak  Javanakriangkrai. O folheto foi-me gentilmente cedido por eles.

O plano foi elaborado pelo arquitecto. Eduardo Kol de Carvalho, em Agosto de 1984. No catálogo de exposição "Os Portugueses em Ayutthaya" da Embaixada de Portugal em Banguecoque publicado por ocasião do Dia Nacional de Portugal, em 10 de junho de 1985.

[1] Presença La Portugaise um Ayutthaya (Siam) XVIe siècles et aux do século XVII - Rita Bernardes de Carvalho (Paris, 2006).

Text by Tricky Vandenberg - March 2011 e tradução livre de José Martins

terça-feira, 31 de maio de 2011

A PRESENÇA PORTUGUESA NO SUDESTE ASIÁTICO


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Há quase 27 anos (30.11.84), entre várias reuniões, culturais, na Chancelaria da Embaixada de Banguecoque, o Prof. John Villiers, proferiu uma conferência cujo tema foi " A presença portuguesa no Sudeste Asiático".
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O Prof. Villiers é uma proeminente figura em cima da história da expansão portuguesa na Ásia e Oriente depois de 1498 e de quando Vasco da Gama descobriu o Caminho Marítimo para a Índia. 
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Mas não foi só o Prof. Villiers que proferiu conferências na Embaixada de Portugal em Portugal, outras figuras ali estiveram  que em tempo as divulgarei, na gerência do Embaixador Mello Gouveia (1981-1988).
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É pena (até mesmo de lamentar) que material, histórico semelhante a este e outro, arquivado, que ainda não  tenha sido  imprimido uma reedição, num livro e dado a ser conhecido. 
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Acontece que a história de Portugal na Tailândia, na ocasião que o Embaixador Mello Gouveia chegou a Banguecoque, estava adormecida havia anos e foi avivada a continuação que lhe deu o Dr. Joaquim Campos, na década quarenta do século passado e depois o Embaixador Helder Mendonça e Cunha na década sessenta.  
José Martins
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sexta-feira, 27 de maio de 2011

PORTUGAL E ATAILÂNDIA – 5 SÉCULOS DE RELACIONAMENTO AMISTOSO

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Inserido no programa da Celebração de 5 Séculos de Amistoso relacionamento entre Portugal e a Tailândia, encontra-se aberta ao público, na Sala 4, do Museu Nacional da Tailândia (Banguecoque) uma exposição, patrocinada pela Fundação Calouste Gulbenkian, “Fine Arts Department” (Belas Artes) da Tailândia, Embaixada de Portugal, Instituto Camões, onde em painéis e maquetes são mostradas ao público tailandês e estrangeiro a herança lusa espalhada pelas 5 continentes do globo.
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O exposição foi inaugurada em 10 de Maio, (corrente mês) e encerra ao público em 2 de Junho próximo. É de louvar tal iniciativa e a contribuição da Fundação Calouste Gulbenkian estar presente em tão importante efeméride que marcam 500 anos da chegada, dos portugueses, ao ex-antigo Reino do Sião, em Ayuthaya em 1511, pouco depois de o Grande Afonso de Albuquerque conquistar o maior empório comercial, de toda a Ásia e Oriente, Malaca.
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Sala 4 do Museu Nacional com a disposição dos paineis
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Apesar do evento ter sido inaugurado a 10 de Maio, com a presença de individualidades, de Banguecoque, do Governo da Tailândia, Embaixador de Portugal, acreditado no Reino da Tailândia, Torres-Pereira, outras ligadas à cultura, artes e letras, ainda não o tínhamos visitado e aconteceu, precisamente, ontem numa manhã, cinzenta, sem sol e bátegas de água próprias da estação da monção.
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De facto não conhecíamos o conteúdo exibido dentro da Sala 4 do Museu Nacional de Banguecoque, construído segundo o estilo, arquitectónico, tailandês com quatro magníficas portas de entrada com desenhos lacados e embora não haja muito que refira a presença de Portugal na Tailândia é gratificante apreciar o empenho da Fundação Calouste Gulbenkian, vai fazendo em prol da conservação da Património Cultural espalhado pelo Mundo.
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Será de referir aqui que a Gulbenkian desde a década oitenta, do século passado, se empenhou para que as ruínas da Igreja de São Domingos, no “Ban Portuguet” (Aldeia dos Portugueses) na velha capital do Reino do Sião Ayuthaya, fossem trazida à luz do dia e hoje um marco histórico da presença Lusa na Tailândia.
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Livros expostos relacionados com a expansão portuguesa no mundo. Portugal na Tailândia: 500 Years of Thai-Portuguese Relations: A Festschrift; de Michael Smithies; The Embassy of Pero Vaz de Siqueira to Siam (1644-1686) de Leonor Seabra e The Portuguese-Siamese Treaty of 1820 de Miguel Castelo Branco.
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Seria uma ingratidão de nossa parte, ignorar as figuras do Embaixador Portugal José Eduardo Gouveia e o Dr. José Blanco, Administrador da Gulbenkian, o “Fine Arts da Thailand” que suportou, o projecto com material humano com estudantes de arqueologia da Universidade de Chulalongkorn que sem esta preciosa ajuda teria sido impossível alcançar-se o sucesso.
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A Gulbenkian, também, financiou um bolseiro, por um ano, o Arquitecto Eduardo Kol de Carvalho que na prancha foi desenhando (segundo o que ia sendo escavado na ruínas da Igreja de S.Domingos), como teria sido a templo católico, antes de Ayuthaya ter caído em 1767.
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Mas como ainda faltam seis meses para o encerramento das comemorações dos 500 anos da chegada dos portugueses à Tailândia, sugiro ao Embaixador Torres- Pereira, uma exposição de fotografia (há material que baste) num dos "lobbys" de muitos shopings centres de Banguecoque, frequentados por jovens, tailandeses, onde a história de Portugal na Tailândia fosse mais conhecida.
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A história de Portugal (apesar de tantos infortúnios políticos, presentemente, lhe têm acontecido) deve ser levada às camadas jovens tailandesas. Não é num salão onde se sentam umas dúzias de pessoas e sob as luzes de candeeiros que a história de um país de divulga, mas em espaços, alargados, frequentados por milhares de pessoas.
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Vem à memória que nos finais do ano de 1995, foi levada a cabo uma exposição em Korat (Nakhon Ratchasima) a 300 quilómetros a nordeste de Banguecoque, durante 45 dias, onde várias embaixadas foram convidadas. Portugal esteve presente com o evento “A Viagem das Plantas no Mundo”, patrocinada pelo Governo e Macau e integrada na “Comemorações dos 500 anos dos Descobrimentos Portugueses”.
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Foi um total sucesso de visitantes, contados à porta por dois jovens tailandeses, que se exprimiam em português brasileirado. Em pouco mais de uma semana 111.000 pessoas da região do Isarn visitaram o Pavilhão de Portugal,ficando a saber, em painéis bilingue, que foram os portugueses que introduziram na Tailândia a fruta goiaba e o piri-piri (miúdo) de Moçambique.
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Fomos nós, que tomamos a nosso cargo, a supervisão desse pavilhão, que em tempo me irei referir (se tiver tempo de escrever minhas memórias) durante os 45 dias exposto ao público da Tailândia na região do Nordeste da Tailândia , o Isarn.
José Martins

quarta-feira, 25 de maio de 2011

500 YEARS OF THE THAI-PORTUGUESE RELATIONS: A FESTSCHRIT

Amigo meu de há uns 20 anos e conceituado empresário português na Tailândia, convidou-me, ontem (25.01.11) para almoçar e ofereceu-me a obra "500 Years of Thai-Portuguese Relations: A Festschrit", editado por Michael Smithies e "The Siam Society.

A obra, bem elaborada e com excelente apresentação, trata-se de uma compilação de artigos de proeminentes figuras ligadas à cultura e investigação histórica da expansão, quinhentista, portuguesa.

De louvar que o conhecido editor Michael Smthies, nos meios académicos de Banguecoque, com várias obras publicadas tenha inserido (dos que vi até agora) artigos do médico/investigador/Cônsul de Portugal Dr. Joaquim Campos e Drª. Leonor Seabra de quem sou amigo há uma vintena de anos.

Não deixo de transcrever uma peça que inseri em Julho do ano passado onde durante um almoço fui convidado para colaborar com um dos mais conceituados académicos da Tailândia o Prof. Phuthorn Bhumadhorn. O tema, em conjunto, seria a edição de um livro sobre a antiga comunidade lusa tailandesa na Tailândia.

Porém o Homem põe e Deus dispõe... Alguém se movimentou, pela parte portuguesa, depois de ler a peça abaixo publicada que eu fosse colocado de fora.

Tudo se vem a saber neste mundo... Mas eu não vou revelar a fonte de que vim a saber e de onde.

São estes (os alguns) portugueses que até são capazes de perseguir os seus compatriotas no estrangeiro, porque lhes fazem afronta ou receio que lhes desviem dos sonhos de seus objectivos.

Evidentemente que eu não faço concorrência a académicos e sábios porque no meu curriculum apenas existe a licenciatura do exame da 4ª classe da instrução primária com merendas de pão de centeio da Serra da Estrela e uma mão cheia de azeitonas curtidas.

Não me vou adiantar mais sobre as "raivinhas/maldade" que fizeram com que a minha colaboração e a do Prof. Phutorn ficassem pelo caminho, por que o académico de prestígio, como eu, foi silenciado.

José Martins

Friday, July 23, 2010

OBRIGADO TAILÂNDIA - O MEU TRABALHO FOI RECONHECIDO

Em realidade não estava nos meus planos que viesse a estar inserido nas celebrações dos 500 anos da chegada dos portugueses à Tailândia.
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Depois de ser afastado (já reformado), em Janeiro de 2008, da Embaixada de Portugal em Banguecoque, que servir por 24 anos e viria a ser vítima de um "complot", muito bem engendrado, por forças ocultas e alheias ao serviço da Missão Diplomática, recolhi-me em minha casa e nunca estagnei a minha humilde actividade de servir dois países: Portugal e a Tailândia.
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Continuo a trabalhar cerca de 17 horas por dia e raramente me desloco à baixa de Banguecoque. Ou em casa ou nos meus "safáris" (alguém lhe deu este nome) viajando pelos meios rurais da Tailândia.
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Há quatro dias minha mulher atendeu uma chamada telefónica da organização para as celebrações pela parte do Governo, para estar presente num almoço de trabalho num restaurante de culinária tailandesa que viria a ter lugar, ontem, 22 de Julho.
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No almoço de trabalho estiverem presentes individualidades ligadas ao "Fine Arts Department" da Tailândia, onde se incluia a Senhora Busaya Mathlin, Directora-Geral do Department of European Affairs, do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
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Aceitei o convite, com a humildade, característica, que sempre viveu em mim, para colaborar, pela parte da Tailândia, com o proeminente historiador Prof. Phuthorn Bhumadhorn, que já somos amigos há 22 anos.
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A partir do mês de Agosto, juntamente com o Prof. Puthorn, vou dar a minha colaboração a um evento que a Tailândia pretende lhe dar todo o realce.
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Para mim servir a Tailândia ou Portugal é o mesmo, estou a colaborar para uma causa comum, que irei dar o meu melhor para o êxito e o grato prémio que poderia ter recebido de que alguém, da Tailândia, reconheceu os meus 25 anos a servir dois países.
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Trabalho que nunca me foi reconhecido pelos diplomatas que eu servi. Hierarquia, em Portugal a quanto obrigas, onde alguns humildes que fazem algo, pelo país, são ignorados.
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Esta Ásia e o Oriente está cheia de vítimas, desde séculos, da hierarquia portuguesa.
José Martins
Clique na imagem em baixo
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quarta-feira, 18 de maio de 2011

HOJE UM POUCO DE HISTÓRIA DE PORTUGAL NA TAILÂNDIA

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Um artigo que o embaixador Hélder de Mendonça e Cunha e publicado no livro, editado pela Siam Society, em 1976 sob o título “In Memory of H.R.H. Prince Wan Waithayakorn, Kromamun Naradiph Bongsprabandh – Presidente of The Siam Society.
Embaixador Hélder de Mendonça e Cunha se hoje fosse vivo teria 90 anos.
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É o primeiro embaixador de Portugal em Banguecoque e acreditado em 1966 a 1970. Pouco se sabe de Mendonça e Cunha em Banguecoque e mais um representante de Portugal esquecido que foram fazendo alguma obra.
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Nos meandros da diplomacia existem ingratidões vastas ao ponto de alguns valores sejam arrumados ao canto. Cada embaixador que vem, narcisamente, é sempre o melhor e os predecessores não contam. Porém fui avaliando um por um e aos de valor coloco-os no pedestal merecido..
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A CONCESSÃO TERRITORIAL FEITA A PORTUGAL EM 1820 - Por Heldet de Mendonça e Cunha
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Foi em Ayuthaya, em 1511, que Portugal teve seu primeiro contacto oficial com o reino do Sião, logo após a conquista de Malaca, Afonso de Albuquerque enviou Duarte Fernandes junto do Rei Rama Thibodi II, com presentes e uma mensagem de amizade, numa altura em que existiam más relações entre o rei e o sultão de Malaca pois este último, faltando a um compromisso assumido, não lhe pagara o tributo anual de flores de ouro.
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O rei do Sião acolheu cordialmente o enviado português e expressou o seu contentamento pelo facto de os Portugueses terem subjugado o sultão rebelde. Alguns anos mais tarde em 1518, os reis do Sião e de Portugal concluíram o seu primeiro tratado de amizade e comércio no qual, em troca da promessa da ajuda militar dos Portugueses, os siameses lhes concederam privilégios de ordem comercial e religiosa. Este tratado, concluído pelo enviado Duarte Coelho, foi o primeiro firmado pelo reino de Sião com um país europeu..
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Deste modo, muitos portugueses foram para o Sião e ai ensinaram a arte da guerra, a construção de fortiificações e a fabricação de armas. Também tomaram parte nas guerras contra os reinos vizinhos em que o país se envolvia constantemente, em especial contra a Birmânia. O Rei P´ra Chai, que subiu no trono em 1536, tinha 120 Portugueses na sua guarda pessoal, o que é indício destes se situarem numa posição privilegiada na corte do Sião..
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Em reconhecimento da ajuda dos Portugueses, foi-lhes feita a concessão da terra na qual fundaram a sua primeira comunidade (contanto mais de duas mil pessoas) e construíram, entre outras, as igrejas de S.Paulo, S. Francisco e S.Domingos. Esta área ainda hoje é referida como o “Ban portuguet” (Bairro Português). O terreno, situado ao longo do rio Chao Phraya, tinha mais de 2 kms de extensão e era cercado por um canal, razão pela qual alguns escritores lhe chamaram a “Ilha dos Portugueses”.
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A comunidade portuguesa existente em Ayuthaya despareceu quando a cidade foi destruída pelos birmaneses em 1767. O futuro rei (General Phya Taksin), que veio a restaurar a independência do reino no ano seguinte, concedeu terras aos Portugueses que haviam combatido ao seu lado, na zona da nova capital estabelecida em Thomburi, na margem ocidental do rio Chão Praya ..Esta aglomeração chamou-se “Colónia de Santa Cruz”.
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Entre os seus habitantes existem ainda algumas famílias com nomes Portugueses – o de Jesus, por exemplo. Dois membros dessa família fazem e vendem pequenos bolos que a tradição diz serem uma antiga receita portuguesa.
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Em 1786, quando da transferência da capital de Thomburi para a margem oriental do rio Chão Praya, o Rei Rama I concedeu ao rei de Portugal outro importante e valioso terreno, situado sobre o rio, perto da actual embaixada portuguesa. A esta zona chamou-se “O Rosário”, tendo sido oferecida “em consideração da ajuda dada pelos portugueses nas guerras contra o rei Birmanês. Foi aí construída uma igreja por Frei Francisco Chagas, que viera de Goa para cuidar da comunidade portuguesa.
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Os membros desta noca comunidade construíram as suas casas e dedicaram-se ao comércio, construindo também barcos, muitos dos quais como o “Concórdia”, estavam registrados no consulado português em Banguecoque.
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A carta de concessão do rei Rama I afirmava: o rei (do Sião) exprime a sua gratidão à rainha D.Maria I, pela sua amável generosidade, símbolo de boa- vontade que não poderá ser esquecido até ao fim do mundo...
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De futuro, o rei não mais causará a Vossa Majestade o incómodo do envio de tropas e munições, mais solicita que sejam dadas ao governo de Goa no sentido de lhes serem enviados três mil mosquetes durante o ano de 1787.
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Caso os súbditos de Vossa Majestade desejem estabelecer uma feitoria, o rei está disposto a conceder-lhe um terreno para esse fim, no qual poderá ser construída uma igreja...Esta disponibilidade do rei em oferecer terra para o estabelecimento, de uma, feitoria, em Banguecoque (ou seja de uma comunidade comercial), viria depois a ser posta em prática.
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Em 1820, durante o reino de Sua Majestade o Rei Rama II, foi oferecido a Portugal um terreno em que se estabeleceram uma “Feitoria Portuguesa” e a residência do primeiro cônsul, Carlos Manuel da Silveira. O texto da carta de concessão:

" Eu Chao Phya Surivon Montri Ministro de S.Majestade o Rey do Siam faço saber a V.Exa. o Illmo. Sr. Diogo de Souza, Vice Rei e Capitão General de Mar e Terra dos Estados da Índia, que recebemos as cartas e offertas enviadas por V.Exa. pelo Consul Geral e eu fiz introduzir à Audiencia de S.Majestade o Soberano, o mais amado de seus povos, e juntamente o Comandante do Brigue com os seus officiais e havendo S.Majestade tomado conhecimento do conteúdo das cartas de V.Exa. de ordem do seu 2º Rey para que tomado em consideração as proposições de V. Exa. e as do Ministro de Macau para renovar a antiga amisade deste Reyno com o de Portugal e estabelecer huma Feitoria com residência de hum Consul neste Reyno para o que se darão as promptas providencias para se por em execução e se entregou ao consul Geral Carlos Manuel Silveira, hun chão que lhe pareceu proprio e conveniente com 72 braças de siam ao longo do Rio, 50 de fundo com dois gude para fazer navios com privilegio que todos os Portugueses poderão vir aqui negociar como antigamente por quanto S.Majestade é Inclinado à Nação Portuguesa que a nenhuma outra. O Consul Geral, o comandante do brigue e seus officiais receberão quatro meses de comodorias e 160 ticaes por mês e o mesmo Consul Geral S.Majestade foi servido honrar-lhe com o Título de Luong Aphai Phanit e o singio com as insignias daquella graduação. As offertas de V.Exa. para Sua Majestade forão todas e entregues aos seus officiaes respectivos. Sua Majestade ordenou ao Seu Ministro para enviar a S.Exa. pelo commandante do Brigue S. João Baptista cem picos de assucar, 3 ditos de Marfim, 15 ditos de calem; 20 ditos de pimenta, 3 ditos de uma tinta amarella e espera que V.Exa. aceita em consideração à sua particular estima. As ideias de V.Exa. unidas às do Ministro de Macau o Illmo. Miguel de Arriaga Brun da Silveira afim de instaurar a antiga amisade deste Reyno com o de Portugal o faz dignamente merecedor de ser o 1.º representante de S. Majestade o Rey de Portugal na Índia. E se esta amisade for com efeito estabelecida firmemente como deseja S.Majestade e os Portugueses aqui venham comerciar francamente será hum motivo de eternizar para sempre o nome de V.Exa. entre todas as Nações do mundo inteiro até que exista o Ceo e a Terra. S. Majestade recomenda-me avisar V.Exa para que se sirva informar a todos os mercadores que aqui venhão que tragão espingardas bastantes e boas porque S.Majestade muito necessita dellas. Deos Guarde a V.Exa. por muitos annos. Bangkok aos 5 da Lua do 12 mes do anno Marong de 1182 que corresponde à Era Christã 9 de Novembro de 1820."
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E neste terreno que se situa a actual embaixada de Portugal, sendo a mais antiga residência diplomática em Banguecoque.Helder de Mendonça e Cunha.
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José Martins - Um velho residente, com mais de três décadas de vivência neste Reino que tem servido dois países amigos Portugal e a Tailândia.