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terça-feira, 11 de agosto de 2009

LONGA VIDA PARA SUA MAJESTADE A RAINHA SIRIKIT



Na feliz data de hoje 12 de Agosto, de 2009, solenemente, minha família e eu felicitamos Sua Majestade a Rainha Sirikit, da Tailândia, pelo seu aniversário de seus 77 anos, cuja parte de sua vida, 60 anos, foram dedicados à harmonia do Povo do Reino da Tailândia, a obras de benemerência e em especial à dignificação e modernização da mulher tailandesa.
José Martins
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P.S. A fotografia de Sua Majestade acima aposta fui obtida por mim, em 4 Maio de 1994 e de quando, pela primeira vez uma Raínha da Tailàndia, despendeu um serão de cerca de 5 horas na Residência dos Embaixadores de Portugal na Tailândia.

domingo, 5 de julho de 2009

O MEU RIO VISTO DO ALTO

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Não via o meu rio, junto aonde vi por muito anos, há 19 meses nem do alto nem de baixo.
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Afastei-me do rio e da minha rua a Captain Bus Lane há 18 meses. Foi no princípio da noite de 16 de Janeiro do ano passado e desde então nunca mais lá passei, apenas uma vez, mas na Chalerm Krung de onde a Captain Bush parte e a uns pouco mais de 100 metros, quando os olhos, de quem por ali passa, ao seu lado esquerdo, vê a Embaixada de Portugal.
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Não me zanguei com a minha rua, muito menos com o meu rio Chao Prya, mas incomodaram-se comigo uns inquilinos que temporariamente, junto à margem, vivem.
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Vou deixar, para outra altura, com mais pormenor, a história.
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Hoje vou apenas referir-me de onde vi o meu rio o Chao Prya e, precisamente, de um 30º andar da margem esquerda e a um quilómetro de distância e do mesmo lado onde se instala, num terreno doado a Portugal, para construir Feitoria, pela real graça de Sua Majestade o Rei Rama II, em 1820.
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Asilei-me em minha casa há 19 meses, desde que fui expulso, por indecente e má figura, ao fim de permanência de 24 anos, por sua Excelência o Embaixador de Portugal António de Faria e Maya que viria a escrever uma página na história de minha vida.
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Sua Excelência não gostou, nada mesmo, de umas verdades puras saídas de minha boca, que não me arrependeria se estas, as merecesse, dirigi-las a Sua Excelência o Presidente da República e quem o credenciou para representar Portugal na Tailândia.
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Raramente, depois de ter sido quebrada a minha rotina diária em 16 de Janeiro de 2008, não saio de minha casa, para o centro de Banguecoque e fi-lo pouco mais de uma meia dúzia de vezes.
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Claro que não sou um prisioneiro, voluntário, de quatro paredes, ou que esteja por aqui de olhos de "carneiro morto", um desgraçadinho, obcecado, pelo passado, de 24 anos, de ter servido Portugal (nunca servi homens) no meu melhor, oferecendo mais do aquilo que haja recebido.
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O dia para mim começa muito cedo e outra vida nasce desde que acorde vivo.
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Vamos lá contar a história. Certo, se dissesse o contrário fugia â verdade, tenho muitas saudades do meu rio e de todo aquele movimento matinal que lhe conheci.
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Por muitos anos, pela fresca manhã, ainda o sol não se tinha descoberto e beijar com os seus raios o ondulado da água superfície do rio, já eu sentado, num banco de cimento, no embarcadouro da Captain Bush Lane, observava todo o movimento, humano, no seu vai-e-vem da margem de cá de Banguecoque para o lado de Thomburi.
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A capital tailandesa é rasgada em duas partes pelo meu rio e a ele se deve a bênção de ter sido o elo de ligação entre o Reino do Sião e os países da Europa desde 1509 e de quando o português Duarte Fernandes (a), navegou por ele acima, para a Ayuthaya e com a mensagem do Grande Afonso de Albuquerque para Rei Tibodi II: “dizei ao Rei so Sião que os portugueses vão conquistar Malaca”.
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Sei la quantos vezes, sentado no banco do cimento do embarcadouro, além de toda aquele gente que via, vesti a pele dos portugueses de outras eras e por vários séculos subiram e desceram o rio.
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Continuo dentro das pieguices, que me têm caracterizado, um patriota de “meia tigela” e continuar a ser independente a contar a história de Portugal na Tailândia, sem nunca me ter arrastado aos pés, ou beijado o “traseiro” do Poder e solicitar-lhe dez reis de mel coado para as minhas investigações histórias desde há 24 anos.
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Preferi viver livre e quando o Poder não me merece a mínima consideração mandei-o colher malvas.
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Não sou nenhum anárquico, mas por algumas vezes insurgi-me, quando o Poder se deteriorou, porque poder, sem poder que valha é devassado.
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Uns três dias antes de sábado passado, um português (daqueles emigrantes a sério que de muito novo, como eu, agarrou os cornos do mundo e correu as sete partidas), enviou-me um e-mail a convidar-me para uma merenda, no seu apartamento, situado num trigésimo andar, que habita junto à margem esquerda do meu rio.
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Quando um português, daqueles emigrantes a reais, convida outro patrício, desde logo, à cabeça, se sabe que vai haver mesa farta, petiscada variada, onde não pode faltar o “bacalhau”. Vinho português, nesta merenda, não houve um gole que fosse e bebeu-se do Chile.
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Não vou acusar aqueles que tinham, por dever e obrigação que em Banguecoque, agressivamente, o vinho português fosse levado à rua e não em provas para meia dúzia de bebedores, distribuindo, uns aos outros sorrisos e palavras a transbordar hipocrisia, que além de dizerem, para agradar ao anfitrião: “ the wine´s excelente”!, nas suas mesas não entra "pinga" que seja do néctar das vinhas, solarengas, de Portugal.
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Uma tarde bem passada com comes e bebes naquela torre de cimento e aço e juntei o útil ao agradável! Petiscada lusa, boa hospitalidade e então a vista, de uma beleza rara, o ter admirado o meu rio bem alto e um olhar que nunca haja tido o privilégio.
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De facto o meu rio, não tinha aquele movimento de turistas, visto dois anos atrás, onde nos convés dos barcos, a céu aberto tomavam as suas ceias, enquanto outros dançavam ao som de uma banda de música. Observei um apenas. Os turistas vão voltar e não tardam. A magia daquele rio não se apaga na memória dos que nele navegaram e voltam sempre.
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As margens do rio cresceram muito em 32 anos quando pela primeira vez o naveguei e o canais de Thomburi, num barco, indolente e conhecido por “tuk-tuk”.
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Aquele casario construído de madeira e suspenso em estacas de árvores de teca, deram lugar a enormes torres de trinta e mais andares. É o progresso a que o o meu rio não escapou. Uns velhos armazéns e ainda umas casas de madeira, seculares, a querer vencer a lei do tempo e do progresso nas margens teimam em identificar a cidade de Banguecoque de outras eras.
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Regressei a casa no principio da noite feliz porque vivi, nostálgico, o meu rio e o da minha poesia das alturas.
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José Martins
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(a) Alguns historiadores têm referido à data de 1511, da chegada dos portugueses ao Reino do Sião, quando esta data é de 1509. O proeminete historiador John Villiers escreveu, numa monografia “Portugal e a Tailândia” (Fundação Calouste Gulbenkian) em 1988: “...Para este efeito enviou Duarte Fernandes (que viera para Malaca em 1509 como oficial da frota portuguesa comandada por Diogo Lopes de Sequeira e que falava um pouco tailandês) a Ayuthaya, onde lhe foi concedida uma audiência com o Rei Rama Thibodi II, na qual este foi presenteado com uma espada cuja bainha era de ouro incrustada com diamantes...” Está completamente errada a data de 1511 da chegada dos portugueses, ao Sião quando esta foi em 1509.
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Em 30 de Setembro de 2002 escrevi a peça, transcrita, a seguir e publicada no website www.aquimaria.com/html/aboutth.html
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"A poesia do rio e da minha rua. Em Banguecoque tenho muitas ruas. Rios só um: o Chao Praiá. Aquela onde vivo, outras que me são familiares há muitos anos, principalmente as que me servem de manhã para chegar à Embaixada de Portugal e de volta a casa ao fim da tarde. Itinerários que não mudo para me facilitar a fuga ao tráfego nas horas do começo da movimentação da grande cidade. Pontualmente, programado, às seis da manhã, eu e a Maria saímos de casa. Oitocentos metros é a distância que separa a Varanda do Oriente, de minha casa, até à auto-estrada. Depois de atingir a enorme via, o eixo rodoviário da Tailândia, do Norte ao Sul até à fronteira da Malásia, são uns escassos 15 minutos que o meu utilitário necessita para deixar minha filha na escola internacional que frequenta há uma dúzia anos. As escolas em Banguecoque, tailandesas ou internacionais iniciam as aulas (a grande maioria), às sete, dado ao rigor do clima tropical; encerram às duas e meia da tarde e, com isto os alunos ter tempo para executar as lições para o dia seguinte. Antes de iniciar as minhas funções que começam às nove tenho duas horas para consumir, e não as aproveito, sentando-me a polir o fundo de uma cadeira, num café da Rua da Silom. Vou assim para os meus espaços matinais que são a minha rua e a margem do rio Chao Praiá. Depois de estacionar o carro para lá dos portões que dão acesso ao parque da Antiga Feitoria de Portugal (hoje a Chancelaria da Embaixada), saio, para a rua, com a máquina, de fixar imagens digitais, que não precisa de filme, revelação e, até podem, ser arquivadas na memória do computador, gravadas em CD Rom ou em disquetes, por anos. Percorro a minha rua, a Captain Bush Lane que é, defacto, um mundo poético, e prazer envolver-me na movimentação, humana e observar tudo que por ali passa no começo de mais um dia para milhares de banguecoquianos. A cidade de Banguecoque é dividida em duas partes. O marco é o Rio dos Reis (Chao Praiá, Menam ou Mãe das Águas) onde correm as àguas das terras do Norte e Nordeste da Tailândia e vão desaguar no Golfo da Tailândia. Sobre as águas do Chao Praiá, durante as 24 horas, dos ponteiros do relógio, flutuam canoas, barcos, comboios de barcaças, mergulhadas até ao convés, de grande porte, puxadas por reboques vindos de grandes distâncias, a montante, do rio, em direcção aos armazéns do porto de Banguecoque, onde alijam a carga, composta de produtos da terra ou materiais de construção. A Casa Nobre, um palacete, a residência dos Embaixadores portugueses acreditados na Tailândia e uma peça, finíssima da arquitectura, colonial portuguesa e conhecida na Tailândia por Sino/Portuguesa, está a pouco -mais de 100 metros da margem esquerda do rio. A frontaria da Nobre Casa, ainda com o distintivo da monarquia lusa, as cinco quinas, os sete castelos e a coroa dos Reis de Portugal decorada com ramos verdes e cravos vermelhos. Quando foi construída, depois de meados do século XIX, a circulação e movimentação das gentes; das mercadorias era efectuada pelo Chao Praiá; pelos canais de uma cidade, acabada de surgir entre a densa vegetação, aquática, abertos a braços do homem e dado, assim, nome à nova capital, pelos cronistas, da época, europeus a “Veneza do Oriente”. A capital da Tailândia é, ainda hoje, conhecida por esse nome. A bandeira das quinas, de três panos, já desfraldada ao sabor do vento que lhe é favorável da monção, na ponta do pau, flutua a uns 35 metros da base de cimento. O símbolo da nação, portuguesa, está ali desde 1820 quando Sua Majestade o Rei Rama II, ofereceu a Portugal a larga parcela de terreno para construir Feitoria e estaleiro para reparar ou construir barcos. Bandeira e pau que a suporta, serviu por muitos anos ponto de referência para as pequenas embarcações navegando nos canais, dos pontos mais distantes de Banguecoque para se orientarem em direcção ao rio Chao Praiá. O farol luso da margem do Chao Praiá tem a concorrência das alturas, a poucos metros, de uma torre de vidro que lhe tirou o visual da orientação. Mas continua no mesmo mastro garbosa, a ondular o pano com as cores que identifica o lugar como espaço de português na Tailândia. A “Captain Bush Lane”, a minha rua ( Rua do Capitão Mata), o nome foi uma homenagem ao Almirante John Bush K.C.W.E., que serviu dois Reis, Majestades Maka Mongkut e Chulalongkorn, (Pai da moderna Tailândia), pelo período de 40 anos, como administrador e organizador do Porto Marítimo de Banguecoque desde a metade do século XIX até ao começo do XX. Rua que ainda hoje mantém pedaços da história de um passado. Uma casa sino/portuguesa, desabitada, está em coma há muitos anos, certamente aguarda os golpes implacáveis do camartelo para o lugar histórico, onde foi construída, se erguer uma torre de cimento e vidro. Um pouco mais à frente está a tabuleta da empresa “Louis Leonowens”, filho da Anna Leonowens, professora de inglês da Corte de S.M. o Rei Mongkut (reinou de 1851 a 1868) que escreveu a controversa obra o “Romance no Harem”, que mais tarde viria a ser aproveitada por Hollywood para rodar a grande metragem “O Rei e Eu” e motivo ofensivo ao povo tailandês dado que a história não narra os factos verdadeiros. A destoar o cenário, da minha rua, é a luxuosa ilha de riqueza o Hotel Royal Orchid, famoso é certo, mas não tanto como o, secular, Oriental a um quilómetro a jusante e preferido pela gente, “bonitinha” da “jet” set internacional e, de alguns políticos, impressionistas, portugueses (não revelo nomes), têm uma paixão predilecta, pelo hotel,mais famoso do mundo. O escritor Somerset Maugham, hospedou-se, na sua primeira visita a Banguecoque, no Hotel Oriental, em 1923. Gostou, repetiu por várias vezes e a sua passagem ficou assinalada com uma suite: “Somerset Maugham” No Royal Orchid, há uns anos, foi preso um tal Faria, brasileiro, membro do executivo do Presidente Color que foragido e acossado pela polícia internacional o Faria, incauto, foi meter-se na “boca do lobo”, com uma comitiva de uns 10 assessores e a esposa a ocuparam suites de luxo, nas alturas, do hotel. As tripulações da companhia aérea nacional brasileira, VARIG, hospedavam-se no Orchid para se recompor depois de ter voado longas horas e segundo por aqui se constou teriam sido as vozes denunciantes, do paradeiro do “bom vivante” Faria. O informador do paraíso do brasileiro, teria dito à polícia tailandesa que era um homem perigoso e armado. Pois na altura da sua detenção o Faria não tinha, sequer, um corta unhas para atacar quem fosse. O acusado do crime de peculato, estava, com o seu grupo a viver à larga e à francesa; a gozar o cenário do Rio Chao Praiá. Na altura da detenção, o Faria, saía, depois de uma lauta ceia, do Restaurante Captain Bush que deu o nome à minha rua. Uma pequena viela leva-me ao cais de desembarque. Da banda de Thomburi chegam batelões com estudantes, operários, jovens e muita outra gente, graúda e a arraia-miúda que vai apanhar o comboio á estação ferroviária, centenária, Hula Lumpoon que liga Banguecoque a todos pontos do Reino. Cruzam-se barcos expressos, de passageiros outros de grande porte aproximam-se dos hotéis, da beira rio, para embarcarem turista, e oferecer-lhes uma viagem de sonho de umas três horas até Ayuthaya, com preço acessível a todas as bolsas. (A Tailândia continua a ser a melhor destinação turística, em toda Àsia, para o visitante estrangeiro). Miro o grande o rio, na manhã nublada, sinto por ele uma grande paixão. O Chao Praiá é um pouco já da minha vida. Conheci as margens com casas de tábuas, em cima de estacas de madeira de teca. Hoje nas suas margens há enormes prédios de residências e hotéis de luxo. Turistas aos milhões visitam a Tailândia e o Chao Praiá é uma via aquáticas, obrigatória e desejada a navegar. Rio que recebe as cheias dos outros afluentes do norte e nordeste e alagas a zona ribeirinha das duas margens de Banguecoque. Pessoas habituadas à bênção da àgua que aceita as inundações com o sorriso característico que identifica, o Reino das gentes tailandesas, o País dos Sorriso. A Rua Captain Bush Lane e o rio Chao Praiá são espaços de poesia e pura harmonia. José Martins30.09.2002"

sábado, 1 de novembro de 2008

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - HISTÓRIAS POR CONTAR

Parte 17.ª
Consulado de António Feliciano Marques Pereira

A 16 de Setembro de 1875, o consulado geral de Portugal em Singapura e Malaca e suas dependências foi anexado ao consulado de Portugal no Sião, sendo elevado a cônsul-geral daquele distrito o cônsul de Portugal no Sião, António Feliciano Marques Pereira, que estava à frente desse consulado desse Janeiro desse ano:
Este nasceu em Lisboa, a 1 de Junho de 1839, sendo filho de António Marques Pereira e de Maria Catarina Damário Ferreira. António Feliciano Marques Pereira casou em Macau com Belermina Inocência de Miranda, baptizada na Sé, a 5 de Junho de 1839, filha de António José de Miranda e de Ana Joaquina de Miranda; neta de paterna de Agostinho José Miranda e de Mariana Marques de MIranda e materna de Januário Agostinho da Silva e de Maria Ana Francisca Pereira da Silva. Agostinho de Miranda era filho de José Miranda e Sousa e de Maria Rosa Correia de Liger; sua mulher, Mariana Marques, era filha de Gabriel Marques e de Clara Maria Rosa Vieira, neta paterna de Domingos Marques e de Maria Francisca dos Anjos Ribeiro Guimarães e materna de Raimundo Vieira e de Maria Francisca de Miranda.
António Feliciano Marques Pereira e seu filho João Feliciano foram dos maiores historiadores de Macau, publicando várias obras e inúmeros artigos sobre esta terra. O pai pai foi cônsul de Portugal em Banguecoque durante 6 anos, desde Janeiro de 1875 a 1 de Abril de 1881.Falando de seu pai, escreve João Feliciano Marques Pereira:
«No meio dele (povo siamês), passou meu chorado Pai alguns dos melhores anos da sua vida (de 1875 a 1881), conseguindo a muito custo restabelecer o antigo prestígio tão abalado por muitos desleixos e vergonhas que constituem o costumado fim de muitas glórias portuguesas...
Mas nesse patriótico empenho arruinou a sua saúde num clima inhóspito para europeus.
Tendo saído de Bangkok, em Abril de 1881, veio morrer em Setembro desse ano em Bombaim, como cônsul-geral na Índia inglesa, cargo para que tinha sido promovido como prémio dos seus longos serviços na Ásia, conforme diz o respectivo decreto.
Foi durante a sua permanência em Bangkok que se levantou o novo edifício consular à custa dos rendimentos do próprio consulado e se acabou com a residência do representante de Portugal na imunda pocilga ou barraca feita em 1820 pelo cônsul Carlos Manuel da Silveira. em 1858 Carlos José Caldeira no 1-º volume do Archivo Pittoresco clamava contra a vergonha de tal habitação que já então «estava sustida com cordas e pontaletes para não cair, e que só por irrisão se denominava casa do consulado e feitoria portuguesa».
Meu Pai contribuiu muito para que se resolvesse a questão entre o 2.º e o actual 1.º rei, suscitada depois da implantação da nova constituição política de 1874.
Para isso também trabalhou bastante o falecido Conde de S.Januário, quando Governador de Macau e ministro plenipotenciário em Siam.
Por esses e outros valiosos serviços... a comunidade portuguesa de Bangkok ofereceu a meu Pai uma taça de prata, com dedicatória grande, acompanhada da seguinta mensagem, da qual, já agora, não resisto à tentação de transcrever os seguintes trechos:
«Aprouve ao Governo de Sua Majestade Fidelíssima elevar a V. Ex.ª a um cargo superior ao que por sete anos V.Ex.ª há exercido no reino do Siam táo distinta quão briosamente.
Receba assim V.Ex.ª um prémio condigno do seu subido mérito, geralmente reconhecido talento e acrisolado patriotismo.
Nós, porém, os abaixos assinados, súbditos portugueses aqui residentes, vamos ficar privados dum Representante sem igual na história das relações entre as nações portuguesas e siamesa; daquele a quem coube o destino de restabelecer o prestígio do nome português que muito declinara neste país; que completou e embeleceu o nobre edifício da residência consular, reformou o serviço e coordenou os arquivos do consulado e melhorou os seus redimentos; administrou justiça recta; dispensou-nos conselhos prudentes; pugnou pelos nossos interesses e pelos da nação: que soube enfim, pela perspicácia e firmeza nos negócios diplomáticos, afabilidade, bizarria e hospitalidade nas relações sociais captar respeito, a estima e consideração da nobreza de Siam, dos seus colegas do corpo consular e outros residentes estrangeiros, e de nós os portugueses.
Penhorados. pois, por tanta benevolência, pátrio zelo e amabilidade, vimos aqui desempenhar-nos dum dever de gratidão rogando a V.Ex.ª se sirva aceitar esta taça com a inscrição nela gravada, expressiva dos nossos sinceros agradecimentos pelo bem que V.Ex.ª nos há feito. Digne-se mais aceitar a manifestação do nosso sentimento pela sua próxima partida para longe de nós.
A ausência e o tempo não poderão extinguir-se em nós a grata recordação dos feitos dum benemérito da Pátria, como é V.Ex.ª nem do seu nome justamente respeitado».
São já passados 20 anos (1881-1901). Muitos se não a maior parte, dos signatários dessa mensagem estão mortos.
Mas um núcleo de briosos rapazes, com a fundação da «União Portuguesa», tentou patrioticamente respabelecer as antigas relações comerciais entre os portugueses e siameses e honrar pelo trabalho o nome de Portugal. Que o Governo olhe, como deve, pela comunidade e pelo consulado português em Siam (1).
Compreendem-se estas palavras na boca do filho, que pinta o pai como um sol sem mancha, mas veremos as sombras no relatório do cônsul Loureito.
Por ofício de 3-8-1876, Marques Pereira envia ao Governo de Macau cópia do inventário do Consulado de Singapura, pedindo que pela Junta de Fazenda de Macau lhe fosse abonada a quantia necessária para aquisição da bandeira e material para o Consulado (2). A 18 de Julho de 1877,
Marques Pereira oficia a Chow Phia Kham Wongse, Ministro dos Negócios Estrangeiros, sobre o assassinato cometido pelo monopolista de espíritos, Kimian (monopolista de Supan) na pessoa de Chin Jesun, criado de Chin Ip Chion Si.
Diz ele que outrora não havia crimes; mas, desde que os monopolistas viram que a repartição das finanças desculpava todos os abusos, estes repetem-se todos os dias. Ele cônsul, reteve 320 ticais (quatro cates de prata) que o assassínio lhe dera; a este, mandou aplicar 4 chibatadas.
(1) Ta-Ssi-Yang-Kua, Vol. 11, p.761 - (2) Processo n.º 98, de 3-8--1876.
O Ministro mandou o Sr. Jesus (1) ao consulado pedir os 4 cates, mas não lhe foram entregues. Perante a queixa do Ministro o Cônsul replicou: «Os quatro cates cá estão». Não tenha V.Ex.ª cuidado, que eles daqui não desaparecem.
São meus, foram-me dados pelo monopolista de Supan, mas como eu não costumo receber dinheiro por este modo, ofereci-os a V.Ex.ª e torno hoje a oferecê-los, pedindo-lhe que os aplique aos pobres ou que lhes dê o destino que V.Ex.ª entender mais justo.
Mas preferia esperar pela decisão do tribunal sobre o caso do assassinato.
O Ministro disse que era impossível corresponder-se com o cônsul, enquanto este não lhe desse os quatro cates. O Cônsul respondeu estranhando esta deselegândia e dizendo que o monopolista Kimian tinha a responder por dois crimes: 1.º) o de assassinato; 2.º) de ter tentado subornar o intérprete do consulado e depois o próprio cônsul, entregando-lhe quatro cates de prata e prometendo-lhe muito mais dinheiro.
Mas se o Ministro julga que esse dinheiro estará mais seguro no Ministério do que no Consulado, ele lho enviará. Ele enviou-o ao Ministro. Este queixou-se disto a Eugénio Correia da Silva, Governador de Macau.
A 30-3-1878, Pereira escreveu a Correia da Silva, em resposta a um ofício de 28 do mês anterior, disendo:«nas fraquissímas condições em que está o consulado, melhor é não o sobrecarregar com a protecção dos chinas...
Os chinas podem apostar, viver e comerciar em Bangkok sem necessidade de passaportes ou de protecção de consulado algum.
Termina dando explicações sobre a questão dos quatros cates de prata (2). A 23 de Outubro de 1880, Marques Pereira remeteu ao Governador de Macau o projecto do tratado entre o Sião e a Inglaterra, combinado em Londres pelo embaixador siamês Chow Phia Khan Wongse; regressado recentemente a Bangkok
«O Conde Granville aceita esse projecto, mas unicamente no caso das outras nações o aceitarem» (3). A 28 de Janeiro de 1881, Pereira informou Joaquim José da Graça, o Governador de Macau e ministro plenipotenciário (1879-1883) que o rei do Sião ia nesse ano mandar uma embaixada à Europa, de que seria encarregado o próprio Kalahone, ou primeiro-ministro (4).
(1) Trata-se de Adeodato Francisco de Jesus, que nasceu em Macau, a 19 de Maio de 1841, sendo filho de Adeodato de Jesus e de Rita Josefa dos Remédios, neto paterno de Miguel de Jesus e de Isabel Lopes e materno de José Félix dos Remédios e de Ana Maria Correia. Ainda hoje há na Tailândia muitos descendentes desta família, alguns dos quais ocupando altos cargos do Governo e da Igreja. Nas nossas visitas no Sião conhecemos muitos deles: um é religioso redentista, sendo hoje bispo duma diocese na Tailândia, outra é Provincial das Irmás de Holy Infant Jesus nesse país; outro é alto funcionário do Governo, etc. (2) Processo n.º 164, série P. de 30-3-1878, Arquico Histórico de Macau, (3) Processo n.º 276, série T, de 23-10-1880. (4) Processo n-º 165, série N, de 20-1-1881 (De Monsenhor Manuel Teixeira, cremos do ano 1984). Com a data de 1 de Março de 1881, António Feliciano Marques Pereira redigiu um Relatório do Consulado em que nos dá interessantes informações em cima das inscrições no consulado:
1815................................................................................................................15
1860................................................................................................................. 6
1861..................................................................................................................3
1862..................................................................................................................2
1863..................................................................................................................1
1864..................................................................................................................5
1865................................................................................................................. 4
1866..................................................................................................................2
1867..................................................................................................................2
1868................................................................................................................24
1869................................................................................................................11
1870..................................................................................................................1
1872..................................................................................................................2
1873..................................................................................................................2
____
80 (total da soma acima)
O Consulado protegeu vários súbditos não cristãos, sobretudo chinas, idos de Macau.
Em 1871 - aparecem registados 1 muçulmano e 4 chineses; em 1872, um chinês; em 1873, até 19 de Maio, um chinês. Nesse ano de 1872 foram inscritos 368 protegidos chineses mas essas inscrições foram anuladas. Nos anos seguintes, M.Pereira registou 106 indivíduos:
1875.................................................................................................................42
1876.................................................................................................................13
1877.................................................................................................................12
1878...................................................................................................................7
1879.................................................................................................................12
1880.................................................................................................................20
___
106 (total da soma acima)
Os protegidos que não católicos:
1875..................................................................................................................12
1876..................................................................................................................11
1877..................................................................................................................11
1878...................................................................................................................7
1879...................................................................................................................8
1880..................................................................................................................16
____
65 (total da soma acima)
As naturalidades dos súbditos portugueses são as seguintes:
Lisboa.................................................................................................................5
Goa..................................................................................................................... 3
Macau...............................................................................................................20
Bombaim.............................................................................................................1
Singapura............................................................................................................1
Banguecoque.....................................................................................................11
___
41 (total da soma acima)
Profissões:
Vivendo em parte incerta...................................................................................9
Comerciantes.....................................................................................................10
Marítimos............................................................................................................ 7
Empregados do Governo siamês........................................................................6
Empregados do consulado................................................................................. 4
____
36 (total da soma acima)

Desses 41 faleceram 4 e 2 ausentaram-se, ficando 35, devendo acrescentar-se 62 protegidos; os serventes destas duas classes são 274.
Marques Pereira descreve as orígens dos portugueses no Sião: «Por duas veses demos socorro a Siam em guerra contra os birmaneses, sendo a última em tempo da senhora D. Maria I. Ainda há poucas semanas o Kalahone (primeiro-ministro e ministro de guerra) em visita, sem que eu a este assunto houvesse aludido, fazia menção altamente honrosa do valor de tais auxílios, e me referia que duas das principais fortalezas que defenderam o Menam foram construídas por militares portugueses. Em 1852, sendo cônsul o macaista Marcelino de Araújo Rosa, ainda o corpo de artilheiros do palácio real de Bangkok se denominava artilharia portugesa.
Estas expedições auxiliares fixaram em Siam muitos portugueses, que se casaram com siamesas e tiveram descendência»
Falando da decadência do nosso comércio, escreve Marques Pereira: «Desde há anos que não existe comércio algum entre Siam e Portugal nem entre Siam e as possessões portuguesas. Veio apenas de Lisboa, em 1871 1 872, a galera portuguesa Viajante. Trouxe vinhos, aguardente, azeite, conservas e calçado e levou para Lisboa arroz, açúcar, teca, pimenta, peles, etc.
Um súbdito português residente em Siam, o sr. José Maria Fidélis da Costa, comprou em 1876 a barca Cap-sing-mun, que mais tarde chamou Ana Rosa. Empregou-a em fretes, com vantagem, para Singapura e Hong Kong, mas teve de a vender, em fins de 1877, por ser velha. Já antes utilizara de modo igual a escuna Lusitânia, que ele mesmo fizera construir nesta cidade e vendera em 1870».
Sobre os macaenses no Sião, Marques Pereira descreve-os:«Sóbrios e pacíficos, mas incompletamente educados e assim pouco enérgicos




e perseverantes, não sobem geralmente das tentativas de um comércio modestíssimo, ou da posição de empregados secundários das casas comerciais estrangeiras, e ainda aí, não só as alemãs em começo de carreira, mas a raça activa e esperta dos chamados babás ou chinas dos Estreitos, lhe fazem de dia para dia competência mais grave. A navegação mercante de vela com bandeira siamesa, que facilitava aos portugueses a profissão de capitães e pilotos, decresceu com o aumento de vapores à quinta parte do que era em número de vaos não há muitos anos, baixado também os salários e o ensejo de obtê-los, por crescer a oferta de marítimos suecos, dinamarqueses, alemães e outros.
É certo, porém, que a vida em Siam é fácil, ou pelo menos barata. Os portugueses que para aqui emigram, não só de Macau, mas de outras procedências, fixam-se em geral no país, e não raro criam plantações e outras propriedades. Ligam-se frequentemente com a população indígena por casamentos, etc., mas conservam, sem modificações importantes, os usos, a língua e a religião pátria. Vivem, quási todos em Bangkok, e são unidos no amor da sua nacionalidade.
A opinião geral acerca desta pequena colónia é não ser rica, nem muito instruída e empreendora, mas ser honesta» (1)
Jacinto de Moura desfaz-se em elogios a Marques Pereira:«Desde essa data (2-10-1873) retomou o cargo, como encarregado, o secretário Joaquim Vicente de Almeida, até que, em 15 de Janeiro de 1875, tomou posse, como cônsul, António Feliciano Marques Pereira, pessoa de alto valor moral e mental e trabalhador infatigável, cujo nome está ligado estreitamente a Macau, pelo seus relevantes serviços ali prestados, entre os quais avultam, os seus importantes trabalhos de investigação histórica.
A ele se ficou devendo a conclusão do consulado por meio de um empréstimo que realizou»
Adiante se irá analisar o que o Cônsul Loureiro diz sobre Marques Pereira que o teria conhecido bem.
(1) Boletim Oficial de Macau, Vol.XXVII, n.º31,30-VII-1881 (2) Jacinto de Moura, I.c.,93.
José Martins
Fim da parte 17.ª
CONTINUA
P.S. Aparte das opiniões do autor, este, vai consultando, cópias, dos seus arquivos pessoais e como guião ( sem este não seria possível levar em frente este trabalho) a obra do Monsenhor Manuel Teixeira: "Portugal na Tailândia - Imprensa Nacional de Macau - Maio 1983.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - HISTÓRIAS POR CONTAR

Parte 16.ª
Consulado de Eduardo Pereira LeiteConsuladoPereira Leite
Ofício de 19.11.1872 - António Sérgio de Souza, envia para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, um requerimento de Eduardo Pereira Leite, onde este pede para ser nomeado cônsul de Portugal no reino de Sião, e a informar sobre este assunto.
Eduardo Pereira Leite era filho do General de Brigada, Jerónimo Pereira Leite e de Firmino Seva Leite. Jerónimo Pereira Leite, quando tenente, era Ajudante de Ordem do Governador João Maria Ferreira do Amaral e estava com ele no trágico dia 22 de Agosto de 1849, quando este foi assassinado.
Às 6 horas da tarde, desse dia, a meio do caminho do Istmo da Porta do Cerco, Ferreira do Amaral foi acometido por 7 chineses disfarçados de mendigos, os quais derrubando-o do cavalo, lhe deceparam a cabeça e a sua única mão, que levaram, deixando o seu corpo coberto de um sem número de feridas e o seu Ajudante de Ordens ferido.
Jerónimo Pereira Leite faleceu em Lisboa em 27 de Janeiro de 1882 e teve de sua mulher Firmina 3 filhos:
1. Júlia Pereira Leite; faleceu a 2 de Agosto de 1870 a bordo do vapor Saída, do comando do 2.º tenente, da Armada, João Maria Freitas Branco.
2. Eduardo Pereira Leite; casou com Sara Luisa Rangel e foi cônsul de Portugal no Siã0.
3. Luís Pereira Leite; casou com Teresa Maria Piter, filha do Dr. Vicente Paulo Piter e de Hermelinda Joaquina Leiria Salatwchi.
Eduardo Pereira Leite pouco se quedou no consulado de Banguecoque.
Nomeado cônsul de 2.ª classe de Portugal no Sião a 21 de Outubro de 1872, exerceu o cargo desde 11 de Maio de 1872 até 2 de Outubro do mesmo ano, em que foi demitido.
Foi um dos mais absurdo cônsul que ocupou esse lugar entre tantos outros que não primaram pela boa conduta.
O Rei do Sião estava absolutamente enojado dele, ao ponto de o recusar receber.
Durante o seu consulado, foram matriculados 400 chineses, uns com passaporte, outros sem ele.´Ora a matrícula rendia; e, portanto, quanto mais chineses fossem registados como protegidos, mais dinheiro enchia os bolsos do cônsul.
O Governo Siamês queixou-se ao Governador de Macau, Januário Correia da Silva, Visconde de S.Januário (1872-1874), que era o Ministro Plenipotenciário às Cortes da China, Japão e Sião; este ordenou-lhe que cancelasse as matrículas dos chineses sem passaporte. Tendo largado as suas funções, foi Joaquim Vicente de Almeida, secretário e encarregado do consulado, que executou essa ordem.
Não deixa de ser curiosa a exclação e a pergunta de Monsenhor Manuel Teixeira, na sua obra "Portugal na Tailândia": Imagine-se que, de 400, ficaram apenas 7 chineses entre os protegidos!
E o dinheiro que os outros haviam pago, quem o levou?
Em 13 de Maio de 1873, um ofício da Secretaria da Junta de Fazenda de Macau para o cônsul de Portugal em Singapura, acerca do pagamento das despesas de passagem e hotel do cõnsul de Portugal no reino do Sião, Eduardo Pereira Leite.
Em 15 de Julho de 1873, um outro ofício da Secretaria da Junta de Fazenda de Macau, dirigido ao cônsul do Sião, Eduardo Pereira Leite, a solicitar o envio dos documentos comprovativos de despesas feitas com passagem e hotel do dito cônsul.
Um mês depois um outro ofício, da Secretaria da Junta de Fazenda de Macau, a comunicar ao Pereira Leite uma determinação da referida Junta para que este envie documentos relativos a despesas feitas e para as quais recebeu da tesouraria da mesma Junta quinhentas patacas e cinquenta avos.
Em 13.08.1873 - Acta da sessão da Junta de Fazenda de 12 de Agosto de 1873 em que, entre outros assuntos, se inteirou de um ofício do secretário-geral do Governo de Macau pelo qual este envia uma cópia de um ofício do cônsul de Portugal no reino do Sião, Eduardo Pereira Leite, e uma conta de despesas deste no valor de quinhentas patacas e cinquenta avos efectuadas.
Em 12 de Julho de de 1873. A Junta decidiu enviar um ofício ao cõnsul a pedir os documentos relativos à dita conta. Segue-se outros ofícios do Sião e de Macau em cima do assunto dos recibos do cônsul Pereira, demitido em Outubro de 1872 e em Junho de 1874, o assunto ainda não está resolvido, em cima das 500 patacas e cinquenta anos que o Pereira Leite deve enviar os comprovativos.
Porém antes em 18 de Dezembro de 1873 o Governador de Macau, Visconde de S.Januário, envia um ofício para o Ministro dos Negócios Estrangeiros, a comunicar as ilegalidades cometidas pelo cônsul de Portugal no reino do Sião, Eduardo Pereira Leite, ao passar títulos de nacionalidade a Chineses residentes neste reino não oriundos de Macau.
Em 31 de Dezembro de 1873, uma Acta da Junta de Fazenda em que, entre outros assuntos, se apreciou um requerimento de Eduardo Pereira Leite, que se encontra suspenso do cargo de cônsul de Portugal no reino do Sião, em que este pede o pagamento dos seus vencimentos. A referida Junta decidiu não atender ao pedido até que seja concluída a sindicância a ser efectuada aos actos do requerente no exercício das suas funções.
Em 11.03.1874 - Um ofício da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar para o Governador de Macau, a partcipar que, por decreto de 25 de Fevereiro de 1874, foi Eduardo Pereira Leite demitido do cargo de c^nsul de 2.ª classe de Portugal no reino do Sião.
Em 10 Novembro de 1874, na sessão da Junta de Fazenda, entre os vários assuntos tratados, há um requerimento do Pereira Leite, ex-cônsul, em que solicita o pagamento dos seus vencimentos em divida.
A Junta indeferiu o pedido, até estar concluída a sindicância em curso aos actos do requerente aquando do exercício do seu cargo.
O assunto do cônsul Pereira Leite é espécie de uma "sopa da pedra"...
Em 31 de Março de 1875 a Junta de Fazenda de Macau apreciou um requerimento do Pereira Leite onde pede o saldo da sua liquidação na importândia de $421.40. Ficou deliberado fazer nova liquidação devida às contas recentemente remetidas pelo pelo cônsul de Portugal no reino do Sião (Nota nossa: O cônsul é António Feliciano Marques Pereira) .
Ainda há mais uma acta (4.05.1875) da Junta de Fazenda de Macau, agora com um novo cônsul A.F. Marques Pereira:.... "e a apreciar também um requerimento de Eduardo Pereira Leite, ex-cônsul de Portugal no reino de Sião,a pedir uma cópia do que constar na Repartição de Fazenda acerca da sua liquidação".
O Pereira Leite desaparece da cena depois de quase 3 anos de ter sido suspenso do cargo, por ilegalidades.
Até agora não se sabe se teria sido chamado à responsabilidade, depois de regressar a Macau.
Durante o espaço de tempo do "problema" de corrupção do Pereira Leite, não se encontrou qualquer actividade relativa a comércio entre o Sião e Portugal.
Tudo seguia como antes e nos 55 anos já havidos decorridos tudo estava na estaca zero.
De facto a actividade do cônsul Eduardo Pereira Leite foi muita curta a sua gerência do consulado e pouco honrorosa!
Mas não foi ele o primeiro que praticou desonestidades, estas já vinham de trás e, evidentemente, famosas, em que certos cônsules quando eram nomeados para o Sião um dos seus ojectivos era a prática de crimes de "peculato", conseguir obter o mais possível, quer, fosse em dinheiro e bens materiais.
Missão diplomática de Visconde de S. Januário ao Sião
Em 17.2.1873 o Governador de Macau, Visconde de S. Januário, envia um ofício ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, de Portugal, a comunicar que tenciona partir, em missão diplomática, para o Reino do Sião no dia 27 de Fevereiro a bordo da corveta "Duque de Palmela". O pedido de Visconde de S. Januário de ajudas de custo foi aprovado e registado na acta da na sessão da Junta de Fazenda de 17 de Novembro de 1874, assim como o mesmo seria aplicado a Pedro Mesnier e Alberto Morais de Carvalho. Monsenhor Manuel Teixeira escreve sobre a missão:
«O Governador de Macau Januário Correia de Almeida (1872-1874), Visconde e depois Conde de S.Januário, visitou Bangkok em 1874 na sua qualidade de Ministro Plenipotenciário às Cortes da China, Japão e Sião.
Já em Novembro do ano anterior fizera uma visita ao Japão.
A sua ida a Bangkok foi providencial, pois conseguiu acalmar a tempestada que rebentara na corte entre o primeiro e segundo rei, suscitada após a implantação da constituição política desse mesmo ano.
O rei Mongkut faleceu em 1 de Outubro de 1868, sucedendo-lhe Phra Chulalongkorn Klan Chayuha ou rei Chulalongkorn I (Rama V, 1868-1910). Como era de menor idade, foi nomeado Regente Chao Phya Suriyawonse. Quando, 5 anos depois, ele tomou as rédeas do poder (1873), propôs-se modernizar o país.
A administração estabelecida pelo rei Boromtrailokanat (1448-1488), tornara-se confusa com o andar do tempo.
O Samuhakalahom governava o sul do país, o Samubanayok, o norte; o Praklang administrava o tesouro, as finanças, os negócios e o comércio estrangeiros, e governava as cidades nas costas do mar. Para reformar a administração, o rei nomeou, em 8 de Março de 1874, o Conselho de Estado, composto de 12 membros, que eram os conselheiros do rei; em 15 de Agosto do mesmo ano, nomeou o Conselho Privado (Privy Coucil), composto de 49 membros, incluindo 13 príncipes e 36 oficiais superiores.
Mas nem o Conselho de Estado nem o Conselho Privado deram boa conta de si . Isto levou fricções entre o rei e o ex-regenre que o Visconde de S.Januário tentou solucionar com a sua londa experiência política no governo da Índia e de Macau»
O Hino do Visconde de S.Januário
O Dr. José Gomes da Silva , que foi a Bangkok em 1888 como secretário da missão diplomática de Firmino José da Costa, conta:
«À entrada do ministro portuguez com a comitiva no jardim que precede o palácio real, e a cujo portão nos havíamos apeado apezar da chuva que nos alagava as malfadadas fardas, a guarda de honra apresentou armas, enquanto a banda executava o hynno.... do visconde de S.Januário.
Precisa explicação este facto, apparentemente extraordinário. Os governadores de Macau, como todos os governadores das nossas províncias são recebidos, na occasião do seu desembarque e posse, com uma guarda de honra, cuja banda executa uma marcha ou coisa que o valha, composição mais ou menos original do mestre da música e dedicada ao recém-chegado, sob o título de hynno de s. ex-ª o governador; e força é confessar que, se os governadores quasi sempre differem, os hynnos muitas vezes se parecem.
O visconde de S. Januário, como os seus predecessores e sucessores no governo de Macau, teve também um hynno seu.
Quando s. ex.ª foi na sua qualidade de ministro, visitar a capital de Siam e a apresentar as suas credenciais a S. M. Magnifica, teve a agradável surpreza de ouvir a banda da guarda real tocar o hynno do governador de Macau. Os governadores e ministros mudaram depois; o hynno ficou sempre o mesmo. Devo confessar que, pouco forte em hynnologia, suppuz a principio que este fosse o hynno siamês, que eu não ouvira ainda.
Tirou-me, porém, as dúvidas o nobre inspector das alfândegas do arroz, que entrara connosco e que me segredou ao ouvido, como explicação, realmente indispensável. - Este é o hynno portuguez.
É difícil imaginar a minha surpreza, o meu espanto. A tanto não chega a minha ignorância; os hynnos portugueses, ao menos, conheço-os bem. Livrou-me do protesto o intérprete que nos acompanhava e que a seu turno explicou: - Desde que aqui esteve o visconde de S.Januário, este hynno ficou considerado como o hynno nacional portuguez. Compreendi então.
O que me parecera um mysterio, era um simples qui-pro-quo.
É inutil acrescentar que hoje o mestre da banda de marinheiros tem já em poder uma cópia do hynno da Carta.
Veremos se para o futuro continua continua a confusão, injustificável agora» (Gomes da Silva, Viagem a Siam, Macau, 1889), pg.32-33.
José Martins
Fim da Parte 16.
CONTINUA

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - HISTÓRIAS POR CONTAR

Parte 15.ª
Consulado do Encarregado Joaquim Vicente de Almeida

Nasceu em Macau, filho do Dr. José de Almeida Carvalho e Silva, natural de S.Pedro do Sul, Portugal, a 17 de Novembro de de 1784 e de Rosália Vieira de Sousa, neto materno de Joaquim Vieira e de Ana Cândida de Sousa.
Joaquim de Almeida casou, a 5 de Fevereiro de 1836, em Calcutá, com Rosa Barrington, de quem teve Maria Eugénea, naceu a 16.1.1839 que morreria passado um ano e 7 dias.
Viuvou e viria a casar, depois, com Isidora Cotter, natural de lIsboa, filha de Guilherme Cotter, do Rio de Janeiro, e de Isidora de Arniz e Cotter, de Espanha, que lhe viria a dar 5 filhos, Joaquim Isidoro, Francisco José, Isidora Francisca, Guilhermina Romana Josefa e Jorge; este último viria a ser um arquitecto de sucesso.Joaquim Vicente de Almeida viria a ser encarregado do consulado de Portugal em Banguecoque de 25 de Setembro de 1869 a 11 de Maio de 1873 e novamente de 2 de Outubro de 1873 a 15 de Janeiro de 1875. Dedicou-se ao comércio, vindo a falecer em Banguecoque a 8 de Novembro de 1886. Emprestou 1.000 patacas ao cônsul Prostes. Como nunca mais lhe devolvia o montante, em 4 de Abril de 1883, queixou-se por escrito ao Secretário-Geral do Governo de Macau, solicitando-lhe que retivesse o ordenado ao Prostes e lhe passasse a ele as 1.000 patacas que lhe devia.
O certo viria a acontecer e o Joaquim de Almeida nunca mais receberia o seu dinheiro. Mais tarde os herdeiros «requereram a entrega do espólio do falecido, que constava de uma casa comprada havia pouco tempo para se anexar ao consulado de Portugal, e da quantia de 1.000 patacas, de Licínio Xavier que teria ficado fiador do cônsul Prostes». O "Correio Macaense" de 7.12.1886 publicava uma carta de 8.11.86 de Banguecoque que, ao noticiar a morte de Joaquim Vicente de Almeidam censurava o cônsul Frederico Pereira: «Joaquim Vicente d´Almeida fora convidado pelo senhor Prostes de saudosa memória, a viver num gudão do consulado, a fim de se lhe conseguir o empréstimo de mil patacas; o pobre velho, embora lastimasse a perda dessa quantia e os juros de cinco anos, vivia lá satisfeito, porque tinha a comida a horas certas. O Senhor Frederico Pereira, logo à sua chegada, entendeu que um pobre velho, que serviu a nação por mais de dez anos, honrado e honesto, num tempo em que o consulado daqui era uma verdadeira mina (1) não tinha jus, quiçá por essa honradez - a um cantinho dum gudão e ao sobejo de mesa; convidou, pois, o senhor Almeida a ir viver no hospital; e o pobre velho, como estava de saúde, não aceitou a oferta, e foi por isso, dias depois removido para uma casita húmida, sem ventilação suficiente, e aí entregue ao cuidado duma criança china.
E a consequência foi encontrarmos o homem, na manhã de 3 de Novembro, moribundo e, assim mesmo, devido a esforços, de vários cavalheiros presentes, ficou removido para o hospital no dia 4, e na manhã de 5 estava cadáver.É a sina do sr. Pereira, pois, dias antes, escolhendo a véspera de finados para dar um baile - devia ter visto espectros em sonho, mas a realidade é que ele não esperava tão cedo.Querino Eduardo de Sousa, à beira da sepultura, pronunciou o elogio fúnebre atacando o cônsul: «Ainda há poucos dias dava-se um sumptuoso baile no consulado português, enquanto jazia na agonia da morte um súbdito português, que já tinha feito as vezes de cônsul português em Bangkok... Estava a morrer... e não tinha um caldo quente que lhe conchegasse o estômago enfraquecido pela velhice, doença e miséria. Quando deixará o governo português de nomear seus representantes homens inaptos e sem préstimo, que só têm em mira enriquecer à força de vergonhas transações que deslustram o nosso honrado nome?» O mesmo "Correio Macaense de 11.2.1882, publicou nova diatribe contra o cônsul por proteger um china que, na província de Chalabury teve uma rixa com outros indivíduos, matando um deles. Frederico Pereira respondeu a estas diatribes no mesmo jornal de 8.2.1887, em carta de 17.1.1887: «Almeida deixou um espólio de 1.852 patacas. O Cônsul nada tem com os vivos agonizantes, a sua missão começa no momento da morte. Até ali, era aos amigos que competia levar-lhe um caldo quente. Tantos amigos.... e nenhum lho levou! É que só foram amigos depois de morrer... Ele declarou que deixava tudo a quem o tivesse em casa à hora da morte. Honorato de Sá acode, mas já não chega a tempo. Que faz então? «Descarregar a sua cólera sobre o cônsul que, se o não ~tivesse deixado morrer morrer de fome, teria dado tempo a fazer o testamento. Depois responde à acusação de proteger os chinas: «Ele trata de fazer cumprir bo tratado e é censurado». Os que dizem que pesa sobre o nome português um odioso, pesa sobre eles apenas, «porque só eles defraudam ilegalmente o fisco siamês por meio de contrabando. São estes que não querem aqui um cônsul que cumpra com o seu dever, porque só lhes pode servir um cônsul que os coadjuvasse nos seus destinos e que tivesse com eles uma profunda amizade e segredo. Porém, são demasiadamente ordinários para que alguém possa aceitar a sua convivência» «Além desta carta, Pereira fez uma queixa, a 22 de de Dezembro de 1886, ao Governo de Macau, Firmino José da Costa (1886-1889), contra a publicação do discurso de Quirino Eduardo de Sousa no jornal».
Nota do autor: " Nos nossos arquivos vamos encontrar o assento de óbito n-º 5 que reza: «Falecimento de Joaquim Vicente d´Almeida, no dia 6 de Novembro de 1886. O cônsul F.A Pereira foi informado pela Direcção dos Hospitais que o Vicente d´Almeida tinha falecido no hospital. No dia 3 o cônsul Pereira visitou em sua casa o falecido encontrando-so muito enfermo, fez selar um armário e uma caixa, que depois ao outro dia mandou vir para o consulado, porque o falecido foi internado. Assinou o cônsul Pereira». (1) O consulado era de facto uma mina e estava-se na avalanche de chineses que chegavam a Banguecoque e agora já não era necessário o título emitido em Macau, mas o consulado inscrevia os chineses a troco dinheiro. Não havia moral alguma e a vergonha morava distante... Era assim o consulado de Portugal na capital do Reino do Sião.
José Martins
Fim da parte 15.ª
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