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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - HISTÓRIAS POR CONTAR

Parte 12.ª
Consulado de Guilherme Ferreira Viana

Foi curta a sua gerência, apenas de um ano e nove dias. Já várias vezes escrevemos sobre o cônsul Guilherme Ferreira Viana, que viria a morrer, trágicamente nas proximidades do "Ban Portuguet" afogado no curso do rio Chao Prya. Morte que envolve muito mistério e nunca a verdade foi trazida à luz. Foi o primeiro diplomata, enviado de Lisboa, para gerir o consulado. Um jovem de 27 anos, com o propósito de colocar em ordem a casa. Verdadeiramente nunca se teve o conhecimento de qual a razão do cônsul Viana teria sido destacado para Banguecoque mas aventa-se que teria chegado a notícia, ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, que a administração da representação portuguesa no Reino do Sião não corria pelo melhor.
Poderia ter sido algum português, residente em Banguecoque, alertado Lisboa de anomalias no consulado. Tais informações de homens, que não estavam ligados ao Governo da Índia, teriam sido correntes com acusações a reis de Portugal e uma que conhecemos, bem longa, foi dirigida ao Rei Dom Manuel I, a transmitir-lhe acusações, graves, onde numa passagem informava: "andam aqui estes mamões a roubar a fazenda de el-Rei de Portugal".
Como foi dito, anteriormente, no consulado não havia dinheiro para fazer faces às despesas de funcionamento dos ordenados e os cônsules começaram a usar habilidades arrendando pedaços de terreno, já muito disputados na margem do rio onde situava o consulado.
A poucos metros e a jusante do rio Chao Prya está o porto de marítimo de Banguecoque; os serviços alfandegários e a necessidade de os agentes transitários armazenarem mercadorias para exportar e as outras, do exterior, descarregadas.
Ora a comunidade portuguesa, residente, embora não fosse muito significatica, havia homens portugueses ao serviço da Corte e interpretes macaenses que falavam as línguas: portuguesa, siamesa e inglesa.
Estes moravam no "Bairro do Rosário"; junto ao consulado, está a alfândega e nas proximidades, a comunidade estrangeira inglesa e outra.
O cônsul Viana chegado a Banguecoque com a toda a vitalidade de um homem novo de 27 anos; um patriotismo e orgulho enorme de ser português e tem em mente de recuperar as terras que tinham sido oferecidas a Portugal, as quais as "Missões Estrangeiras" de Paris se tinham assenhorado delas.
Nos parece que aqui está em causa a recuperação do bairro do Rosário, a curta distância do consulado e o bairro de Santa Cruz, a uns três quilómetos a montante, da representação portuguesa, na margem direita do rio Chao Prya.
A igreja católica, praticamente, na altura tinha ou pretendia acervar mais poder sobre a comunidade portuguesas do que o consulado.
A Igreja católica, aproveitando-se da liberdade e da tolerância dos reis do Sião em cima da fixação de outras religiões, as "Missões Estrangeiras de Paris", aquela rivalidade, havida em Ayuthaya, entre o "Padroado Português do Oriente" mantinha-se em Banguecoque.
As três igrejas, portuguesas, que existiam na nova capital: Imaculada Conceição, Santa Cruz e do Rosário estavam sob a jurisdição dos padres portugueses.
Os católicos residentes eram portugueses ou de descendência dentro de uma população que não iriam além de uns dois milhares, divididos pelos três bairros, onde a linguagem como meio de comunicação entre as pessoas era a portuguesa.
Nem sempre a expansão de uma religião está ligada à crença que os missionários divulgam mas ligada a fins materiais.
O "Padroado Português do Oriente", com raízes em Lisboa e não no Vaticano, foi fundado logo após os descobrimentos portugueses na Ásia.
A Santa Sé, através de bulas, o Papa recomendava ao Rei de Portugal que os missionários construissem igrejas e fizessem muitos cristão.
Em 1622 a Santa Sé, começou a virar o "bico ao sacho", talvez devido ao sucesso dos missionários portugueses que tinham tido na expansão do catolicismo por todo a Ásia, Índias Orientais e extremo-Oriente.
O Padroado que se regia sob as ordens de reis de Portugal, verificando que o Vaticano lhe estava a retirar poderes, protesta de que nada lhe valeria.
O Papa Gregório XVI, em 1834 e 1836 desfere o golpe de misericórdia ao Padroado e definitivamente arrumado na concordata assinadas em 1857.
Os missionários franceses, em Banguecoque, estão em vantagem, não só pelo facto de o número de seus colegas, residentes, portugueses ser diminuto, mas porque estavam bem providos de capital para construirem, imponentes, igrejas (Assunção e do Rosário), hospitais, dispensários e escolas.
Quando Guilherme Ferreira Viana chegou a Banguecoque, os franceses, encontravam bem estabelecidos.
Poucos anos depois do falecimento do cônsul Viana, os franceses tinham 55 missionários (europeus e nativos do Sião), 58 catequistas; um seminário com 78 estudantes; 49 escolas primárias frequentadas por 3.077 crianças.
Todo aquele entusiasmo do cônsul Viana pretender recuperar os terrenos, ocupados pela igreja, para que voltassem a Portugal; e a petição que teria enviado à Corte do Sião, uns dias antes de falecer, não passava de um sonho do jovem diplomata que jamais poderia trazer à realidade.
A nova capital, do Sião, crescia a olhos vistos; a fixação de estrangeiros (europeus); muito significativa; a emigração de chineses começava atingir o auge (depois do ópio o ingleses inventam a escravatura do tráfico de seres humanos) transportados de Hong Kong para o Sião aos quais, chegados aqui, lhe davam o estatuto de protegidos; os barcos a vapor já efectuavam carreiras, da América e da Europa para a Ásia e Oriente.
Junto â consulado, em casas de madeira ou de tijoleita (alguma carregada em bargues e chegada das ruínas de Ayuthaya) instalavam-se os estrangeiros, americanos e europeus.
Luis Maria Xavier, além de funcionário, superior, da alfândega, da Corte do Sião, ia dando uma vista de olhos aos negócios de seu pai, Joaquim Maria Xavier, nascido em Macau, na altura com 75 anos e que passado 13 anos (1881), viuvo, falecia de senilidade com 88, sendo-lhe dada sepultura no cemitério do "Bairro do Rosário", lavrando o óbito o missionário E.B. Dessales e certifica-o o cônsul Henrique Prostes e fica registado o assento, no consulado, com o número 37.
Os homens de barbas longas e de saias tinham tomado a permanências dos portuguesa, no Sião, de séculos.
Mas o cônsul Viana ainda encerrava no seu todo aquele heroismo dos Gamas e dos Albuquerques de séculos atrás e teria pensado: levar em frente seus propósitos de reaver a propriedades que de facto tinham sido doadas a Portugal.
Sua nau navegava contra a maré... todo aquele crédito que os portugueses tinham grangeado perante o reis do Sião tinha-se esfumado no correr do tempo.
Os cônsules, representantes de Portugal não estavam bem vistos pelos reis Rama III e Rama IV, cuja culpa não lhes pertencia, mas aos governos de Goa e Macau que deixava ao completo abandono em Banguecoque vivendo de expedientes ou empréstimos da Corte.
Ao desfolharmos a obra do historiador W.A.Wood "A History of Siam", na página 276 vamos encontrar um parágrafo que trancrevemos na, integra, na língua inglesa:
" In 1818 a Portuguese envoy, Carlos Manuel Silveira, came from Macau to Bangkok, and commercial Agreement was subsequently conclued between Portugal and Siam. Senhor Silveira later became the first resident Portuguese Consul in Siam. His position seems to have been curious one. He bore the Siamese title of Luang and Captain Burney reported in 1827 that the King of Siam had pronouneed sentence of death upon him: he was, however, subsequently pardoned. In these days it would seem that "what with one consideration and another, a Consul´s lot was not happy one".
Um trecho, que desconhecíamos, em que o Capitão Burney lhe concede as melhores referências de quando veio a Banguecoque, assinar preliminarmente, o primeiro acordo, entre a Inglaterra e o Sião, de amizade e comércio e depois, em outro relatório (falso ou verdadeiro) a que o historiador, cônsul de Inglaterra, em Chiang Mai, senhor Wood escreveu, cem anos depois, na sua obra, publicada em 1924, a dar conta que o cônsul Carlos Manuel da Silveira, teria sido condenado à morte, pelo rei do Sião e que depois a pena lhe tinha sido comutada!
Vamos dar conta do que escreveu o Monsenhor Manuel Teixeira relacionado com o cônsul Viana:
"Sucedeu a António Frederico Moor, sendo nomeado cônsul-geral do Sião, de que tomou posse a 16 de Setembro de 1868.
Marques Pereira no seu «Relatórios de I-III-1881, diz:
«O novo cônsul-geral Guilherme Ferreira Viana estabeleceu neste ano registos regulares e inscreveu portugueses cristãos:
Em 1868....................................................... 23
E em 1869.................................................... 11,
mas logo faleceu, desastrosamente»
Dele se pode dizer que brevi vivens tempore, explevit tempora multa: estando mui pouco tempo à frente do consulado, o exemplo da sua conduta ainda perdura. Foi ele um dos melhores cônsules que Portugal teve no Sião. Infelizmente suicidou, deitando-se ao rio Menam (Chao Prya) em 25 de Setembro de 1869. No seu «Relatório» de 30.12.1882 o cônsul José Loureiro, depois de relatar a má conduta de Henrique Prostes, dizia em 1881 -1882: «Que a conduta do cônsul Prostes fosse excepcional, não quero crer, porque de alguns de seus colegas e antecessores, não se faziam boas ausências exceptuando, porém, o falecido cônsul Guilherme Ferreira Viana, que, segundo a opinião geral, soube fazer-se respeitar pelas autoridades siamesas e por todos quantos o conheceram, o que faz honra à sua memória. (Nota nossa: a data do falecimento está errada, cuja falta não sabemos se do Monsenhor Manuel Teixeira, ou do cônsul Marques Pereira, a morte do cônsul aconteceu em 25 de Abril e não a 25 de Setembro, conforme assim o reza documentos do consulado dos quais temos cópias. É falso que o cônsul Viana se tenha suicidado, mas morreu afogado ou o afogaram. Continua a sua morte um mistério que nunca será desvendado. Publicamos, em Maio de 2008, um artigo profundo, com cópias de documentos e pormenorizado sobre aquilo que nos pareceu, melhor, em cima da vivência do cônsul Viana que poderá ser lido clicando no endereço abixo designado.
José Martins
Fim da parte 12.ª
CONTINUA

PESSOAS QUE QUEREM SER IMPORTANTES

Anda por aí muita gente que se julga mais importante do que é na realidade. Nem o seu estatuto social, nem os cargos que exercem, justifica tal atitude. E tudo fazem para conseguir um maior desafogo material. Sofrem da tentação de mostrar mais do que têm, numa ostentação ridícula de passearem a sua vaidade na praça pública.
Uns, para conseguirem esses objectivos, endividam-se para se engravatarem e botar figura, com a mania de se destacarem perante os que detêm o pder e o dinheiro. Outros, recorrem a falcatruas, subornos e outras artes de dinheiro fácil para poderem exibir grandezas e levarem uma vida de ricaços. Uns e outros fazem lembrar a rã que quer ser boi. Segundo resa a velha fábula certo dia a rã lembrou-se de engolir quanto ar lhe fosse possível para ir crescendo mais e mais e chegar a ter o tamanho do boi. O resultado foi dar um tremendo estoiro, e era uma vez uma pobre rã. Em relação àqueles que querem inchar como a rã, as autoridades não andam a dormir e eles acabam por ir às máos da justiça, como tem acontecido ultimamente, e vão dar o estoiro por detrás dos muros de uma prisão. Acaba-se a vaidade, desaparece a ostentação, termina a vida de ricaço, e fica apenas a nudez de uma consciência mal formada.
"In "Clarim" - Macau 13.04.02

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - HISTÓRIAS POR CONTAR

Parte 11.ª
Consulado de António Frederico Moor
Construção da Residência


De estilo arquitectónico semelhante às construídas nos países que Portugal administrou, depois do século XVI, em África e na Ásia. Porém, esta, a "Nobre Casa" foi dotada de um traço diferente e fica a ser conhecida por Sino/Portuguesa.
Actualmente poucas existem na Tailândia, além desta, que foi, também, denominada de palacete e durante 150 anos; tendo servido de residência de cônsules, encarregados de negócios e embaixadores de Portugal em Banguecoque.
Encontram-se, algumas, de tamanho inferior, na capital tailandesa, no Phuket, ao sul da Tailândia, na costa do mar de Andaman.
Mas essas poucas começam a desaparecer, sob o desenfreado progresso de que, a ele, nada escapa incluindo a identidade cultural e as características de um passado. O príncipio da construção desta casa, segundo um estudo levado a cabo por Jorge Morbey, publicado numa monografia "Uma Casa Histórica em Banguecoque - a Residência do Embaixador de Portugal", parte em 28 de Dezembro de 1786 e de uma carta do Rei Rama I endereçou à Raínha D. Maria I, na qual refere que se encontraria muito feliz em lhe oferecer uma parcela de terreno para construir uma igreja e que fosse enviado, para Banguecoque, um padre.


Esta doação foi firmada em 30 de Abril de 1820, não para construir igreja (esta seria, localizada, num outro oferecimento de terreno, a 300 metros ao norte, do consulado) onde foi construída uma igreja rudimentar e, ao lado, casas para a fixação da comunidade, católica, luso-descendente, que ficaria a ser conhecido pelo "Bairro do Rosário.

A doação de uma larga porção de terreno (referida em partes anteriores a esta) foi concretizada, em 9 de Novembro de 1820.

A construção do edifício foi iniciada, segundo Jorge Morbey, por António Frederico Moor no ano de 1860 e sob a decisão do Governador de Macau Izidoro Francisco Guimarães de quando se deslocou a Banguecoque para a assinar o "Tratado de Amizade, Comércio e Navegação" entre Portugal e o Sião, em 10 de Fevereiro de 1859.
Porém a casa, só passados 17 anos ficaria concluída e graças a um empréstimo de um português abastado e influente na Corte do Sião, Luis Maria Xavier, para que a obra fosse concluída, de 6.500 patacas, mexicanas, ao juro de 8%, ao ano, quando o corrente, praticado no Sião era de 15%. Em 27 de Fevereiro de 1875, foi firmado um contrato com o construtor, Joachim Grassi, de nacionalidade austríaca.

No período de cinco meses concluiu a obra, na gerência do cônsul António Feliciano Marques Pereira.

O edifício está pronto e habitável em 1877. Ocupa uma área de 26,20 de comprimento e 19.50 de largura. Os materiais aplicados: tijolos siameses, o tecto com madeira javanesa e ladrilhos chineses para revestir o chão.

A massa, consistente, para substituir o cimento (que não tinha ainda chegado ao Sião) foi uma mistura, moída, de casca de ostras e areia do rio . A parte exterior foi caiada com uma mistura de pedra calcária moida e areia, fina, peneirada, do rio.

As madeira usada nos caixilhos das janelas, portas em outras aplicações foi a de Teca, com muita abundância no Sião e de fácil transporte para chegar a Banguecoque flutuando no curso do rio Chao Prya.

Os alicerces do edifícios, dado ao chão lodoso, foi composto de uma larga base de toros de teca, ligados uns aos outros, que oferece uma consistência, de suporte, ao peso de toda a estrutura do edifício.

A madeira de teca resiste â penetração de "termitas" o que a leva uma durabilidade, eterna, ao ponto de ter sido encontrados, em várias partes do Sião, toros de árvores que entraram no período de fossilação.

Só passados 47 anos, depois de firmado a doação do terreno em 1820 é que o representante de Portugal tem uma casa, decente para viver. Todas as misérias que seguiam no consulado de Portugal no Reino do Sião, eram, extremamente degradantes perante a comunidade internacional, bastante significativa, em Banguecoque.

O erário público, na Ásia como em Portugal estava falido, ao ponto de o cônsul, assumir a responsabilidade pelos empréstimos que ia conseguindo e agora, como tinha acontecido, anos anteriores, náo eram solicitados à Corte do Sião, mas a portugueses que se firmaram, económicamente, no reino.

Mais adiante iremos contar, alguns casos, entre membros da comunidade luso descendente, que depositavam montantes no consulado e estes desapareciam. Em 1848 de quando o jornalista, inglês Fred A. Neale, visitou Banguecoque, descreve o residência habitada pelo cônsul Marcelino Rosa, o terreno e o edifício onde se instalava a missão dos missionários, protestantes, baptistas americanos:

" A residência do Senhor Marcelino Rosa, Cônsul Português, foi rudimentarmente construída, com bambus, toros de árvores e caiada de branco Simplesmente mobilada e situada numa posição airosa no Siam. A intenção do Governo Português era construir em tijolos um esplêndido palácio, que servisse de residência a embaixadores acreditados junto à ilustre Corte do Siam e, assim, está longe o progresso de levar a cabo a concretização, porque um barco carregado de tijolaria fina, operários e artífices sairam de Goa (uma ilha portuguesa na Costa do Malabar) em direcção a Bangkok.

Mas, oh desventura!

A embarcação não conseguiu vencer a tormenta a que esteve sujeita no Mar do Sul da China, afundou-se, levando consigo, para o fundo do oceano, todos os materiais. Os ocupantes salvaram-se a muito custo e, por tal desgraça, o pobre do Cônsul já perdeu as esperanças que o seu Governo tome o risco de lhe enviar outro carregamento".

Não temos conhecimento desse náufrágio em documentos e nos leva a crer que o cônsul Rosa, para esconder as misérias que levava, teria inventado esta história ao Fred Neale. Mais adiante Neale prossegue o seu relato: "O consulado português e as casas dos Missionários Baptistas Americanos são vizinhas. Pela tarde quando o sol se aproxima do horizonte, o Senhor Marcelino Rosa e os seus amigos, estrangeiros, sentam-se em cadeiras, debaixo da grande e secular árvores de tamarindeiro (nota nossa: já referida esta árvore em parte anterior, ainda hoje se encontra no mesmo local). Conversam, observam a movimentação dos barcos no rio que se queda a uma vintena de metros. Por vezes interrompem a conversa e caiem na melancolia pela vida miserável de isolamento. Ficam mudos, porque náo têm a certeza se ao outro dia acordam vivos".

A uns 50 metros do local da "cavaqueira", quotidiano situa-se o cemitério das Missões Americanas e era aquela paisagem, macabra, que lhes dava aso à morbidez, numa terra onde as pessoas, só por felicidade, chegavam com vida à "casa" dos 50 anos".

O palacete tem a frontaria virada para o o rio Chao Praya a cerca de uns 50 metros da margem. Toda a movimentação de pessoas e mercadorias, dentro de Banguecoque, era efectuada pelo grande rio e canais e por esse motivo todas as casas, construídas nas margens do rio, tinham por obrigatoridade e necessidade de ser virada para o rio.

Não se conhece o nome do arquitecto que fez o "risco" que não, viria a descurar nada, procurando adaptá-la com os requisitos, indispensáveis, para o conforto dos cônsules e suas famílias. A varanda assente em pilastras, avança da frontaria e é coberta com um tecto falso onde o ar circula livremente para refrescar o ambiente durante a calmaria natural dos trópicos.

A electricidade ainda não tinha chegado ao Sião, chegaria passado 40 anos e no início do século XX. A iluminação durante a noite era feita através de gorduras estraídas de frutos de árvores, oleaginosas, muito abundantes nesta terra farta de comida.

O petróleo viria mais tarde.

O palacete foi electrificado no ano de 1905, com trinta lâmpadas e depois do melhoramente o Cônsul Luis Leopoldo Flores, em ofício para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa informava: "Esta casa é demasiada grande e não pode ser alumiada com candeeiros de petróleo".

Durante o seu século e meio (mais ou menos de vida), sofreu reveses, o desleixo de cônsules e embaixadores, que pouco ou mesmo nada se interessaram pela sua manutenção e o palacete chegou a entrar em verdadeira decadência que em nada honrava Portugal no Reino do Sião.

Lisboa, por norma, não atendia o clamor dos nossos representantes, diplomatas e consules. Ignoravam os apelos, sem ter mostrado interesse de conservar este "padrão" luso, vivo em terras siamesas.

Em 198o estava praticamente degradado! O Embaixador José Eduardo de Melo Gouveia foi acreditado na Corte da Tailândia, em 1981 e viria a fazer reviver uma casa, em estado miserável de conservação, em um dos mais belos edifício, antigo, construído na década 70 do século XIX, juto à margem esquerda do rio Chao Prya.

Em 1984, por ocasião da celebração dos 50 anos da "Associação dos Arquitectos Siamese" foi-lhe conferida o prémio do edifício, histórico melhor conservado, na beira rio, de Banguecoque.

Numa parede lateral, ao lado esquerdo da entrada para a arcada foi aposta uma placa comemorativa de bronze, cuja cerimónia presidiu Sua Alteza a Princesa Maha Chakri Sirindhorn, honrando, com isto, uma passado histórico de Portugal no Reino do Sião desde 1511.

À margem: Como já tenho referido em outros escritos, entrei naquela casa, pela



primeira vez no ano de 1978. A Chancelaria, funcionava no salão, que bem se pode chamar nobre, do lado direito da entrada principal. Fiquei com uma péssima impressão pelo mau estado em que se encontrava e pelos barracóes que estavam por ali abandonados e os taipais de chapa enferrujados.

Olhei para todas aquelas desgraças e murmurei para mim: "é isto a embaixada de Portugal em Banguecoque?"

Era mesmo para envergonhar qualquer português que ali fosse, como utente requerer um documento. Foi por isso mesmo que eu fui lá para substituir o meu documento de viagem com, apenas, duas folhas em branco para carimbar, nos aeroportos.

Passado três anos (1981) voltei novamente à chancelaria para obter um outro passaporte. Lá estavam os mesmos funcionários que tinha encontrado pela primeira vez: o vice-cônsul José de Souza, o chanceler Chalerm e a velha Noi, a mulher de limpeza. Mas quando estava junto ao balcão, chegou-se junto a mim um indíviduo a quem de pronto o vice-cônsul José de Souza lhe transmite: "Senhor Embaixador este senhor é português..."


Encontrar-se um português em Banguecoque, nos anos de 1980, seria o mesmo que encontrar uma agulha em palheiro...
Quando por toda a baixa de Banguecoque ainda havia quintais e pescavam camarão, miúdo, num canal adjacente à Sukhumvit Road.

O embaixador, admirado por encontrar ali um português, perguntou-me se, em tom de brincadeira, se estava em Banguecoque para me divirtir...

Não, não senhor embaixador, venho apenas passar duas semanas de férias a Banguecoque junto a minha mulher. Conversamos, por algum tempo, preenchi a aplicação para o passaporte e fui me embora.

Não vou aqui mencionar os dias que corri para a chancelaria para me ser dado o passaporte... O José de Souza respondia-me: "venha amanhã e esse amanhã só terminou quando (por onde desconhecia), o embaixador me via correr todos os dias para embaixada e deu dois "berros" ao Souza e levei o passaporte comigo."


Só fazia tensão de voltar à embaixada quando necessitasse de um outro passaporte.
Um dia já sentado na cadeira do avião que me levaria de volta à Arábia Saudita, a hospedeira entregou o "Bangkokpost" com uma fotografia do embaixador Mello Gouveia, em grande plano a dar conta da presença de portugueses em Ayuthaya. Saberia lá eu que os portugueses também se tinham fixado na Tailândia?

Nunca me passaria pela cabeça!

De volta a Banguecoque, trouxe comigo o recorte do jornal e, agora, não fui à embaixada mas para Ayuthaya e encontrar o "Ban Portuguete" . Depois de muito perguntar minha mulher a várias pessoas lá demos com a picada, poeirenta, que nos levaria ao local certo.

Estavam a iniciar as escavações das ruínas. Entusiasmei com a história de Portugal na Tailândia e dali, parte, o meu relacionamento com o embaixador Mello Gouveia.




As minhas férias era passadas todos os dias na embaixada e grangeei a amizade e simpatia do Embaixador Mello Gouveia, até ha meia dúzia de dias e a última carta que eu recebi dele.

Um amigo que nunca se esquece do amigo...

São 27 anos de amizade, com um embaixador, que sempre acreditou em mim.

Não fui esmolar, ou pedir favores ao embaixador, não necessitava disso, porque ganhava bem, no duro é certo, no desertos arábes.

Nas minhas férias ajudava na embaixada em tudo que fosse necessário inclusivamente a invenção, automática de bombagem da água do jardim e reparação da mesma, que custou 7.ooo bahts ao orçamento da embaixada.
Vesti o fato de macaco, peguei em ferramenta e enfiei-me, dentro do poço de sucoção da água vinda do rio, pela enorme bomba eléctrica, para retirar, com um pequeno "camelot" a pesada tubagem.

Na embaixada não havia dinheiro e só, depois, 300 mil bahts da renda, anual, de um espaço alugado ao hotel vizinho. Eu era um homem de trabalho, um mecânico especializado e não de gabinete e ajudava a fazer, de graça, todo que fosse necessário durante as férias de duas/três, depois de seis semanas no deserto.


Dava prazer trabalhar-se com o Embaixador Mello-Gouveia.

Não encerrava, dentro dele vaidade alguma do estatuto de embaixador.

Mas era e foi o diplomata dos mais finos que lidei.

Homem de improsivos, um contador de história e humanista.

Mas a minha vida cambiou-se com a crise do petróleo em 1985 e tive a mesma sorte de uns cinco mil colegas da Texas Instrumentos que fomos despedidos.

O dinheiro que amealhei investi-o em dois apartamentos e numa casa onde habito há 21 anos.

Ainda fui experimentar Macau durante um ano na companhia de electricidade, mas regressei a Banguecoque.

Depois de muitas dificuldades, perante o embaixador Castello Branco, lá entrei para a embaixada com o ordenado, o mesmo, que pagava à Noi a mulher da limpeza 2.500 bahts.

Mas eu precisava, da residência na Tailândia, para criar a minha filha de um ano e meio de idade.

O embaixador Castello-Branco, foi o homem mais dificil que encontrei de lidar em toda a minha vida...

Nunca se sabia para que lado estava virado...

Posso mesmo afirmar que era uma pessoa de relacionamento "intragável" e o poderá provar o Dr. Paulo Rufino que ainda trabalhou junto a ele por dois anos. Depois de três anos a trabalhar na embaixada e fazer todo o serviço de expediente (difícil, de aprender, para um mecânico entrar naquela rotina), lá me inseriu no quadro dos assalariados, em 1991, do MNE, com 500 dólares de ordenado mensal.

Partiu de Baguecoque, em 1995, para a reforma e, durante, durante quatro anos, o meu ordenado estava, aumentado em 10 dólares.

Bem eu trabalhei com ele 7 anos e nunca fez nada para que fosse aumentado... Nem ao menos que fosse um acrescento das rendas, recebidas, da parcela do hotel, ou da verba que recebia de cerca de 14 mil dólares anuais, de subsídio do Governo de Macau, para promover o território em Banguecoque, que me parece que promoveu a sua conta bancária, durante os seis anos, dos avultados montantes, desde o governo interino do Dr.Murteira Nabo ao do General Rocha Vieira.

A supervisão daquele edificio, que por 16 anos foi minha e, carinhosamente, tomei o cargo a sua conservação (com os mínimos gastos) com a chegada do embaixador Tadeu Soares, tudo viria a tomar diferente rumo.
Dois diligentes e honestos funcionários que por anos, olharam e conservaram aquela casa foram mandados embora. O embaixador Tadeu Soares, viria a encarregar a supervisão, dos bens do Estado, um indivíduo de nome Alípio Monteiro, de nacionalidade canadiana (nasceu em S.Tomé), que para uns diz que é reformado da TAP; para outros esteve metido em negócios de petróleo.

Porém o curriculum deste homem é uma autêntica mistura de "grelos" e uma completa salsada.

Doente crónico da moléstia "malária" (sem conta faltas ao serviço) apesar de dúvidas sobre a seriedade das suas actividades continua na Missão Diplomática de pedra e cal.

Depois de o embaixador Castello-Branco, ter deixado Banguecoque, enviou uma carta ao, falecido Conselheiro de Embaixada, Jorge de Oliveira Baptista, onde me dava como um homem intriguista, "surripiador" de papeis da embaixada e ligação ao Embaixador Mello Gouveia em cima de irregularidades sobre o arrendamento do Jardim de Portugal, ao hotel vizinho. Essa carta (como já em outros textos a mencionei), viria a arruinar a minha carreira, curta é certo, na embaixada,

Esta carta está, penso, encerrada no cofre da missão , junto a outras, de recomendações que os chefes de missão, ou outros diplomatas, têm por obrigação de ler antes de iniciarem a comissão de serviço.

Nessas recomendações estão os nomes dos funcionários a quem eles poderão confiar e aqueles que terão que ter debaixo do "olho"...

Um dos que ficou debaixo do "olho" fui eu como um conspirador, um "malandro" que deveriam ter muito cuidado comigo, porque era um homem perigoso.
O embaixador Faria e Maya (chefe de missão actual) é amigo do embaixador Castello-Branco e bem, estava, informado, a meu respeito, quando chegou a Banguecoque.

Evidentemente, antes de viajar para a capital tailandesa, teria feito uma visita de cortesia, ao ex-chefe de missão (1988-1995), seu amigo, a dar-lhe conta do seu próximo posto, (Banguecoque) onde o embaixador Castello-Branco o tinha chefiado, por duas vezes e este o informar de "cobras, lagartos e sapos" a meu respeito.
Se outra visita fizesse ao embaixador Tadeu Soares, estou por certo que dizer-lhe-ia o mesmo: "cuidado com esse (eu) tipo".

O ano passada, quando partia uns dias para férias (não sei para onde), no meu gabinete de trabalho diz-me: vou estar com o embaixador Castello-Branco..

De imediato lhe respondi: "senhor embaixador espero que lhe não vá dizer mal de mim! Respondeu-me com um não.

Desde que que o embaixador Tadeu Soares chegou a Banguecoque, entregou a supervisão dos bens do Estado ao Alípio Monteiro (admitido por ele) até hoje.

Alertei várias vezes o embaixador Lima Pimentel de irregularidades, notadas por mim (outros funcionários), levadas a cabo pelo Alípio.

O mesmo transmiti ao embaixador Faria e Maya.

O Alípio Monteiro continua na embaixada acomodado, desde Julho de 1999, por três embaixadores, por dois números dois que suspeitas, bem tive, de manipulações/malabarismos, por esse senhor, de fundos que são propriedade do Estado Português.

Um indivíduo, estranho, fechado e de fraco relacionamento com o pessoal que o rodeia.

Pretensioso e sempre tomou, por sua conta, atribuições de chefia, que na realidade nunca haja tido, o elevar-se sobre os outros.

Eu como arquivador de todo o expediente da embaixada, desde 1988, nunca tive acesso ao arquivo de contabilidade, operado pelo Alípio, desde Julho de 1999 quando foi admitido na embaixada, porque o fechou a "sete chaves" , referente a despesas, efectuadas, com obras e outros gastos, onde dezenas de recibos são simples papeis, onde no cabeçalho não designa o nome da companhia onde a mercadoria foi adquirida.

Porque teria sido?

Compreendi o motivo...

Eu era o "calcanhar" de Aquilles para o Alípio Monteiro!

José Martins

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

PERGUNTA AO SR. ALIPIO MONTEIRO

Dado que a próxima parte (11.ª) é sobre a história da residência, dos embaixadores, desde o início da construção (década 60 do século XIX) aos dias actuais, pedia o favor da resposta, cujo texto está inserido na foto, que pode ser, fornecida no comentário ou pelo e-mail: josegomes.martins@gmail.com






P.S. Para onde foram os milhares de telhas que estavam lá (há muitos anos) se foram vendidas, oferecidas ou deitadas para o lixo? E quanto custou essa obra?

José Martins

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - HISTÓRIAS POR CONTAR

Parte 10.ª
Consulado António Frederico Moor

Na ocasião que António Frederico Moor assume a gerência do consulado surge uma nova era no Reino Sião, ou seja a da modernizaçã0 que iria ser continuada e chegou aos dias de hoje.
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Sua Majestade o Rei Mongkut era um homem extremamente inteligente e uma intuição fora do vulgar para assimilar línguas estrangeiras com relativa facilidade. 
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A instalação dos missionários americanos em Banguecoque viria a moldar o perfil deste grande homem e o futuro do Sião.
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O Princípe Mongkut, filho mais velho do Rei Rama II e da Rainha Srisuriyendra é o herdeiro, universal, do trono do Sião.

Na idade dos 15 anos o Princípe Mongkut foi a apresentado ao nobres, siameses, como o legítimo sucessor de seu Pai Rama II e o continuador da Dinastia Chakri. A juventude do príncipe é passada entre os muros do Grand Palace fora da vista dos siameses que um dia viriam ser seus súbditos, seguindo, assim, a tradição da Casa Real. Estudou a literatura Siamesa e a Pali, poesia , a história do Sião, a arte antiga de prática de guerra, incluindo as armas de defesa utilizadas. 
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O jovem princípe Mongkut pouco teria aprendido relacionado com as exigências protocolares da corte. Seu meio irmão o Princípe Krom Mun Chesdabodindr (mais tarde entronizado Rei Rama III), nasceu em 1787 de mãe plebeia o qual não teria o direito à sucessão da coroa siamesa. Mas, o príncipe de jovem, mostrou vocação e capacidades de saber lidar com a direcção e os destinos do reino. 
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Bem visto pelos nobres, integrou-se em vários projectos e visitas aos meios rurais, levados a cabo pelo seu avó (Rama I) e de seu Pai (Rama II). Príncipe Krom grangeou além da simpatia dos membros da família real, tem toda a nobreza e o povo consigo. 
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Em 1824 o Rei Rama II faleceu, Príncipe Mogkut tinha apenas 20 anos de idade, seguido a religião budista e entrado num templo.(Nota: o templo Wat Pawarnives, onde Monge Mongkut viveu é, justamente, pegado ao Campo da Imaculada Conceição, em Samsen, onde antes do nascer do sol recolhia, no bairro, esmolas) 
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O Monge Mongkut, depois de ter professado e seguir a doutrina do Lorde Buda, deixou de estar sob a jurisdição da Corte, mas sujeitar-se às Leis do Budismo e aos altos prelados que regem a Igreja Budista. Com isto é entronizado seu meio irmão o Príncipe Chesdabondindr, ao qual lhe foi dado o título de Phra Nang Klao (O Rei que se senta nas nossas cabeças).
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Monge Mongkut vive 26 years no templo e aquelas todas comodidades que teve entre os muros do Grand Palace, são trocados pela extrema pobreza. Viveu como um normal monge budista e pelas manhãs, descalço, caminhava entre os bairros e navegava, em almadias, ao longo do rio Chao Prya recolhendo comida para os monges do templo e flores de lótus para adornar os altares do templo. Quando a estação das chuvas chegava ao fim o Monge Mongkut, deslocava-se às províncias onde pregava sermões aos siameses. 
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Todas as longas jornadas, eram feitas pelo pé e o Monge Mongkut descalço. M.R. Seni Pramoj e M.R. Kukrit Pramoj, na sua obra "A King of Siam Speaks" - The Siam Society - Bangkok 1987, numa passagem: "Com ele não seguia vaidade, não levava bolsa com dinheiro ou sapatos calçados. Por algumas veses pouca saúde. Quando convidado para entrar numa casa o Monge Mongkut dizia: Paz para esta casa e ali descansava, bebia e comia o que por lá havia
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Estas peregrinações aos meios rurais do Sião, as caminhadas de madrugada em Banguecoque recolhendo esmolas; o misturar-se com o povo deu ao Monge Mongkut o modo de vida, real, dos siameses. Porém, Monge Mongkut, ainda no templo budista aprendeu a língua inglesa que a falava e escrevia correctamente. 
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Ainda não tinha sido entronizado como Rei do Sião trava correspondência, com os seus amigos, americanos, com o senhor e senhora Eddy de Nova Iorque: em 1848, 1849 e depois de assumir a direcção dos destinos do Reino Sião, era ele próprio que escrevia as cartas aos cônsules; embaixadores, outras altas individualidades estrangeiras onde se incluiu troca de correspondência com a Rainha Vitória de Inglaterra e o Presidente dos Estados Unidos Buchanan.Todas a prosa se pode considerar escrita dentro de subtileza, elegância e amável em todas as passagens. 
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Era um Homem de uma cultura invulgar para a época. Dormia 5 horas por noite. Um visionário que entende que para o Reino do Sião seguir a senda do progresso deveriam seus, filhos príncipes aprenderem a língua inglesa. 
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E foi com isto que o Rei Mongkut escreveu uma carta ao sr, Adamson Esquire, gerente da filial "Borneo Company Limitada" , em Singapura para lhe contratar a senhora Leonowens, professora de inglês, na cidade ilha, para ensinar a língua inglesa a seus filhos, príncipes, no Grand Palace, com um salário de $150 por mês com alojamento. 
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Ana Leonowens, senhora arrogante, no bom estilo vitoriano da época, ao fim de cinco anos, partiu de Banguecoque, escreveu um livro onde "parodia" um Grande Rei na obra "The Romance of the Haren", que não corresponde à realidade e escrito como forma da Ana, fazer dinheiro. 
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O conteúdo do livro foi aproveitado para produzir uma longa metragem, um espectáculo musical de vários anos exibido em Nova Iorque e serviu (mesmo com todas a mentiras ficcionadas, pela novelista) para que a Tailândia fosse mais conhecida no mundo. Para melhor informação relacionada com a Anna Leonwens convidamos a um clique: http://portugalnatailandia.blogspot.com/2007/07/ana-leonowens-no-bairro-portugus-da.html
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Voltando à gerência do consulado por Frederico Moor não se registou desenvolvimento, comercial, ou diplomático entre o Sião e Portugal. O cônsul Moor, teve como é óbvio, uma excelente educação, antes de vir para Banguecoque. 
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Corria-lhe nas veias sangue holandês, por parte de seu pai Hugh Moor, pelo lado da mãe (possivelmente) chinês e português. Embora, tenhamos, procurado em várias fontes não conseguimos obter a informação se sua mãe Ana Maria (pelo casamento foi acrescentado Moor) a quem Monsenhor Manuel Teixeira a dá como macaense. 
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Por norma, ainda actualmente, quando é aplicado o "pejorativo" "macaense" a uma pessoa é pelo facto de descender de cruzamento de sangues português/chinês, mesmo diluído que seja. A família de Hugh Moor, não temos dúvida alguma, deveria ser de prestígio na sociedade macaense nos finais do século XVIII.
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A irmã de António Frederico Moor, Ana Doroteia Rosa, viria a casar com José Osório de Castro Cabral e Albuquerque, Governador de Macau (1817-1821), de qual matrimónio nasceram 7 filhos e 4 filhas. 
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A família Osório Castro foi uma família (hoje quase extinta) com raízes e muito respeitada na minha aldeia, Arcozelo da Serra (Serra da Estrela) e por ironia, uma casa dos meus antepassados, com uma porção de terreno, de há mais de 300 anos, hoje é minha por herança, pega, com uma enorme quinta, propriedade dos Osórios Castro. 
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Consultando o livro "Relações Entre Macau e Siã0" , que se pode considerar um cronológico dos ofícios saidos de Macau para Banguecoque e vice-versa, não vamos encontrar grande actividade burocrática e, apenas, em 16 anos foram trocados 30 oficios entre os dois lados. 
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Não deixa de ser curioso em mencionar que o consulado continuava a viver sob a penúria de faltas de fundos para a sobrevivência do cônsul, dos funcionários e compra de material para o funcionamento da chancelaria. 
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Uma acta do Leal Senado (secção finanças) datada em 19 de Março de 1856, um ano depois de António Frederico Moor ter assumido a gerência, descreve: "Acta da sessão da Junta de Fazenda de 19 de Março de 1856 em que, entre outros assuntos, se mandou pagar $40 (patacas?) a Manuel Pereira por ter abonado igual quantia ao cônsul de Portugal em Banquecoque, António Frederico Moor, destinados à compra de lustres para oferecer ao rei de Sião. Finanças actas". 
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Ora o cônsul quando se via em dificuldades financeiras valia-se de membros da comunidade portuguesa/luso-descendente, em mendigar-lhes dinheiro o que tal coisa revertia em perda de personalidade do representante, de Portugal e não só, em surdina, críticas ao Governo Português. Não havia dinheiro para pagar aos funcionários e ordenados seguiam com três anos de atraso!
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Bem nos dá conta disso, o conteúdo, a acta do Leal Senado, datada em 13 de Novembro de 1857: "Acta da sessão da Junta de Fazenda de 13 de Novembro de 1857 em que, entre outros assuntos, se mandou pagar os ordenados do escrivão da feitoria de Portugal em Banguecoque, Joaquim Maximiano da Silva, relativos ao primeiro trimestre de 1854". Os ordenados do segundo trimestre seriam aprovados, em 3 de Fevereiro do ano seguinte (1858).
E para finalizar o pagamento do ordenado 4.º trimestre, do ano de 1854, aconteceu em Dezembro do mesmo ano".
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Foi na gerência de Frederico Moor que foi realizado (já mencionado em parte anterior a esta) um tratado entre Portugal e o Sião e vamos transcrever a portaria: " 26 de Junho de 1858. Portaria do Ministério da Marinha e Ultramar a comunicar as instruções pelas quais o governador de Macau e plenipotenciário do Rei de Portugal para concluir e firmar até ao ponto de ratificação um tratado de amizade e comércio com o reino do Sião, Isidoro Francisco Guimarães, se deverá reger no cumprimento da referida missão. Administração Civil. Portarias. Uma outra Acta de 27 de Novembro de 1858, da Junta de Fazenda, deliberou e assinou uma ordem de pagamento de quinhentos mil reis a favor do governador de Macau, Isidoro Francisco Guimarães, para concluir o tratado com o Sião. Mais uma Portaria de 30 de Dezembros de 1858:"...se assinou uma ordem de pagamento a favor do comissário do brigue "Mondego" para despesas do dito navio na sua viagem ao reino do Sião para transportar o ministro plenipotenciário de Portugal, Isidoro Francisco Guimarães, que vai a Banguecoque concluir o tratado de amizade e comércio entre estes dois países. 
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Continuamos a recomendar aos interessados no texto do Tratado e como foi recebido o Governador de Macau, em Banguecoque, um clique http://portugalnatailandia.blogspot.com/2007/07/texto-do-tratado-de-1859-entre-portugal.html
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Na parte a seguir vamos falar no palacete que passa a ser a residência dos cônsules de embaixadores de Portugal até ao presente e iniciada a construção, por António Frederico Moor. Em quarenta anos desde que Portugal abriu a sua representação no Sião, foram nomeados, três cônsules e durante as quatro décadas, apenas, teve um expediente de 160 ofícios entre Macau e o Sião o que dá uma média de quatro por ano.
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A presença de Portugal na Ásia estava decadente e pouco interesse existia, por parte de Lisboa que essa presença fosse reactivada. A chaga que entrou na estigmatização pela perda da independência, que não foi pela força das armas, mas pelos interesses monárquicos, em favor da Espanha, foi uma ferida que nunca encontrou a cura. 
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A fuga da Família Real portuguesas e instalar a corte no Brasil foi mais um desaire para Portugal. Os ingleses, os holandeses, franceses e outros países da Europa foram tomando o lugar a Portugal e a dissipar-se toda aquela grandeza que tinha havido.
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Os negócios de Macau da Índia e de Timor, pouco mais dariam (se dessem!), para manter a máquina administrativa das pessoas que de Lisboa tinham sido para ali destacadas. Os nossos três cônsul no Reino do Sião, viveram nas maiores e angustiantes necessidades para sobreviverem.
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Humilhados por se verem na necessidade, algumas vezes, de pedir empréstimo em dinheiro à Corte e a membros da comunidade portuguesa residente.
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Sujeitaram-se a viver de habilidades, muitas vezes poucas dignas, valendo-se do arrendamento de parcelas de terreno que tinha sido doado pelo Rei Rama II, que desses actos não davam conhecimento, exacto, ao Vice-Rei da Índia ou a Macau. Faziam-no por imperativa necessidade para que tivessem, algum dinheiro e mantendo o funcionamento do consulado.
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Não é agradável para nós contarmos "misérias" de um passado, mas teremos que o levar em frente para que a história não se perca e apenas se contem grandezas, falsas, quando na realidade não existiram.
José Martins
Fim da 10.ª Parte.
CONTINUA