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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - HISTÓRIAS POR CONTAR

Parte 4ª
Carlos Manuel da Silveira mesmo experimentanto todas as dificuldades e penúrias de vivência não pretende abandonar a Feitoria. Obedecia ao seu Rei D.João VI quem tinha aprovado a Representação de Portugal no Sião e rebelde ao vice-rei da Índia.
A fuga da Família Real Portuguesa para o Brasil, fez criar "reizinhos" em Goa e em Macau.
Brasil estava distante e com vários meses para que a correspondência da Índia ou de Macau chegasse à corte instalada no Rio de Janeiro. Em 8 de Abril de 1824, o vice-rei D. Manuel da Câmara de Goa escrevia ao Senado de Macau e, agora, a favor da Feitoria e dos seus funcionários. Afirmava nessa carta que Carlos Manuel da Silveira teve conhecimento da extensão da Feitoria; lhe tinha dirigido vários ofícios informando-o que ele e o seu Escrivão se encontravam em Banguecoque:

" Que ele e o seu Escrivão se conservarão ali em todo o abandono, e desprezo, e na maior penúria, sem poderem dali sair com decência, e sem comprometer o decoro e a dignidade de Nação, achando-se nas circunstâncias de serem reduzidos a huma dura escravidão, por não terem com que satisfazer as dívidas, que tem contrahido para sua subsistência".
E acrescentava que a Feitoria poderia ter alguma utilidade para Macau, que Miguel de Arriaga delibere com o Senado se convém:

"Que a Feitoria seja abolida, e inteiramente abandonada ou que continue n´outro differente pé"
Outra carta do vice-rei da Índia datada em 18 de Abril de 1824, D.Manuel da Câmara dirigida ao Miguel de Arriaga remetendo-lhe uma cópia de ofício que escrevera ao Senado sobre o Cônsul do Sião, Carlos Manuel da Silveira e a Feitoria portuguesa estabelecida em Banguecoque. Solicitava-lhe que tratasse com o Rei ou o Ministro:
"Para que aquelle Cônsul saia dalli com a decência que convêm ao carácter de que estava revestido........ e se tomarem aquellas medidas que se julgarem ahi mais cabentes para se não abandonarem inteiramente as nossas relações comerciais com aquelle Reino em benefício dessa Cidade".

Porém dois anos antes em 15 de Setembro de 1822, sem ainda o vice-rei da Índia,ter conhecimento, Miguel de Arriaga tinha sido preso em Macau pelo governo liberal; mas conseguiu fugir para Cantão do navio que o levaria como deportado para Lisboa. Em 1823 voltou do exílio na China e desde logo as suas atenções estão voltadas para o Sião.
A 22 de Abril de 1824 o Senado deliberou:

- 1.º - "Que se verificasse o pagamento ao Cônsul das conveniências não recebidas;

- 2-º - Que se conservasse a Feitoria no pé da sua criação, pelas razões então ponderadas e que, sendo a criação do consulado procedente de uma convenção celebrada a recíproco contento de dois governos não se coadunava com o decôro nacional qualquer alteração sem que igualmente procedesse de mútuo consenso.

- 3-º - Que se publicasse a continuação da Feitoria, para ver se algum proprietário destinava para o Sião o seu navio para nele irem os socorros ao Cônsul e, pessoa para o substituir no consulado.

Na sessão seguinte o Leal Senado estipulou 1.000 taéis de paga para o cônsul e 400 taéis de paga para o seu escrivão, e nomeou o morador Miguel Vicente Rosa para cônsul. Nesta mesma sessão o conselheiro Arriaga participou ao Leal Senado que havia escrito ao ministro do Sião para obter do seu rei um adiantamento para as despesas do cônsul, adiantamento este que depois seria pago, conformando-se nisto com as intenções do vice-rei, manifestadas em ofício datado de 8 de Abril de 1821.
Após a morte de Miguel de Arriaga, o Leal Senado, no mesmo ano ano 1824, comunicou ao Governo de Goa que não podia calcular quanto seria preciso remeter para resgatar as dívidas daquela Feitoria, ou de seu cônsul, além de que tinha falecido o conselheiro Arriaga, quem tratava destas dependências, não tendo também tratado do transporte do novo cônsul nomeado, por falta de navios. Requereu ainda ao vice-rei da Índia para enviar um brigue de guerra e uma pessoa capaz de tomar conhecimento das contas entre o rei do Sião e o cônsul, "sem o que nada se poderia obter pois ninguém queria ter comércio com aquele reino, sabendo que o cônsul tinha contraído dívidas com o rei em nome da Nação"
Entendeu por isso o Governo de Goa responder ao Senado, " que era impraticável o envio de um brigue, por não haver vasos disponíveis, tão-pouco pessoa capaz para ir tratar de semelhante negócio, a um país mais vizinho de Macau, não sendo causa principal de assim se não ter executado a falta de numerário, pois que no estabelecimento da Feitoria e nos armamentos do brigue "S.João Baptista" em 182o e 1821, a capital do Estado (Goa) sacrificará o melhor de cem mil xerafins, e agora de bom agrado sacrificaria tudo o que pudesse dispôr para, o nome português não ser marcado com o ferrete de ignominia abandonando-se à sua sorte um seu empregado mandado a tratar de negócios que se apresentaram de muita importância na côrte de um príncipe bárbaro, idolátra e desconfiado"

Concluia por fim, aquele governo que lhe parecia justo, que como Macau e seus habitantes devessem colher quasi todas as vantagens da mesma Feitoria, sobre esses recaíssem as despesas da sua manutenção.

O Capitão Jacinto Moura esscreve: " A morte de Arriaga fôra fatal para a Feitoria. A aura de prestígio e simpatia que êle tivera em Macau tinha-se perdido para não mais voltar. Se bem que seja costume dizer-se que os mortos mandam, no caso presente, porém, sepultado que foi o corpo iname de Arriaga, como já havia dêle favores a esperar, nem penas a temer, não havia ordens a cumprir, nem desejos a satisfazer.
O entusiasmo, quasi ingénuo, pelo progresso de Macau e pelo engrandecimento do nome português, que dêle irradiara, envolvendo a muitos na sua chama de fé viva, sumira-se na húmida terra do seu coval.
Estava-se no ano de 1827 e o Leal Senado ainda não achara oportunidade de remeter ao Sião 1.200 patacas e cumprir as ordens do vice-rei e deliberações tomadas, fazendo assim consistir tais deliberações em palavras e não em factos, com desdoiro da Nação.
D. Manuel de Portugal e Castro, novo vice-rei da Índia, manifestou a sua estranheza ao Leal Senado por não terem sido cumpridas as ordens anteriores e enviou cartas das seguintes entidades acerca da Feitoria: "uma do governo de Bengala; outra do capitão Burney, enviado inglês regressado do Sião, dirigida ao secretário daquele Governo, George Swinton, que dizia se a situação do cônsul português altamente injuriosa ao carácter europeu; outra do cônsul ao mesmo Burney, pedindo interferência do Governo de Calcutá junto do Govêrno da capital de Goa; e outra do mesmo cônsul para o Governo de Gôa, relatando as misérias acompanhando a conta das despesas da Feitoria até 2 de Julho de 1826, na importância de 27.541 xerafins.
Mostrava-se, ainda aquele vice-rei extremamente impressionado, pelo facto de um govêrno estrangeiro ser reconhecido o pouco caso que se fêz de uma matéria tão grave, que decidia do crédito ou do desprêzo da Nação.
Ordenou por isso, que o Leal Senado tomasse medidas prontas e eficazes, a fim de que o cônsul pudesse sair com decência que cumpria ao decôro nacional, e que o Leal Senado se pusesse em estado de pagar as dívidas, que o cônsul tivesse contraído para a sua subsistência, e pagar também a sua passagem e do seu escrivão. Fazia outra vez ao Leal Senado responsável perante sua majestade, a quem passava a dar parte d~este negócio, da inexecução das ordens do govêrno de Goa e de tudo acêrca dêle tinha decorrido"
A infanta regente, tendo conhecimento da vergonhosa situação em que se encontrava a representação portuguesa na Côrte do Sião, ordenou ao Leal Senado que lhe remetesses todos os esclarecimentos, e informações possíveis acêrca do préstimo e carácter do cônsul, Carlos Manuel da Silveira, e seu escrivão, Cipriano José Baptista, assim como do estado e verdadeiras vantagens a esperar da dita Feitoria, comércio e construção de navios em Sião. Entretanto o govêrno de Goa escreveu ao govêrno de Bengala pedindo-lhe que fizesse chegar
Às mãos do cônsul 2.500 rupias, para o mesmo cônsul poder retirar-se com o seu escrivão da côrte do Sião, avisando ao dito govêrno que podia sacar tal quantia sôbre a Caixa Real de Macau.
Infelizmente o estado das cousas, a respeito da Feitoria Portuguesa em Sião, era o mais desanimador possível. A correspondência, por falta de navios para aquele pôrto, achava-se paralisada.
A dívida ao rei do Sião, feita em nome da Nação, era cada vez maior, por ter de se lhe acrescentar a do falecido conselheiro Arriaga.
Por isso, as duas mil e quinhentas rupias pedidas a Bengala não foram bastantes para fazer retirar o cônsul e saldar a conta com o rei. Segundo um documento, "tudo oferecia incentivos ao comércio e ganâncias dos especuladores, se os preliminares de amizade entre os dois reinos fôssem ratificados e se mandasse um homem que soubesse agradar ao novo rei e ao 1.º ministro e de quem os comerciantes pudessem confiar, homem com desejos de a todos ser útil, capaz de proibidade, e que olhasse para o bem do público, como devia".
Parece em tal documento atribuir-se aos cônsul todo o o insucesso da Feitoria, quando é certo que se maior fôra o cuidado de alguns, maior teria sido o proveito de todos"
O cônsul Carlos Manuel da Silveira justifica a falta de comércio entre Portugal e o Sião:" os siameses estavam antes animados a terem muito trato com os portugueses e particularmente com Macau, mas acontecimentos passados fizeram irritar o seu carácter desconfiado e presunção, e hoje parece que perdemos aquela confiança que tinha sôbre êles. Porém, eu julgo que, havendo qualquer tráfico, ao menos só com Macau, e de que êles tirem algum interêsse, e haja boa fé e exacto cumprimento nas promessas será fácil recuperar o nosso crédito, particularmente quando se lhes mostre tôda a independência e não continuemos a vir aqui mendigar carga".
Referindo-se à Feitoria dizia: "se os ingleses tivessem este cómodo lugar já tinham aqui ao menos duas grandes casas que certamente seria capazes de produzir um grôsso rendimento ao Estado já pelo frequente aluguel dos gudes (estaleiros) que seriam feitos de outro modo, já pelo rendimento das habitações e godões e os por cento que se concede ao cônsul. Isto é fácil que nós também o façamos e em Macau há quantas casas ricas e bem acreditadas que fariam melhor abraçar êste plano que arriscarem em ópio posto em Linting. Não é permito a outro estrangeiro ter aqui terreno e as casas que alugam são apenas cubículos só para malabares e de pouca segurança com respeito a fogo. O cônsul nunca deve ser mercador, para ser totalmente independente e melhor atendido nas suas requisições, a bem da sua Nação e comércio, e nas causas judiciais, que fôrem suscitadas entre os nossos com outros em que êle deve sempre ser ouvido. É preciso que na monção seguinte venha ao menos um navio, e será conveniente e digno da protecção de v.s. (o Leal Senado) de favorecer quanto puder para vir algum, e que venha estabelecer aqui uma casa de comércio, como acima fiz presente a v.ex.ª, algum d~esses ricos e poderosos mercadores de Macau, que os há, e com assaz inteligência para a fazer manejar com a energia necessária, e mostremos a êste rei, ao seu Prakalang e até aos estrangeiros que também temos com que dar uso a esta Feitoria e suas importantes circunstâncias. Eu tenho falado com alguns amigos meus, particularmente, com os dois mais respeitados cristãos, que há neste país, e os mais estimados dos dois reis: êles são próprios descendentes de portugueses e chamam-se Bendito Ribeiro de Alvergaria e Pascoal Ribeiro de Alvergaria. Êstes homens e o capitão do pôrto, José da Piedade, são do mesmo acôrdo e me certificam que o rei cederá que paguemos os mais moderados direitos possíveis, e que gozaremos de muita consideração a seu respeito, e isto,junto com os grandes lucros que se podem tirar, não deve ser indeferente a todo o bom português. O segundo rei, que é muito inclinado aos cristãos, tem dito em pública audiência, porque não aparecem as nossas mercadorias, que elas terão sempre mais entrada, e mais franqueza que nenhuma das outras nações. Depois de estabelecida a concorrência de comércio, e juntamente, uma ou duas casas neste lugar, o Estado pouco ou nada terá depois que dispender com a Feitoria, porque ela renderá assaz com que se possa manter sem assistência de outro lugar."
José Martins
Fim da 4ª parte
CONTINUA

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - HISTÓRIAS POR CONTAR

Parte 3ª
O cônsul Carlos Manuel da Silveira, vai experimentando todas as misérias do Feitoria. Os navios portugueses que aportavam no porto de Banguecoque deveriam suportar as despesas da representação da Feitoria ordenados do cônsul, funcionários, carpinteiros e soldados, abandonados capital do Sião.
Holandeses, americanos e ingleses principiam a fazer a abordagem ao reino e embora ainda não estivessem, seus países, representados, diplomaticamente no Sião e acordos, assinados aportavam seus navios no rio Chao Prya.
Os estrangeiros não viam com bons olhos que Portugal fosse favorecido com uma larga parcela de terreno junto ao porto de Banguecoque; área onde se concentravam todos os negócios, do Sião, com o exterior.
Em Janeiro de 1822, dois anos depois do terreno ter sido doado, o cônsul Carlos Manuel da Silveira envia um ofício, para Goa, pelo Capitão-Tenente Freitas, que na feitoria apareceu depois de ter perdido o seu navio no caminho de Batávia (Jacarta).
O cônsul Silveira anexa ao ofício as depesas da Feitoria e solicita que a liquidação lhe seja satisfeita porque as não pode pagar do seu bolso, pois excedem quatro vezes mais o seu ordenado e a Feitoria não tem receitas nenhumas de emolumentos.
Por aqui poderemos analisar que o consulado/feitoria não obtinha rendimentos alguns e os poucos que houvesse seriam de algum assento consular de português, luso descendente, residente, num dos três bairros portugueses de Banguecoque. Temos certas dúvidas, se haveria qualquer rendimento, destes, isto porque a igreja, actuava como consulado e registo civil onde nos livros da paróquia se registavam: nascimentos, baptizados, casamento e óbitos.
Mais tarde iremos falar nisso.
O Sião é muito rico e dada a facilidade de navegabilidade e Banguecoque na proximidade do Golfo da Tailândia, os navios do ocidente e seus mercadores estão, constantemente, a chegar ao rio Chao Prya com mercadoria para trocar por outra com o Sião.
Como, referido, a mercadoria principal que o Rei necessitava eram as armas.
A chegada dos barcos estrangeiros o comércio no Sião ganha importância; o reino produz muito acúcar, há madeira raras que o caudal do rio dos pontos mais remotos traz até Banguecoque.
Os barcos americanos, estão a lançar as âncoras no rio Chao Prya com os porões, carregados com armas, vidros outras bujigangas, para permutar por açúcar e outros produtos do Sião.
Em 1824 aparece, em Banguecoque, o mercador, aventureiro, escocês Robert Hunter, que vem transformar, de certo modo, o comércio do Sião com o exterior. No mesmo ano, numa viagem de barco que efectuou a Samut Songkran (a 100 quilómetros de Banguecoque) deu com os famosos gémeos siameses a nadar,perfeitamente, no rio Mae Klong, que os tomaria por um monstro marinho, aquelas duas criaturas, com duas cabeças, quatro braços e iguais pernas.Convenceu os pais dos gémeos,pobres camponeses de vida árdua para que lhe vendesse as duas crianças, prometendo-lhes 3 mil dólares que nunca receberiam mais de 500. Consegue depois persuadir as autoridades siameses para que fosse autorizado a saida do Sião para o estrangeiro. Associou-se a um capitão de um barco que os levou,primeiro para a Europa e depois para os Estados Unidos onde viveram durante 45 anos a ser exibidos em circos. (vidé www.thailandlife.com/siameses_twins.html )
Estabelece-se em Banguecoque e o Rei Rama III, mais tarde, contrata-o para servir a corte. Constroi uma espaçosa casa nas proximidades da Feitoria de Portugal. Roberto Hunter é absolutamente o homem que, por muito tempo, controla todas os mercadores ingleses e americanos. Anna Leonowens, num capítulo, que inseriu na sua obra "The Romance of the Haren", escreveu um dos trechos mais bonitos que conhecemos, embora romanceado, a descrição do Campo Português da Imaculada Conceição, em Samseng (localizado nas proximidades do "Thailand National Archives") e o seu encontro com Rosa Hunter, dizendo que era nativa do Sião mas filha de pais portugueses.
A Rosa Hunter vivia amargurada, dado que o marido Roberto Hunter, de religião protestante, tinha-lhe tirado os dois filhos e enviado, secretamente, para a Éscócia para ali receberem a educação sob o desígnios da religião do protestantismo.
A Rosa com o Hunter tivera durante a sua vida conjugal várias discussões que acabou por se separar dele. A Anna Leonowens, refere-se ainda que o Hunter era o secretário privado do Rei.
O Hunter visitava frequentemente a Feitoria de Portugal; mais tarde já de idade, o seu estado normal seria o de embriagado e numa noite, "embuzinado" de uisque, caminhava pelo escuro durante a noite no estaleiro do Porto de Banguecoque, acabando por estatelar-se no porão de um barco em reparação e finou-se.
Embora a actividade de Roberto Hunter tenha sido muito intensa em Banguecoque, a história pouco fala dele, a não ser a reprovação e condenação (nos dias actuais) de ter usado duas pessoas humanas, para o fim de serem exibidos, como animais e figuras de circo.
Sobre a Rosa Hunter, já vasculhamos, há mais de 20 anos as sepulturas do cemitério (que ainda hoje se encontra no mesmo local) do Campo de Samsen e não encontramos, sepultura, com o seu nome.
Resta-nos agora, cuidadosamente, procurarmos no livro assentos da paróquia, que possuímos, (cópia) e verificar, cuidadosamente, se o seu nome de Rosa se encontra designado e na língua, latina, a religiosa, usada por muitos anos no Sião pela igreja do Vaticano.
Carlos Manuel Silveira encontra-se junto à margem do rio Chao Prya a ver passar os veleiros americanos e ingleses com alguma ostentação e com o seu pessoal a passar as maiores agruras de vida. A Igreja da Senhora do Rosário, mesmo ali à sua beira necessita de padres, porque a comunidade luso descendente, pretende ser assistida, espiritualmente, como tinha acontecido séculos atrás a seus antepassados, no "Ban Portuguete" em Ayuthaya. Goa continua a não ouvir os apelos do cônsul Carlos Manuel da Silveira.
Em 9 de Fevereiro de 1822 solicita que seja integrado na Feitoria o interprete, Sebastião Machado, para traduzir, notas e cartas escritas em língua siamesa e traduzidas para a portuguesa. O Carlos Manuel da Silveira está sob a intriga e actos conspiratórios. Além das misérias do dia a dia, as cartas que lhe tinham sido enviadas de Goa, via Macau, foram parar aos serviços da corte, abertas e traduzidas do português para o siamês.
Carlos Silveira conta que muito sofreu por parte do rei e dos príncipes...A intriga estava instalada, na corte, contra o pobre cônsul e esta só poderia ter vindo por estrangeiros que pretendiam para os seus países os favores e os negócios do Sião. Dizia: "Estar por ali abandonado e pobre, pontos muito delicados nos países asiáticos".
A corte do Sião em Banguecoque tinha ao seu serviço, vários interpretes luso descendentes, macaenses e de crer que as cartas dirigidas ao cônsul Silveira, vindas de Goa, transportadas em navios de carreira da época, possivelmente americanos, ingleses e holandeses, eram recolhidas abertas e traduzidas para a corte saber, em termos de espionagem, quais as instruções dirigidas a cônsul.
Vira-se obrigado a pedir ao Leal Senado de Macau, 15692 xerafins e 4 tangas; para que se visse livre daquele inferno. Mas enquanto o pobre do Carlos Manuel Silveira se debatia com os problemas de miséria e vergonha que não poderia encobrir perante a (mesmo que fosse), comunidade estrangeira, em Goa e Macau as coisas entre os portuguese não corriam pelo melhor.
O pobre do Silveira não sabia que em Macau e Goa os liberais e os conservadores seguiam em lutas intestinas. Os liberais eram contra a instalação da Feitoria no Sião e acabaram, por vencer as lutas internas. Em Goa rebentou em 1821 uma revolução, os liberais prenderam o vice-rei da Índia o Conde do Rio Pardo, colocaram-no a ferros no Forte do Cabo.
Os liberais formam uma Junta Provisional, composta de 4 elementos e viria a ser deposta por outra revolução. Segundo o Monsenhor Manuel Teixeira:
"...os liberais da Primeira Junta se encarniçaram contra a Feitoria pela portaria de 17 de Setembro de 1821: ´não tendo a feitoria Portuguesa instalada em Bancok do Reino de Siam por Ordem de 19 de Fevereiro do anno proximo passado correspondido aos uteis fins para que foi instituída de hoje em diante se há por extinta".
No mesmo dia, nova ordem da mesma Junta Provisória, dizendo a Silveira que poderia ir para Macau, ou para onde lhe conviesse, fazendo regressar a Goa a guarda da Feitoria; deveria transportar livros da receita e despesas da fazenda e todos os utensílios miúdos da mesma Feitoria bem encaixotados, vendendo-se em praça o que se não deverem embarcar.
O vice-rei da Índia, Conde do Rio Pardo escreveu uma carta ao Carlos Manuel da Silveira:
"Saberá que os meus adversários, Chanceler e Ajudante-General, dois membros instalados na primeira Junta Provisória, hoje depostos, pela segunda revolução acontecida em 5 de Dezembro, os quais tramaram com partes falsas do comandante e do piloto da Barra ficar o brigue S.João Baptista até Maio demorado em Goa... cuidaram ser negócio da maior importância deitar, sem a menor delonga de tempo, à gaita a Feitoria do Sião, isto quando os ingleses se lisongeiam nos seus papeis públicos de ter o Governo de Bengala com avultadas despesas conseguindo estabelecer naquele reino uma Feitoria, posto muito menos privilegiado que o nosso.
Por este despotismo, contra o qual é preciso reclamar, e outras semelhanças vinganças que essa Primeira Junta intrusa e ilegalmente instaurada tinha praticado; houve no dia 3 de Dezembro uma terceira ou quarta revolução, de que resultou serem depostos todos os membros do Governo e nomearam-se outros"
Ficou presidente da nova Junta o Sr. D.Manuel da Câmara, que a 26 de Novembro chegou a Goa para suceder-me como capitão General.
Carlos Manuel da Silveira só viria a ter conhecimento em Setembro de 1822 e a 31 de Dezembro de 1823, escreveu uma carta ao rei D.João IV a contar-lhe o que se passava. A 19 de Abril de 1823, D.Manuel da Câmara oficiava ao Senado de Macau dizendo que, não tendo regressado a Goa os 5 soldados do extinto Regimento de Artilharia dele, que haviam ido para a feitoria do Sião, fizesse com que voltassem, bem como o construtor e carpinteiros que para lá tinham ido com os artilheiros.
Os soldados eram joão António Afonso, João Vieira, José António Caldeira, Vitorino José da Silva e José Simões. em 1823, Miguel de Araújo Rosa foi a Banguecoque, segundo relata em 14.10.1829:
"A Feitoria Portuguesa no ditto Porto se acha ainda hoje no mesmo pé em que estava em 1820 posto que sem aquella influencia que deveria ter conservado para descoro da nação e que por falta daquellas relações commerciais entre esta, e a siameza, deixada depois do anno de 1823, quando alli fui buscar o Navio Magnifico feito em hum dos três gudões que tem a Feitoria, quando devia esperar a continuação destas relações logo nos autos que se seguirão athe 1823 não só não tratou dellas nemda d.ª Feitoria nem tão tão pouco tem havido navegação para aquele Reino, tanto dos nossos vazos de Macau, como dos mais Portos d´Ásia Portugueza".
(Nota nossa:"Nunca encontramos nenhum documento que nos informasse que tivessem sido construídos barcos no terreno da Feitoria, mas algo que de facto no Campo do Rosário (a cerca de 300 metros da Feitoria), que ali havia um pequeno estaleiro, propriedade de um luso-descendente, onde se faziam reparações.No entanto Monsenhor Manuel Teixeira na obra "Portugal na Tailândia", pag. 196 refere:" O navio, que se está construindo, está quase pronto e não custará mais de 45 a 50.000 ticais". Nos parece que teria sido ali construído o barco "Magnífico", com os carpinteiros, vindos de Goa e com a ajuda de locais).
José Martins
Fim da 3ª parte
CONTINUA~

sábado, 27 de setembro de 2008

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - HISTÓRIAS POR CONTAR

(Inserida a segunda parte que se segue a esta)
PARTE 1
EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - HISTÓRIAS POR CONTAR

O tema a tratar será aquele que poucos,portugueses conhecem e insere-se em cima de uma larga parcela de terreno que em 1820 foi doada pelo Rei do Sião, Rama II, à coroa portuguesa. Parte desse terreno nunca foi usado para os fins destinados.
Durante 188 anos (quase dois séculos), o terreno foi dividido em vários talhões, alugadas, a empresas siamesas e estrangeiras, para construirem, barracões que serviram para armazenar arroz, outros produto da terra, para o Reino do Sião, exportar.
Os montantes, das rendas, em certas alturas, estiveram sob a tutela Ministério das Finanças e enviados para Lisboa (pagaram impostos ao Governo da Tailândia), outras para satisfazer os ordenados do cônsul, dos funcionários, compra de palha para a mangedoura do cavalo que puxava a carroça do consulado, fósforos, sabão, papel, tinta, lacre, velas, para fazer face às despesas dos serviços, de funcionamento, da chancelaria.
Mas para que a história não se perca e continue a ficar no segredo de chancelaria e no arquivo da memória dos chefes de missão (que por Banguecoque passaram) entendemos que deve ser revelada para bem da história e do público português.
Numa sociedade democrática em que estamos inseridos e porque o "terreno" doado pelo Rei do Sião, em 1820, não é "Segredo de Estado", estamos na disposição de revelarmos, em pormenor, aquilo que se haja passado deste que foi efectuada a doação, para construir, estaleiro naval, feitoria, chancelaria e residência dos representantes de Portugal na Tailândia.
O incrível aconteceu na Missão Diplomática de Portugal na Tailãndia, é que os representantes, acreditados, parte do seu tempo era despendido na administração dessas pequenas "courelas", junto à margem do rio Chao Prya, do que se ocuparem dos negócios dos Estado português ou procurar oferecer aquilo que Portugal tinha para vender.
A embaixada de Portugal, na capital da Tailândia, não teria sido uma estância de férias, mas pela grandesa e nobreza do edifício, considerado o estilo arquitectónico sino/português, bem valia a pena uma comissão de 2,3,4,5, 6, 7 e mais anos dos representantes de Portugal se quedarem no Reino da Tailândia.
Passadas do erradio muito difícil de repará-las. Porém quase dois séculos é muito tempo, para que não se tenha feito, praticamente, nada...
Enfim foi o destino de Portugal, aquele país enorme que foi na Ásia e Oriente, depois da era quinhentista, entrou em decadência e pouco já existe, culturalmente e comercialmente, no século XXI, nesta área do Globo.
Portugal europalizou-se e já pouco mais tem: uma parte da "jangada de pedras", a ilha das Berlengas, Açores e a Madeira.
A narração vai preencher várias partes, aqui inseridas e cerca de dois meses para completarmos este trabalho.

AS RAIZES, HISTÓRICAS, DE PORTUGAL NA TAILÂNDIA,

principiaram 13 anos depois de Vasco da Gama ter descoberto o caminho marítimo para a Índia pela rota do Cabo (para melhor ilucidação convidamos visitar os nossos blogues http://aquitailandia.blogspot.co , http://portugalnatailandia.blogspot.com e o website: www.aquimaria.com ) e segue-se, depois, o espirito e desejos do Grande Afonso de Albuquerque colocar Portugal, quinhentista, um país de prestígio no contexto das nações do continente europeu.
As relações de amizade de Portugal com o antigo Reino do Sião iniciam-se a partir de 1511.
Por mais de um século são os portugueses os únicos habitantes, europeus, estabelecidos em Ayuthaya, num aldeamento localizado num terreno doado pelo Rei Thibodi, Rama II.

Os portugueses, gente de paz, diligente, vão contribuir para a introdução de novas tecnologias, as armas de fogo, de defesa, a construção de fortes, como soldados viriam a contribuir para consolidação da soberania do reino. Depois de algumas guerras do Sião, no correr de quatro séculos (1350-1767) com o vizinho Reino do Pegú (Birmânia), a capital, Ayuthaya, foi incendiada, destruídos e pilhado o ouro dos templos budistas.

O Reino do Sião, apesar da queda de Ayuthaya, os birmaneses não tomaram a soberania, depois do saque, colocaram-se a salvo para suas terras.

Os membros da família real, foram, praticamente todos, assassinados e o reino está à deriva.

Levanta-se um oficial do exército de nome Thaksin, filho de mãe siamesa e de pai da etnia chinesa, influente que tinha sido, na casa real e o cobrador de impostos do reino.

O General Thaksin, além de ter escorraçado os birmaneses para o seu território, delinear as fronteiras, do Sião tal como hoje se encontram, reunificou o povo.

Ayuthaya está em cinzas e Thaksin, não pretende que a cidade volte a ser reconstruída e traz o seu povo e estabelece-o em Banguecoque a escassos quilómetros da foz do grande Rio Chao Prya (Chao Praiá).

Não há informação, histórica, que o aldeamento dos portugueses, "Ban Portuguete" tenha sido atacado pelo birmaneses. Apenas umas luzes, informativas, que teriam sido, com a comunidade chinesa os últimos a renderem-se ao birmaneses e quando, estes, se aproximaram, com uma bandeira, branca, arvorada.
Banguecoque teria sido uma ideia brilhante do General Thaksin para a fundação da nova capital do Reino do Sião, dada a sua situação geográfica, não só para se

defender de futuros ataques do Reino do Pegú como a sua aproximação do Golfo da Tailandia, vital, para escoamento das riquezas que com muita abastança havia no reino.

Vamos, porém, designar a documentação, que temos e revelam, em parte, o relacionamento entre Portugal e antigo Reino do Sião a partir dos anos 1639 e antes 128 anos de Ayuthaya ter caído.

DOCUMENTAÇÃO MANUSCRITA, CONHECIDA DESDE 1639:

Há diversa documentação, datada a partir de 1639, no Arquivo Histórico de Macau, que graças à recolha de Isaías dos Santos e Vasco Gomes, patrocinada pelo Instituto Cultural Fundação Oriente, foi compilada a informação do relacionamento entre Portugal e o Sião, num livro de 325 páginas editado em 1993, no tempo da governação do General Rocha Vieira. que conhecemos, pessoalmente e acompanhei, em Banguecoque,em 1996, durante a assinatura do Acordo Aéreo entre a Tailândia e Macau, de que no ano seguinte se iniciariam os vôos aéreos, pela "Air Macau", entre a capital tailandesa e Macau.

A referida obra, dá conta que a partir de 1639, a navegação entre Macau, o Sião e paises do Sudeste asiático tinha alguma actividade.

Em certos documentos fomos encontrar termos, emanados, Leal Senado, a proibir algumas viagens de barcos portugueses de Macau ao Sião e outros países, vizinhos, da região.

O motivo era o receio da fazenda, que tinha sido importada do Japão ser "pilhado" pelos nossos inimigos europeus, que bem de ver serem os "piratas" holandeses e ingleses que se dedicavam à ladroagem marítima, no mar do Sul da China e Golfo da Tailândia, não lhes escapavam os juncos chineses e os portuguesa à roubalheira desmedida.

Os portugueses estavam activos no comércio entre o Sião, Cambodja, Tonquim, Conchinchina, Champá e Macassar.

Encontra-se um documento, designado como termo, datado em 28 de Agosto de 1686:
"Termo do Conselho Geral do Leal Senado sobre a chegada de um navio do rei do Sião que trouxe uma carta para Macau de Constantino Falcão, Primeiro-ministro do dito reino, pedindo isenção de direitos para as fazendas do mesmo rei. O pedido não foi atendido, pagando essas fazendas os mesmo direitos que pagam aos dos moradores de Macau"

No ano seguinte, a 30 de Janeiro 1687, um novo termo do Conselho do Leal Senado, sobre a decisão da Junta do Povo de não se tirar, nesse ano, um por cento para o pagamento da dívida ao rei do Sião. Assentou-se convocar de novo a Junta do Povo dada a inconveniência dessa decisão. No mês seguinte, em 1 de Fevereiro, em nova reunião da Junta do Povo, é novamente liberado para não ser retirado um por cento para pagamento da dívida ao Rei do Sião.

Em 20 de Junho de 1687, duas naus do rei do Sião, não são autorizadas a lançar a âncora em Macau, avariadas a necessitarem de reparação. As embarcações tinham navegado ao Cambodja e, ali combater os piratas chineses. No mês de Julho, depois reunido o Conselho Geral do Leal Senado para analisar uma carta do capitão-geral de Macau que dirigiu à Mesa da Câmara acerca do requerimento que lhe foi pelo pelos capitães das naus do rei do Sião para se recolherem nesta cidade. Ficou assente de ser mantida a deliberação, como já tinha sido anteriormente, de não ser autorizada a entrada das referidas naus no Porto de Macau.

Em 17 de Novembro de 1688 um Termo do Conselho do Leal Senado delibera a conveniência de mandar um barco ao reino do Sião, devido às revoluções no dito reino.Assentou-se enviar um com duas cartas, uma para Constantino Falcão e outra para o potencial novo rei, por se ignorar o resultado da revolução.

(Nota nossa: Constantino Falcão, tinha sido condenado à morte, por traição em 5 de Junho de 1688 (5 meses antes), o rei Narai, feito prisioneiro no seu palácio em Lopburi e entronizou-se, rei, um seu sobrinho Petracha. Para melhor ilucidação um clique: http://aquitailandia.blogspot.com/2007/01/maria-de-guiomar.html onde está descrita a história de Constantino Falcão e esposa a luso/descendente Maria Guiomar)

Durante 28 anos (1688-1716) não se encontra nenhuma correpondência ou termo entre o Leal Senado e o reino do Sião, apenas uma carta das autoridades de Sião a transmitir ao Leal Senado uma dívida de Manuel Favacho ao dito reino.

(Nota nossa: "a família Favacho, pelas circunstâncias da queda de Ayuthaya (1767) estabeleceu-se, como os outros portugueses e descendentes em Banguecoque e, ainda, havia membros no final do século XIX e principio de XX).

Em 5 de Janeiro de 1719, é dirigido ao ofício para o Governo de Goa onde se refere a despesas feitas pelo Leal Senado, incluindo parte do pagamento da dívida com o rei de Sião.

Em 21 de Fevereiro de 1720, termo sobre a remessa para Sião do pagamento da dívida do Leal Senado e sobre o envio de presente às autoridades do dito reino.

Em 28 de Janeiro de 1721, Carta do Leal Senado para o padre António Soares, no reino do Sião, acerca do pagamento da dívida do Senado ao dito reino.

Em 28 de Janeiro de 1721, uma carta do Leal Senado para o rei de Sião, tratando do pagamento da sua dívida para com o dito rei e pedindo o restabelecimento dos privilégios outrora concedidos aos Portugueses.

Em 28 de Junho de 1721, uma carta que o Padre Francisco Telles enviou de Sião para o Leal Senado, a tratar de diversos assuntos respeitantes à embaixada de Manuel de Vidigal Gião e a informar que a dívida ao rei de Sião não foi paga na totalidade devido à baixa avaliação das fazendas enviadas para esse efeito, ficando a faltar 21 cates de prata.

Em 30 de Junho de 1721, carta que o Padre António Soares da Companhia de Jesus escreveu do Sião para o Leal Senado, a dar conta do que se passou nesse reino com a embaixada portuguesa liderada pelo capitão Manuel de Vidigal Gião.

Em Junho de 1721 (sem o dia designado), carta do Leal Senado ao Barcalão de Sião, a acusar a recepção das cartas que este enviou às autoridades siamesas e a tratar da dívida do mesmo para com o rei de Sião.

Em Março de 1722 (sem o dia designado), carta do Leal Senado para o rei de Sião, a agradecer o restabelecimento dos antigos privilégios dos Portugueses, a tratar de assuntos respeitantes ao comércio com o dito reino e, ainda, acerca da dívida do Leal Senado.

Em Março de 1722 (sem o dia designado), carta do Leal Senado para o príncipe do Sião, a agradecer os favores do mesmo aquando da embaixada de Manuel de Vidigal Gião e a agradecer também os presentes enviados ao Leal Senado.

Em 25 de Julho de 1722, Certidão de quitação da dívida do Leal Senado ao rei de Sião. Antes da certidão encontra-se registada a situação contabilísitca entre o Leal Senado e o rei de Sião.

Em 18 de Março de 1723, termo sobre uma carta do rei de Sião em que pede ao Leal Senado alcatifas europeias.
Em 24 de Junho de 1723, carta do Barcalão de Sião para o Leal Senado, a acusar a recepção dos presentes enviados por este, a informar sobre os direitos pagos pelos barcos que vão ao Sião e sobre outros assuntos.

Nota-se que de 1723 a 1782 (59 anos), nenhuma correspondência entre o reino do Sião e o Leal Senado de Macau. Não sabemos se existe alguma documentação nos arquivos em Goa, isto porque umas vezes a representação diplomática portuguesa no Sião estava sob a jurisdição do Leal Senado de Macau e outras sob o Governo da Índia (Goa).

Em 12 de Junho de 1782 (15 anos depois da queda de Ayuthaya), uma carta do Barcalão do reino do Sião para as autoridades de Macau. Documento em mau estado de conservação.

Em 6 de Março de 1793, passaporte e carta de crença que o Leal Senado passou a Alexandre Manoel de Sequeira, proprietário da chalupa "Nossa Senhora do Resgate", para navegar com a referida embarcação para Donay, Torão, costa de Sião e Pullo Pinão.

Carta sem data 17- -, Carta do Barcalão do rei de Sião para o Leal Senado, a acusar a recepção de cartas e presentes, a participar a liquidação da dívida do Leal Senado para com o rei de Sião a a pedir alguns tapetes persas. Este documento é datado segundo o calendário siamês, cujo ano é 1084.

Em 19 de Fevereiro de 1810, Tratados e Convenções celebrados entre Portugal e várias potências durante os anos de 1810 a 1862. Contém: (1) Tratado de Comércio e Navegação com o Sião - 1820, Novembro, 9 (inclui cópias de outros documentos relacionados com o mesmo assunto; (2) Discurso, em Inglês, do primeiro rei de Sião em 24 de Janeiro de 1859 aquando da Embaixada Extraordinária de Portugal àquele reino.

Em 1 de Julho de 1816, carta do Primeiro Ministro do reino do Sião para o conselheiro Miguel de Arriaga, acerca do estabelecimento das relações entre Portugal e aquele reino.

Em 22 de Novembro de 1816, carta do Conselheiro Miguel de Arriaga para o rei do Sião, acerca do restabelecimento das relações entre Portugal e esse reino.

Em 23 de Dezembro de 1816, carta do Primeiro Ministro do reino do Sião para o conselheiro Miguel de Arriaga,acerca dos restabelecimento das relações entre Portugal e o Sião e do comércio entre Macau e o dito reino. Pede ainda o envio de 2 0u 3 mil espingardas.

Em Setembro de 1818 (sem a designação do dia), carta do conselheiro Miguel de Arriaga para o Barão de S.José de Porto Alegre, a informar sobre a vinda a Macau de um bergantim do rei de Sião para comerciar e acerca das providências a tomar.

Em 13 de Fevereiro de 1819, passaporte (registo do) passado pelo Leal Senado ao navio "Viajante", propriedade de António de Vasconcelos, para navegar para o reino de Sião.

Em 24 de Novembro de 1919, ofício do Leal Senado para o governo de Goa, acerca de uma proposta do conselheiro Miguel de Arriaga da ida ao reino do Sião.

Em 5 de Maio de 1820, ordem do Governo de Goa para o Leal Senado sobre as negociações com o reino do Sião.

(Nota nossa, aqui trata das negociações para a doação do terreno e construir Feitoria - Miguel de Arriaga Brum da Silveira, nasceu em Macau, em 1776, filho de José de Arriaga Brum da Silveira e Francisca Josefa Borges da Camara, naturais da ilha da Horta, Açores)

Principia a partir daqui uma nova fase das relações de Portugal com a Tailandia. Ayuthaya, como foi descrito acima caiu em 1767, a comunidade luso/descendente desalojada do "Ban Portuguete" vem para Banguecoque e instala-se na margem direita do rio Chao Praya, graça à doação de um terreno pelo General Thaksin, que mais tarde viria a entronizar-se rei.

A nova capital Banguecoque, cresce e passados, 53 anos, em 1820, o Rei do Sião, Rama II, doa a Portugal, mais duas largas parcelas, onde a representação diplomática portuguesa se instala há 188 anos e, ainda outra, o Campo da Senhora do Rosário, a uns 300 metros a norte da embaixada, para que ali fosse construída igreja católica e casas para os luso/descendentes, cuja maioria eram macaenses. Mas para ler o tratado e a cerimónia da doação recomendamos um clique http://aquitailandia.blogspot.com/2006/11/nobre-casa_07.html .

Carlos Manuel da Silveira é nomeado o primeiro cônsul do Sião, pelo vice-rei da Índia, D.Diogo José de Sousa, Conde do Rio Pardo: "Cônsul-Geral em a Corte de Bangkok e Feitor da Feitoria portuguesa, que vai estabelecer na mesma Corte, por tempo de trez annos com ordenado de dois mil e quatrocentos xerafins em cada mês, pago pela Fazenda Real de Goa para vencer somente no primeiro Triénio, devendo, findo este tempo, requerer reformação do seu título sem ordenado, e com a contribuição de hum, e meyo cento de todas as fazendas importadas, ou exportadas por Navios Portuguezes, e despachados na Âlfandega do Reyno de Siam podendo o Carlos Manuel de Silveira nomear interinamente vice-Cônsules, e Feitores seus Delegados e sujeitos à sua jurisdição para outros portos do mesmo reino, tudo na maneira acima determinada, pelo dito conde Vice Rey, e Capitão,General, e com o dito cargo gozará de todas as honras, privilégios, preheminências, liberdades, e izenções que lhe competirem, e de que gozão os mais Cônsules Portugueses".

Em 7 de Maio de 1820, largou de Goa o Cônsul silveira no brigue de guerra S. João Baptista, pago os seus vencimentos por três anos. Acompanhava Carlos Manuel Silveira o escrivão Cipriano José Baptista, mais onze empregados e uma guarda de cinco soldados. Compunha assim a comitiva de novo Cônsul Silveira, para se instalar em Banguecoque, de 17 pessoas.
INSTRUÇÕES DADAS AO CÔNSUL CARLOS MANUEL SILVEIRA,

resumiam-se no seguinte: "Logo chegado a Banguecoque deveria apresentar a sua Carta Patente ao Prakalang para este lhe dar o Exequater; e, a seguir, encontrar-se com os negociantes portugueses, residentes no Sião.
Procurar estabelecer o comércio e para tal deveria fundar uma feitoria em local apropriado. Cuidar pelas casas comerciais portuguesas, promover a introdução de géneros brutos e manufacturados da nossa produção, assegurar a liberdade de navegação e todos os privilégios, direitos e isenções possíveis.
Relatar em cada monção as suas ideias, as novidades, entradas e saídas de barcos portugueses com valor da carga, importação e exportação.
Não descurar de recomendar aos comerciantes portugueses se portassem com proibidade e cumprissem as leis e costumes do país, compor questões entre negociantes, capitães e equipagens.

Morrendo alguém sem herdeiros ou testamenteiros, fazer com o escrivão e dois homens probos o inventário de todos os bens e remetê-lo a Goa.

Selar com o escudo português os contratos, apólices e protestos de avaria. Nomear vice-cônsules para todos os portos dos siameses, que achar por conveniente, os quais cobrarão emolumentos 1% por cento segundo uma tarifa anexa; estes deveriam usar uniforme azul com guarnição de oiro e teriam os livros de registos necessários. O Cônsul-Geral teria mais um livro para a conta corrente dos construtores e carpinteiros de navios, etc. No caso do cônsul Silveira falecer, tomaria o seu lugar o Vice-Cônsul mais antigo e, na falta deste, o Escrivão da Feitoria".

As intenções do Conde do Rio Pardo, pelas instruções dadas ao cônsul Silveira, era para de facto o comércio entre Portugal e o Sião fosse incrementadas.

Na nóvel capital do Sião não existia, praticamente, comunidade estrangeira e a riqueza, num país virgem, havia todas as possibilidades de bons negócios para Portugal que bem conhecidas eram do vice-rei da Índia.

Na mente, do Conde do Rio Pardo, havia um projecto ambiciosos que seria o de construir um estaleiro para a construção de navios, na larga parcela de terreno doada pelo Rei do do Sião.

Um cidadão siamês (que tudo indica ser luso/descendente e de famílias residentes no "Ban Portuguete") de nome José da Piedade, patrão-mor do porto de Banguecoque, a portas do terreno doado a Portugal, teria prestado bons serviços a Portugal, junto da Corte do Sião antes de encetadas as negociações.

Em 9 de Novembro de 1820, o Rei Rama II, comunicou ao vice-rei da Índia, Conde do Rio Pardo que tinha entregue ao Cônsul Silveira um chão com dois godões para fazer navios; e ao mesmo cônsul, ao Comandante e oficiais do bridge (S.João Baptista) dera 4 meses de sustento.
José Martins
CONTINUA

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - HISTÓRIAS POR CONTAR

Parte 2ª
Depois da doação do terreno a Portugal, junto à margem do rio grande rio o Chao Prya, as intenções do vice-rei da Índia e do Rei Rama II seria que ali fosse construído um estaleiro para construir embarcações e serem os portugueses a incrementar a saída, do Sião, para o exterior a riquezas do Reino.
Banguecoque erguia-se com morosidade desde que o General Thaksin, deslocou toda a população, a que se salvou da fúria do exército peguano em 1767. Nos anos de 1820, continuava a não (aparte da chinesa,portuguesa e malaia) haver comunidade estrangeira na nova capital.
A portuguesa, calculada em cerca de umas duas mil a três mil almas, vivia conforme podia para sobreviver empregando-se os homens ao serviço da corte, nas construção de novas casas, ao longo dos canais e as mulheres ocupando-se a cuidar dos filhos e em pequenas industrias caseiras confeccionando fios de ovos ou queques cuja receita tinha sido introduzida pelos portugueses em Ayuthaya.
Parte das transacções comerciais entre o Siao, a China e os portuguese era efectuadas pela permuta de mercadorias. O projecto para a cunhagem de moeda no Sião nasce em 1835, no reinado de Rama III, pelo mercador inglês Roberto Hunter que viria a ser contratado pelo monarca, a fixar-se permanentemente, em Banguecoque, onde desempenhou elevados cargos na corte siamesa.
Roberto Hunter, segundo Ana Leonwens, professora de inglês, contratada pelo Rei Mongkut, Rama IV, no seu livro o "The Romance of the Harem", casou com a lusa descendente Rosa, nascida no bairro da Imaculada Conceição, na área de Samsem e a curta distância do palácio real onde se instalava o Rei e sua corte e lhe teria dado dois filhos.
Porém a cunhagem, oficial, de moeda siamesa só viria acontecer em 1860. A moeda a circular no reino do Sião, em 1820, continua a ser a usada por mais mais de seis séculos o "Pod Duang". Entretanto havia outra moeda, as conchas, a circular entre a classe, pobre siamesa, cuja esta, provalvelmente, introduzida pelos mercadores indianos, com o nome Bia, dividida em oito valores: " Bia Palong, Bia Kao, Bia Nang, Bia Moo, Bia Lom,Bia Bua e Bia Tum".
Seis mil e quatrocentas conchas, equivaliam a um bate de peso (15,2 gramas) de um Pod Duang. A moeda Bia, conchas, era classificada pela a puridade, natural da cor branca e como na era moderna, apareciam as falsificações que eram nem mais nem menos com a acentuada, tonalidade, da cor amarela. As conchas como moeda, circulante, extingui-se em 1862, no reinado do Rei Mongkut. Nos dias de hoje a frase Bia ficou entre os tailandeses no termo "Dawk Biaw" (Daúque Biá) que traduzida para a língua portuguesa definine-se: "que juros... sem ter conchas a render?".
Voltando ao início das relações diplomáticas entre o Sião e Portugal, depois de 1820, os monarcas tailandeses, continuavam a viver o trauma da queda de Ayuthaya e sempre receosos de novo ataque dos birmaneses. Banguecoque estar-lhes-ia ao alcançe quer pela entrada da embocadura do rio Chao Praya ou pela fronteira do "Três Pagodes" e, fácil depois da província de Kanchanaburi atingirem Thomburi, onde o General Thaksin instalou os siameses e comunidades estrangeiras junto ao forte que ainda hoje existe, como monumento.
Ao Rei Rama II apenas lhe faltavam armas ligeiras e estas a única fonte que lhas poderia fornecer seriam os portugueses, de grande tradição, na época de Ayuthaya. O reino está sem armas de infantaria e para as pesadas, os canhões, são construídas fundições em Thomburi com mestres de fundição siameses,chineses e portugueses (Ainda há pouco tempo tivemos a prova disso de quando visitamos o museu de artilharia, a céu aberto, nos jardim frontal do Ministério da Defesa). Temos perante, nós, a excelente obra (embora necessite algumas correcções que nos vai servindo de "matriz" para concluirmos este longo trabalho), " Portugal na Tailândia" do Monsenhor Manuel Teixeira, que em boa hora o embaixador Mello-Gouveia o convidou a escrevê-la em 1983.
Dado às facilidades de consulta que o historiador possuia em Macau, vasculhou arquivos antigos e recolheu importante documentação, que bem nos serve, juntando os nossos pontos de vista. Sem esta boa obra e outra documentação antiga, evidentemente que não poderia levar a bom porto o que pretendo e que sirva para novos futuros historiadores, interessados na matéria para que Portugal não seja "riscado" do mapa, histórico, das relações de 500 anos entre Portugal e a Tailândia.
O Rei Rama II do Sião, depois do Cônsul Carlos Manuel da Silveira lhe ter feito a entrega das Cartas que o daria como o primeiro representante de Portugal junto à Corte ao Carlos Manuel da Silveira é lhe conferido o título honorífico, siamês, de "Luang Apaiwanit". De regresso a Goa o brigue S.João Baptista, carrega valiosos presente para o vice-rei da Índia, Conde do Rio Pardo e com a recomendação do Rei Rama II, que os distribuisse a pessoas que bem melhor entendesse. Junto uma carta onde enaltecia os bons ofícios do cônsul Silveira e de toda a tripulação do brigue S.João Baptista.
Em 1819, o Governo de Macau enviou Carlos Manuel da Silveira ao Sião, cuja missão seria procurar facilidades para construir navios e comercializar na nova capital. No Sião havia abundantes, boas e a baixo custo, madeiras. Dado ao meio de transporte facilitado, aos toros, centenários de madeira de Teca, pelo caudal do rio Chao Prya, desde o norte do Sião, até Banguecoque, seria assim o lugar ideal para construir navios, que seriam do tipo dos juncos chineses.
O Silveira não se apresentou como enviado do Governo de Macau mas um comerciante estrangeiro. Rei Rama II acedeu à sua pretensão e desde logo lhe ofereceu um terreno na margem oriental do rio Chao Prya e uma casa. Essa parcela de terreno, veio depois a ser a que foi doada a Portugal em 1820.
Antes de Carlos Manuel da Silveira de ser nomeado cônsul de Portugal, já era uma figura popular e bem acolhida na corte do Rei Rama II. O Carlos Silveira, como agente disfarçado do Governo de Macau, antes de 1820, tinha vendido canhões e armas ao Sião. É de crer que José da Piedade, luso descendente, capitão-mor do porto de Banguecoque tenha sido uma peça, importante, nas relações entre o Silveira e corte.
Carlos Manuel da Silveira, pelo que se analisa tinha perfil diplomático e bem soube explorar, com mestria, a carência de armas que o Sião tinha.
Sem haver a certeza se assim foi, parece que numa venda de 3 mil espingardas, negociadas pelo Carlos Silveira o monarca siamês teria sido informado que o Governo de Macau possuia, no território, uma fábrica de espingardas, quando de facto nunca ali tinha existido nenhuma e só a fundição de canhões de Manuel Tavares Bocarro desactivada havia mais de século e meio.
Em 1819, um ano antes da doação do terreno e assinado o Tratado de Amizade e Comércio, o Rei do Sião pagou adiantadamente 5000 patacas para uma ordem de espingardas ao preço de cada unidade de 4.320, patacas, que tiveram depois de ser compradas na Europa ao preço de 4 patacas cada.
Porém, em 2 de Março de 1824, o Rei do Sião, ainda não tinha recebido as espingardas. Miguel de Arriaga escreveu ao Rajah do Sião, cujo intermediário foi o luso descendente (vassalo do Rei do Sião ), José da Piedade, a dar-lhe conta do pedido da encomenda de espingardas e o recebimento de 4.320 patacas para o pagamento. Mas a falta de cumprimento da encomenda de armas ao Sião não pertence a Miguel de Arriaga, isto porque recebida a encomenda desde logo escrevera para o Brasil a encomendá-las.
Aconteceu que da encomenda apenas foram entregues de uma vez 400 e de outra 248 espingardas. Entretanto o Rei do Sião efectuou mais uma entrega de dinheiro e fica um montante, para comprar mais espingardas, de 5.378 patacas, cujas estas nunca viria a receber e o retorno do montante, ao Sião, só viria acontecer, em 1829.
Quem saldou a conta foi o Leal Senado de Macau e com Miguel de Arriaga, já falecido, quem viria a arcar com a dívida foram os herdeiros, descontada, através de pagamentos que lhe pertenciam do Leal Senado.
O pobre do cõnsul Carlos Manuel da Silveira está metido numa camisa de sete varas, pela falta de cumprimento da entrega de armas, passa vergonhas de "caloteiro" e misérias de viver com o pessoal que o servia.
Está para ali um representante num largo terreno, sem estaleiro para construir barcos, casa decente para viver e certamente a passar fome, juntamente, com o seu pessoal, ao sabor da caridade de amigos e empréstimos da corte do Sião.
O vice-rei da Índia envia ao Leal Senado de Macau uma carta, datada em 30 de Março de 1829, com o teor seguinte:
"Fico sciente das medidas, que V.S.ª tomou, para mandar render a Carlos Manuel da Silveira, encarregado desta comissão ao morador Miguel de Araújo Roza pela maneira e. com as instruções, que extensamente me refere no seu ofício nº 14 da presente monção, remettendo sete mil patacas, para esse fim e para pagamento da dívida, que o Conselheiro Ouvidor Miguel da Arriaga Brum da Silveira contrahira com o Rei de Sião, para fornecer de certo numero de Armas que ficou de lhe enviar, e não enviou; o que approvo, e bem assim a deliberação que V.S.ª tomou de lançar mão de terça parte de hum tael por cada caixa de Anfião, que o dito ex-Ouvidor Conselheiro e seus herdeiros tem por mercê Régia, o qual disconto ficará sem effeito tão depressa, que acabe de se solver a referida dívida".
O Carlos Manuel da Silveira, assim como o ouvidor Miguel da Arriaga, são vítimas da situação política que grassava em Portugal.
Não é de colocar em dúvida as suas boas intenções de cumprir, com honra, os seus compromissos da venda de armas ao Reino do Sião.
Miguel da Arriaga escrevera para o Brasil para que lhe enviassem as armas e tal não viria acontecer, porque a nação portuguesa estava à deriva, a Corte Portuguesa tinha fugido de Lisboa e instalar-se no Rio de Janeiro e só regressou do Brasil em 1821.
É de imaginar as manobras que teriam de fazer os vice-reis da Índia e os Governadores de Macau para conseguir gerir as possessões, administradas por Portugal, na Índia, Macau e Timor.
Acredita-se, que por falta de comunicações, a nãos existente comunidade europeia, em Banguecoque, o Rei do Sião não deveria ter conhecimento que o Rei de Portugal, para fugir à invasão das tropas napoleónicas, tinha instalado a sua corte no Brasil.
José Martins
Fim da 2ª parte
CONTINUA

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

DIFAMAÇÃO!

DIFAMAÇÃO O NOVO ARTIGO PUBLICADO NO BLOGUE
http://aquitailandia.blogspot.com
Muito obrigado por continuarem a minha pobre prosa.
José Martins