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sábado, 27 de setembro de 2008

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - HISTÓRIAS POR CONTAR

Parte 2ª
Depois da doação do terreno a Portugal, junto à margem do rio grande rio o Chao Prya, as intenções do vice-rei da Índia e do Rei Rama II seria que ali fosse construído um estaleiro para construir embarcações e serem os portugueses a incrementar a saída, do Sião, para o exterior a riquezas do Reino.
Banguecoque erguia-se com morosidade desde que o General Thaksin, deslocou toda a população, a que se salvou da fúria do exército peguano em 1767. Nos anos de 1820, continuava a não (aparte da chinesa,portuguesa e malaia) haver comunidade estrangeira na nova capital.
A portuguesa, calculada em cerca de umas duas mil a três mil almas, vivia conforme podia para sobreviver empregando-se os homens ao serviço da corte, nas construção de novas casas, ao longo dos canais e as mulheres ocupando-se a cuidar dos filhos e em pequenas industrias caseiras confeccionando fios de ovos ou queques cuja receita tinha sido introduzida pelos portugueses em Ayuthaya.
Parte das transacções comerciais entre o Siao, a China e os portuguese era efectuadas pela permuta de mercadorias. O projecto para a cunhagem de moeda no Sião nasce em 1835, no reinado de Rama III, pelo mercador inglês Roberto Hunter que viria a ser contratado pelo monarca, a fixar-se permanentemente, em Banguecoque, onde desempenhou elevados cargos na corte siamesa.
Roberto Hunter, segundo Ana Leonwens, professora de inglês, contratada pelo Rei Mongkut, Rama IV, no seu livro o "The Romance of the Harem", casou com a lusa descendente Rosa, nascida no bairro da Imaculada Conceição, na área de Samsem e a curta distância do palácio real onde se instalava o Rei e sua corte e lhe teria dado dois filhos.
Porém a cunhagem, oficial, de moeda siamesa só viria acontecer em 1860. A moeda a circular no reino do Sião, em 1820, continua a ser a usada por mais mais de seis séculos o "Pod Duang". Entretanto havia outra moeda, as conchas, a circular entre a classe, pobre siamesa, cuja esta, provalvelmente, introduzida pelos mercadores indianos, com o nome Bia, dividida em oito valores: " Bia Palong, Bia Kao, Bia Nang, Bia Moo, Bia Lom,Bia Bua e Bia Tum".
Seis mil e quatrocentas conchas, equivaliam a um bate de peso (15,2 gramas) de um Pod Duang. A moeda Bia, conchas, era classificada pela a puridade, natural da cor branca e como na era moderna, apareciam as falsificações que eram nem mais nem menos com a acentuada, tonalidade, da cor amarela. As conchas como moeda, circulante, extingui-se em 1862, no reinado do Rei Mongkut. Nos dias de hoje a frase Bia ficou entre os tailandeses no termo "Dawk Biaw" (Daúque Biá) que traduzida para a língua portuguesa definine-se: "que juros... sem ter conchas a render?".
Voltando ao início das relações diplomáticas entre o Sião e Portugal, depois de 1820, os monarcas tailandeses, continuavam a viver o trauma da queda de Ayuthaya e sempre receosos de novo ataque dos birmaneses. Banguecoque estar-lhes-ia ao alcançe quer pela entrada da embocadura do rio Chao Praya ou pela fronteira do "Três Pagodes" e, fácil depois da província de Kanchanaburi atingirem Thomburi, onde o General Thaksin instalou os siameses e comunidades estrangeiras junto ao forte que ainda hoje existe, como monumento.
Ao Rei Rama II apenas lhe faltavam armas ligeiras e estas a única fonte que lhas poderia fornecer seriam os portugueses, de grande tradição, na época de Ayuthaya. O reino está sem armas de infantaria e para as pesadas, os canhões, são construídas fundições em Thomburi com mestres de fundição siameses,chineses e portugueses (Ainda há pouco tempo tivemos a prova disso de quando visitamos o museu de artilharia, a céu aberto, nos jardim frontal do Ministério da Defesa). Temos perante, nós, a excelente obra (embora necessite algumas correcções que nos vai servindo de "matriz" para concluirmos este longo trabalho), " Portugal na Tailândia" do Monsenhor Manuel Teixeira, que em boa hora o embaixador Mello-Gouveia o convidou a escrevê-la em 1983.
Dado às facilidades de consulta que o historiador possuia em Macau, vasculhou arquivos antigos e recolheu importante documentação, que bem nos serve, juntando os nossos pontos de vista. Sem esta boa obra e outra documentação antiga, evidentemente que não poderia levar a bom porto o que pretendo e que sirva para novos futuros historiadores, interessados na matéria para que Portugal não seja "riscado" do mapa, histórico, das relações de 500 anos entre Portugal e a Tailândia.
O Rei Rama II do Sião, depois do Cônsul Carlos Manuel da Silveira lhe ter feito a entrega das Cartas que o daria como o primeiro representante de Portugal junto à Corte ao Carlos Manuel da Silveira é lhe conferido o título honorífico, siamês, de "Luang Apaiwanit". De regresso a Goa o brigue S.João Baptista, carrega valiosos presente para o vice-rei da Índia, Conde do Rio Pardo e com a recomendação do Rei Rama II, que os distribuisse a pessoas que bem melhor entendesse. Junto uma carta onde enaltecia os bons ofícios do cônsul Silveira e de toda a tripulação do brigue S.João Baptista.
Em 1819, o Governo de Macau enviou Carlos Manuel da Silveira ao Sião, cuja missão seria procurar facilidades para construir navios e comercializar na nova capital. No Sião havia abundantes, boas e a baixo custo, madeiras. Dado ao meio de transporte facilitado, aos toros, centenários de madeira de Teca, pelo caudal do rio Chao Prya, desde o norte do Sião, até Banguecoque, seria assim o lugar ideal para construir navios, que seriam do tipo dos juncos chineses.
O Silveira não se apresentou como enviado do Governo de Macau mas um comerciante estrangeiro. Rei Rama II acedeu à sua pretensão e desde logo lhe ofereceu um terreno na margem oriental do rio Chao Prya e uma casa. Essa parcela de terreno, veio depois a ser a que foi doada a Portugal em 1820.
Antes de Carlos Manuel da Silveira de ser nomeado cônsul de Portugal, já era uma figura popular e bem acolhida na corte do Rei Rama II. O Carlos Silveira, como agente disfarçado do Governo de Macau, antes de 1820, tinha vendido canhões e armas ao Sião. É de crer que José da Piedade, luso descendente, capitão-mor do porto de Banguecoque tenha sido uma peça, importante, nas relações entre o Silveira e corte.
Carlos Manuel da Silveira, pelo que se analisa tinha perfil diplomático e bem soube explorar, com mestria, a carência de armas que o Sião tinha.
Sem haver a certeza se assim foi, parece que numa venda de 3 mil espingardas, negociadas pelo Carlos Silveira o monarca siamês teria sido informado que o Governo de Macau possuia, no território, uma fábrica de espingardas, quando de facto nunca ali tinha existido nenhuma e só a fundição de canhões de Manuel Tavares Bocarro desactivada havia mais de século e meio.
Em 1819, um ano antes da doação do terreno e assinado o Tratado de Amizade e Comércio, o Rei do Sião pagou adiantadamente 5000 patacas para uma ordem de espingardas ao preço de cada unidade de 4.320, patacas, que tiveram depois de ser compradas na Europa ao preço de 4 patacas cada.
Porém, em 2 de Março de 1824, o Rei do Sião, ainda não tinha recebido as espingardas. Miguel de Arriaga escreveu ao Rajah do Sião, cujo intermediário foi o luso descendente (vassalo do Rei do Sião ), José da Piedade, a dar-lhe conta do pedido da encomenda de espingardas e o recebimento de 4.320 patacas para o pagamento. Mas a falta de cumprimento da encomenda de armas ao Sião não pertence a Miguel de Arriaga, isto porque recebida a encomenda desde logo escrevera para o Brasil a encomendá-las.
Aconteceu que da encomenda apenas foram entregues de uma vez 400 e de outra 248 espingardas. Entretanto o Rei do Sião efectuou mais uma entrega de dinheiro e fica um montante, para comprar mais espingardas, de 5.378 patacas, cujas estas nunca viria a receber e o retorno do montante, ao Sião, só viria acontecer, em 1829.
Quem saldou a conta foi o Leal Senado de Macau e com Miguel de Arriaga, já falecido, quem viria a arcar com a dívida foram os herdeiros, descontada, através de pagamentos que lhe pertenciam do Leal Senado.
O pobre do cõnsul Carlos Manuel da Silveira está metido numa camisa de sete varas, pela falta de cumprimento da entrega de armas, passa vergonhas de "caloteiro" e misérias de viver com o pessoal que o servia.
Está para ali um representante num largo terreno, sem estaleiro para construir barcos, casa decente para viver e certamente a passar fome, juntamente, com o seu pessoal, ao sabor da caridade de amigos e empréstimos da corte do Sião.
O vice-rei da Índia envia ao Leal Senado de Macau uma carta, datada em 30 de Março de 1829, com o teor seguinte:
"Fico sciente das medidas, que V.S.ª tomou, para mandar render a Carlos Manuel da Silveira, encarregado desta comissão ao morador Miguel de Araújo Roza pela maneira e. com as instruções, que extensamente me refere no seu ofício nº 14 da presente monção, remettendo sete mil patacas, para esse fim e para pagamento da dívida, que o Conselheiro Ouvidor Miguel da Arriaga Brum da Silveira contrahira com o Rei de Sião, para fornecer de certo numero de Armas que ficou de lhe enviar, e não enviou; o que approvo, e bem assim a deliberação que V.S.ª tomou de lançar mão de terça parte de hum tael por cada caixa de Anfião, que o dito ex-Ouvidor Conselheiro e seus herdeiros tem por mercê Régia, o qual disconto ficará sem effeito tão depressa, que acabe de se solver a referida dívida".
O Carlos Manuel da Silveira, assim como o ouvidor Miguel da Arriaga, são vítimas da situação política que grassava em Portugal.
Não é de colocar em dúvida as suas boas intenções de cumprir, com honra, os seus compromissos da venda de armas ao Reino do Sião.
Miguel da Arriaga escrevera para o Brasil para que lhe enviassem as armas e tal não viria acontecer, porque a nação portuguesa estava à deriva, a Corte Portuguesa tinha fugido de Lisboa e instalar-se no Rio de Janeiro e só regressou do Brasil em 1821.
É de imaginar as manobras que teriam de fazer os vice-reis da Índia e os Governadores de Macau para conseguir gerir as possessões, administradas por Portugal, na Índia, Macau e Timor.
Acredita-se, que por falta de comunicações, a nãos existente comunidade europeia, em Banguecoque, o Rei do Sião não deveria ter conhecimento que o Rei de Portugal, para fugir à invasão das tropas napoleónicas, tinha instalado a sua corte no Brasil.
José Martins
Fim da 2ª parte
CONTINUA

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

DIFAMAÇÃO!

DIFAMAÇÃO O NOVO ARTIGO PUBLICADO NO BLOGUE
http://aquitailandia.blogspot.com
Muito obrigado por continuarem a minha pobre prosa.
José Martins

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

MARIZA EM BANGUECOQUE

Faz hoje dois anos que a artista, portuguesa, Mariza actuou, no grande auditório do "Thailand Cultural Centre, para S.A. a Princesa Galyani (infelizmente falecida, irmã de S. Majestade o Rei da Tailândia), para a alta sociedade de Banguecoque, onde se incluiam: académicos, a diplomacia acreditada no Reino da Tailândia, gente ligada à arte, com uma assistência que ultrapassou o milhar de pessoas. O evento de grande qualidade artística, teve o patrocínio da Embaixada de Portugal, cujo o chefe de missão, de então, era o embaixador João de Lima Pimentel. O "Thailand Cultural Centre", já me é familiar há vários anos e ali, registei imagens (conservadas religiosamente nos meus arquivos), de grandes artistas portugueses: o maestro Silva Pereira a dirigir a "Orquestra Sinfónica de Bangkok"; o pianista Adriano Jordão; o guitarrista António Chaínho (por duas vezes); tunas académicas; grupos de Macau e ainda outros que de momento não me ocorrem à memória. Pelas quatro horas da tarde deixei a embaixada, artilhado com duas máquinas fotográficas, lentes e acompanhado do funcionário Marcos do Vale, com o objectivo de fixar imagens durante o último ensaio da Mariza e mais tarde, em sua actuação para o público. Ossos do ofício! Fui barrado de o fazer e desde logo avisado que não poderia fixar imagens durante a actuação da Mariza. Prometi que o não faria, embora depois bem arrependido fiquei, por ter verificado, dois fotógrafos, profissionais, a um canto, escondidos a disparar as suas máquinas sem "flash"... Bem o poderia ter feito, porque fui equipado com uma lente "zoom" de grande alcance e luminosidade que foca e recolhe imagens em objectivos com luz mínima. Muito me agradaria tirar uma foto, que fosse, a Sua Alteza a Princesa Galyani, sentada no seu camorote, real, na tribuna, superior, da grande e fina sala de espectáculos da cidade de Banguecoque. Bem é que no meu "palmaré" de memórias, também fui um felizardo de ter reportado, em imagens, a inauguração do edíficio/museu, no "Ban Portuguete" (Aldeia dos Portugueses em Ayuthaya), em Abril de 1995, cuja cerimónia foi presidida por essa Grande Senhora a Princesa Galyani da Tailândia. Depois do concerto, muito aplaudida a Mariza a Diva, atrevi-me a disparar, conforme pude, sem olhar à focagem e registar, já que mais não fosse as palmas da assistência. Sem o esperar e quando saía da sala para colher outras imagens da saída dos espectadores, dei com a Mariza a caminhar, num corredor, em minha direcção. Não hesitei e colhi a melhor imagem da Diva, quando regressava ao seu camarim depois de ter ido despedir-se da Princesa Galyani. Depois do espectáculo o embaixador Lima pimentel, ofereceu uma ceia, a convidados seus amigos (que calculo cerca de 100 pessoas); a presença de alguma comunidade portuguesa residente na Tailândia; Mariza e seus acompanhantes. Porém durante a ceia, algo viria acontecer, cujo repasto não chegaria ao fim... Tinha sido levado a efeito um "Golpe de Estado"... Dias antes, já corriam "sussurros", na cidade de Banguecoque que algo de anormal iria surgir na vida política da nação. A diplomacia, acreditada em Banguecoque, alguma (talvez por "leakage"), sabe, mais ou menos, que vai haver, sem data definida, "Golpe de Estado". Aquele primeiro ministro Thaksin Shinawatra que tinha sido excelente, na governação da Tailândia, no primeiro termo do seu mandato; no segundo era, fortemente, acusado, de actos corruptivos e as manifestações, contra a sua governação, eram o "pão-nosso-de-cada-dia", em Banguecoque. Penso que fui eu, o primeiro a saber a notícia do golpe. Minha mulher que é "viciada" do rádio e da televisão, durante todo o dia, tem conhecimento, do momento exacto do golpe militar. De imediato ligou-me para o telefone móvel e eu não atendia. O telefone tinha-o deixado no carro... Esse objecto tão útil, nos tempos que correm, nunca nutri grande afeição por ele e poucas vezes o uso e só o faço quando vou de viagem... Minha mulher está preocupada comigo. Insistia as chamadas, o telefone, tocava dentro do carro. Lembrou-se entretanto que eu deveria estar junto ao Marcos do Vales e ligou para o seu número. Acertou! Estava sentado com ele a cear. Deu-me a notícia e a recomendação: "Vem para casa depressa e não passes para os lados da "Imperial Plaza". Com uma notícia destas, tinha por obrigação de a transmitir ao meu embaixador Lima Pimentel, sentado numa mesa, junto à Mariza, uma sua filha de férias em Banguecoque e mais três pessoas que não sei o nome. Cheguei a boca ao seu ouvido esquerdo e passei-lhe a notícia. Não me ligou e fui repelido com um gesto negativo e de desagrado... Voltei para a minha mesa, onde sentado o Marcos do Vale e outros convidados. Claro que já não acabei de cear e preciso de ir para casa. tracei o itinerário para mim e Marcos do Vale que mora, para além, da direcção de minha casa. O embaixador Lima Pimentel, levantou-se da mesa e preparado para sair da sala. Passou junto a mim e disse-me ao ouvido como quem diz: "Eu tive conhecimento primeiro que você..! Foi mal agradecido e pouca correcta a sua atitude que me deveria ter dito: "Muito obrigado, pelo recado, mas eu já o sabia..." Não liguei lá muita importância, porque desfeitas e resposta iguais à de Lima Pimentel já eu estava habituado há muito... Os "mangas de alpaca" são uma "espécie", pouco cotada perante alguns embaixadores que Portugal (não todos.. há gente educada, simpática e agradecida) tem. Chuvia que "Deus a dava a cântaros", quando parti do "Thailand Cultural Centre". Ordenei ao Marcos do Vale para que não perdesse de vista o meu carro, não se fosse por aí perder-se no caminho. Não houve problemas até chegar a casa sob fortes bátegas de água. A guerra era noutro lugar onde não tinha havido um tiro sequer. Ao outro dia fui para o lugar da "guerra" que não era nenhuma... Mas havia por lá muita gente a tirar fotos aos tanques, militares, e a colocar-lhe flores. Um golpe militar onde até deu para se analisar que os soldados não foram só instruídos para dar tiros... Estava ali a "guerra e a paz". Mais um golpe que viria a modificar algo na política tailandesa. Esse golpe não resolveu tudo, politicamente, mas vai, estou por certo, colocar a política no lugar certo e a Tailândia (mesmo com as vozes de Velhos do Restelo), vai continuar na senda do progresso e, no futuro, um grande país (que já o é) no sudeste asiático.



José Martins - (Cultural)

sábado, 6 de setembro de 2008

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - SEM ADIDO CULTURAL

Dou, hoje pela manhã, com uma peça escrita pelo prof. Castelo Branco e inserida no seu blogue http://combustoes.blogspot.com/ com o genérico "Banguecoque sem Adido Cultural" e transcreve uma parte (cremos de um artigo) publicado na/revista/jornal Literatura:


" O Presidente da República quer que o governo reforce as verbas destinadas à rede diplomática e consular, "um activo fundamental na promoção dos interesses políticos, económicos e culturais" do nosso país. Não quer ouvir diplomatas a queixarem-se de falta de dinheiro. Tem toda a razão. (Da Literatura).


Seguidamente Miguel Castelo Branco insere uma critica referindo-se que na Embaixada de Portugal em Banguecoque, não há um Adido Cultural; o falecimento, recente do leitor João Azeredo e, ainda, que daqui a três anos são as celebrações dos 500 anos da chegada (1511) do primeiro embaixador de Portugal ao Reino do Sião.


Sendo eu um velho soldado e combatente, em defesa da preservação da história de Portugal na Tailândia, há 30 anos, por carolice sem nunca ter sido comtemplado, com óbolo (ao menos que fosse um moio de trigo, a pensão oferecida pelo Filipe de Castela a Fernão Mendes Pinto), pelos meus "bons serviços", que durante três décadas, tenho vivido, obcecado por esses restos históricos.


Evidentemente que não me vou referir "à ingratidão" do Embaixador António Faria e Maya, ou à palavra de desonra, diplomática, "desautorizar-se", (às influências, que recebeu de lado, para que eu fosse afastado da embaixada), que me transmitiu pelo telefone, dias antes da celebração do "Dia de 10 de Junho/De Portugal/De Camões/Das Comunidades Portuguesas". Mas deixaremos isso para outra altura para explicarmos, melhor os factos, ocorridos, nas páginas deste blogue.

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Estou vencido, mas nunca convencido e sei que sou um Elias dificil de vencer os Golias.

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E abismado (aliás há muito) como a Embaixada de Portugal em Banguecoque tem sido gerida, desde Abril de 1999, por embaixadores, que até os cheguei a considerar da "nova geração".


Ora, antes, a Missão Diplomática de Portugal no Reino da Tailândia, era uma casa cheia de vida!


Depois, ano por ano, foi caindo e passou a ser um "Elefante Branco", alimentado pelo proprietário, no estábulo e não produz.


Mas se a Embaixada de Portugal, em Banguecoque, não produz e caminha para uma morte, lenta, não é por falta de verbas, mas sim pela péssima administração e funcionários, não qualificados, para as funções que lhe foram entregues.


Presentemente a embaixada só tem dois funcionários, diplomáticos, destacados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros: o embaixador e o número dois, que este na ausência do chefe de missão ocupa o cargo de encarregado de negócios interino.


A embaixada tem falta de: um vice-cônsul, um chanceler e dois administrativos: um principal (fui eu até 25.01.70); um assistente e a secretária do embaixador (embora exista uma mas não registada a sua presença no MNE, nas Necessidades).


Na Secção Cultural um leitor/a de português que exerça a função de Adido/a Cultural.


Na parte comercial um funcionário português, mesmo que não fosse lincenciado (não seria necessário), mas um jovem expedito, agressivo e com vontade de singrar na vida. 

Há, ainda, em Portugal algo que se venda na Tailândia: "excelentes compotas de frutos, azeite, as melhores sardinhas, do mundo, enlatadas, os deliciosos queijos das "ilhas", os do continente, vinhos do Porto, da Madeira e de mesa; azeitonas e outros produtos de grande qualidade que a sociedade moderna da Tailândia adquire".


A Embaixada de Portugal em Banguecoque não se pode dar ao luxo de ter dentro de portas a pagar a um funcionário que não fala o português (o Ministério dos Negócios Estrangeiros não tem conhecimento) sem produzir, estar durante o dia atrás do computador a falar com os amigos ou a vasculhar nos "websites" que nada têm a ver com a divulgação do comércio de Portugal.


Uma embaixada não pode ser usada como um asilo e albergar pessoas...


Com a chegada do embaixador Tadeu Soares, em Abril de 1999, a embaixada possuia: vice-cônsul, chanceler, admistrativo (que era eu e operava a secção comercial); secretária do embaixador e todo o quadro do pessoal estava preenchido.


A fragmentação do pessoal dá-se no início da missão do embaixador Tadeu Soares. Chega a Banguecoque com o "sangue na guelra" e pretende, desde logo, mudar pessoal (eu vinculado ao ministério fui ameaçado por três vezes com a rua, a carta, acima, aposta, guardada no cofre e lida por vários embaixadores quando chegaram a Banguecoque, arruinou-me!) e de facto, pessoal com mais de uma dúzia de anos de anos e outros com mais que quarenta e na proximidade de 50 foram despedidos sem qualquer compensação.

Depois de uma vida a servir o Estado Português e ganhando ordenandos de miséria, acabaram de se recolher nos templos budistas e morreram por lá.

Para o Bill (mordomo na residência do embaixador por mais de 40 anos) ter um funeral com dignidade no templo budista onde morreu, eu Ayuthaya, teve que se lhe fazer uma subscrição entre o pessoal da embaixada. 

Do chefe da missão, nem uma rosa foi enviada, ao templo budista, em memória do pobre Bill, que foi uma alma generosa, enquanto vivo a servir copos, aos senhores, nas recepções da embaixada.

Chama-se a isto a "ingratidão" diplomática que ainda há dois meses foi notada de quando o funeral do leitor português João Azeredo, não esteve presente um representante da embaixada de Portugal, a colocar uma rosa, em cima da urna do João, antes de ser cremado.


Começa, então, a embaixada de Portugal a ser uma casa de oportunidades, são admitidos funcionários estranhos ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, pelo embaixador Tadeu Soares e entravam conforme as suas aparências de face e empregando, estes, as suas habilidades para ocupar um lugar.


O vice-cônsul, o chanceler terminam na embaixada é admitido um "rapazinho", que andava pela Ásia na aventura, de quem o embaixador Tadeu Soares deu as melhores referência a Lisboa e ocupa o lugar de vice-cônsul. Para ocupar o de chanceler foi dado a um senhor, português, marido de uma senhora, dinamarquesa, que em comissão de serviço, na Delegação da União Europeia em Banguecoque.


Como teria que a companhar a esposa, por este mundo, lá conseguia uma ocupação, numa missão diplomática da UE, para passar o tempo e não viver e comer as "sopas" à conta da mulher.


Para a contabilidade (serviço do chanceler) Tadeu Soares admite (cremos velho conhecido) um tal Alipio Monteiro, de nacionalidade canadiana, (doente crónico da malária com inúmeras faltas durante o ano) que diz, para mim, reformado da TAP, para outros um homem de sucessos na área de vendas do petróleo, nos Estados Unidos, a quem lhe é entregue todo o serviço administrativo: compras, pessoal, contratos de obras etc.etc. etc.


Tadeu Soares deixa Banguecoque em fins de Julho de 2002, ocupa o seu lugar o embaixador João de Lima Pimentel. O tal "rapazinho" que era dada como vice-cônsul, com um ordenando de 2.200 dólares americanos, as Necessidades não lhe renovam o contrato e terminou a sua actividade e partiu.


Na missão do embaixador Lima Pimentel a embaixada continua no caminho da decadência e é aproveitada, novamente, para o aventureirismo e a penetração de novos elementos, em procura de oportunidades e o aproveitamento do tráfego de influências que uma embaixada pode oferecer, a "pândegos" que têm vivido à conta de expediente durante suas vidas.


O embaixador Lima Pimentel, levanta-se da cama tarde, chega ao seu gabinete depois do almoço e frenéticamente, cozinha dos jornais, uns telegramas que eu dactilografada, expedia para o MNE em Lisboa e pouco mais faz.


O número dois, Jorge Marcos (o que abandonou os portugueses, vitimizados na estância do Pukhet, depois da tragédia do Tsunami) era daqueles diplomatas, rudes, que se fechava no gabinete, horas e horas a quém não se lhe podia perguntar nada porque não se saberia qual seria a resposta, por norma sempre agressiva!


Lima Pimentel partiu de Banguecoque, onde passou um excelente tempo, e colocado em Oslo. Não deixou saudades nenhumas. Porém a sua administração é ruinosa e entregue todo o expediente, administrativo, ao canadiano Alipio Monteiro, que compra, efectua contratos, duvidosos, de obras, falsifica as assinaturas e desaparece material da missão.


Há dezenas se não centenas de recibos, sem o cabeçalho com o nome da firma onde ali está designado a compra, duvidosa, de material. Lima Pimentel não averigua a credibilidade dessas compras, tão-pouco procura sabê-lo. Assina todos os cheques que lhe apresenta o Monteiro, que se julga o "proprietário" da embaixada.
O número dois da embaixada, Luis Cunha (ainda, presentemente, na missão) sabe das manobras do Monteiro, conspira e não as transmite ao chefe de missão.


Mas voltando à falta de um Adido/a Cultural, a inexistência de eventos relativos, o dar início aos arranjos para a celebração dos 500 anos (2011) isso só pode acontecer pela inércia ou de vontade, própria.


Por escassez de verba ou dinheiro isso não existe na Embaixada de Portugal em Banguecoque, para fazer coisas "bonitas", sem desfalcar os cofres do Estado Português.


A Embaixada de Portugal é uma missão diplomática rica e única (acreditamos) no mundo, dado que tem "abastados" rendimentos.


Só que temos certas dúvidas se esses rendimentos terão sidos canalizados na direcção certa ou se os mesmo foram aproveitados para passeios e outros deleites, de vida, que a abundância de dinheiro, fácil, oferece.
José Martins

domingo, 31 de agosto de 2008

VILLA NORASINGH

"Villa Norasingh "(Palácio do Governo Tailandês), risco de arquitectos italianos dirigidos por Annibale Rigotti. Foi construído em 1925. Uma obra prima da arquitectura Veneziana e um dos mais lindos Palacios de Banguecoque. Hoje 31 de Agosto de 2008, desde há seis dias , O Povo tomou conta da área do Jardim, gritando, para que oo executivo do Governo do PM Samak Sundaravej, Caia. Temos esperança que dentro de diasO Jardim eA "Villa Norasingh", volte a dignidade que merece. Neste Palácio, ao longo de muito anos tem sido uma sala de hóspedes de altas individualidades Estrangeiras de visitas oficais à Tailândia. Em abril de 1987 o Primeiro Ministro Português Professor Aníbal Cavaco Silva foi recebido pelo PM neste Palácio Geral Prem Tinsulanonda e um almoço oferecido em sua honra sua, esposa e toda a comitiva que o acompanhava de regresso a Portugal vindo de Macau. Estivemos lá um tirar fotografias.






José Martins