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sexta-feira, 12 de julho de 2013

EÇA DE QUEIRÓS TRADUZIDO PARA A LÍNGUA TAILANDESA


A obra, clássica, do imaginário de Eça de Queirós, o “Mandarim” foi traduzida para a língua tailandesa e lançada no dia 30 de Março, na Galeria Nacional, contando com a presença de membros do Corpo Diplomático acreditado em Bangecoque, onde entre este se encontravam os Embaixadores do Brasil;  Director do “Fine Arts Department” da Tailândia, personalidades ligadas ao Ministérios da Cultura, dos Estrangeiros e professores das prestigiosas universidades de Chulangkorn e Tammasat (onde se ensina a língua de Camõe) portugueses, residentes na Tailândia;  membros da comunidade luso/descendentes; alunos de cursos de português e da imprensa tailandesa vocacionada para os assuntos culturais. O número de convidados rondava cerca de uma centena.

Descendente Português do Bairro da Imaculada Conceição, conversa com Embaixador Lima Pimentel e Prof.António Vasconcelos de Saldanha
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De Macau, deslocou-se à capital tailandesa, com a finalidade de assistir ao importante acontecimento, o Prof. Dr. António Vasconcelos de Saldanha, Presidente do IPOR (Instituto Português do Oriente), http://www.ipor.org  , cuja organização, a que preside, patrocinou a primeira edição do “Mandarim”.
 
O Embaixador Lima Pimentel felicita a tradutora Drª.  Pralom Boonrussamee e o revisor Dr. Wirat Siriwatananawin
 
O Embaixador de Portugal Lima de Pimentel depois de saudar os convidados, presentes, num improsivo descreveu a vida de Eça de Queirós como homem, escritor e diplomata em meados do século XIX. Seguiu-se depois a exibição de um vídeo, projectado em “ecran” panorâmico, onde em imagens, os presentes, poderam apreciar, em pormenor, as raizes do escritor; sua vivência como diplomata; de escritor que o eleva a um dos maiores, clássicos,  da literatura portuguesa.

Embaixador Lima Pimentel, num improviso, ilucida os convidados sobre a vida e obra de Eça de Queirós
 
Uma curta palavra de apresentação da presente edição
 O genérico do tema que o Embaixador de Portugal proferiu aos presentes: pela primeira vez uma tradução em língua tailandesa de uma obra de Eça de Queirós.

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José Maria de Eça de Queirós foi um génio da literatura portuguesa. Nasceu em 1845, licenciou-se em direito pela famosa Universidade de Coimbra e, partir de 1866 e até à sua infelizmente prematura morte em 1900, publicou uma série de romances, novelas, contos e colecções de artigos que constituem o principal acervo do período do chamado “realismo literário” em Portugal. 
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O realismo português sofreu forte influência da escola de igual nome em França, embora as duas escolas não se confundam.  Mas Eça de Queirós é sobretudo um individualista, com uma concepção estética humanista muito próprias que transcedem o paradígma do “realismo” e, de facto, fazem dele um escritor “de todas as épocas”. 
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Eça é um artista, crítico e lírico, irónico e apaixonadol, que pretende transmitir uma mensagem de convite à renovação da sociedade, através da apresentação e inter-acção dramática de personagens, que  caracterizam o “mundo português” da sua época, e “sofrem” os seus destinos em enredos que procuram reflectir a realidade de então.

O Conselheiro de Embaixada, Dr. Jorge Marcos, o Presidente do IPOR. Prof.Dr. Vasconcelos de Saldanha, o Representante dos lusos-descendentes escutam a alocução do Embaixador Lima Pimentel
 
“O Mandarim” fui publicado ao longo de 1879 numa edição-folhetim impressa no jornal “Diário de Portugal”. O leitor tailandês não terá dificuldade em reconhecer, lendo a sua obra, o que atrás procuramos expressar: Eça procede a uma crítica social e humana sem contemplações, baseada na percepção que fazia dos efeitos da ambição e do poder da riqueza sobre os seus contemporâneos.

A delegação da Embaixada do Brasil, que inclui o Embaixador Marco António  (segundo do lado esquerdo)
 
Mas o que caracteriza “ O Mandarim”, como obra especial e diferente de outras criações de Eça de Queirós, é o estabelecimento de um nexo entre o mundo do “realismo” e um universo imaginário – ligado a motivos da civilização chinesa – que não prejudica uma clara tipificação de personagens e situações alvos da crítica, mas igualmente incita a entender, passar além e perdoar...

O Embaixador Lima Pimentel ladeado pela tradutora Drª. Pralom Boonrussamee e a Conselheira Cultural Drª Ana Sofia de Carvalho
 
Estou certo de que os nossos amigos tailandeses retirarão momentos de prazer e de bom convite à reflexão da leitura de “O Mandarim”.  

Capa do livro “O Mandarim” de Eça de Queirós traduzido para a língua tailandesa

E que, assim, esta edição  contribuirá para aprofundar o conhecimento da cultura portuguesa na Tailândia e incrementar as relações tão antigas e sempre de espontânea simpatia, que desde 1511 portugueses e tailandeses entre si acarinham. E as minhas sinceras felicitações à tradutora!
 José Martins/2004