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segunda-feira, 8 de julho de 2013

DESPORTO: "ATLETAS PORTUGUESES EM BANGUECOQUE"

Portugueses num torneio de boxe (Muaythai)
em Banguecoque
Cinco desportistas, amadores, portugueses, da prática do boxe tailandês(Muaythai) vieram até à “Cidade do Anjos” para participarem num torneio, internacional, que teve lugar de 5 a 12 de Novembro de 2004. A equipa da “Federação Portuguesa de Kickboxing” foi chefiada pelo veterano e praticante, da modalidade, João Cardoso que inseriu no Festival Mundial de Boxe Tailandês Contra o Uso de Drogas (“World Championships Muaythai Against Drugs Festival”) os atletas seguintes:
 Marcos Lopes  – classe dos 54,00 quilos
Nuno Neves      -  classe dos 60,00 quilos
André Mendes  – classe dos 63,50 quilos
José Reis          -  classe dos 71,00  quilos
Angelo Vieira    -  classe dos 75,00 quilos

 
Antes de nos embrenharmos no desenvolvimento do torneio e para ilucidar os leitores vamos às raízes deste desporto que à primeira vista pode parecer violento o que na realidade,  assim, não acontece..

O “Muaythai” apresenta-se como uma forma de medir força, entre homens e mulheres jovens. Desde os  primórdios da existência do Mundo o ser  humano deseja mostrar, ao seu semelhante, o poder da vitalidade que possui.  
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Em suma o “Muaythai” é um desporto, nobre, e que há pouco mais de uma década ganha notoriedade no Mundo e, não cessa de crescer, com a aderência de simpatizantes e a fundação de novas federações, em diversos países, onde se inclui os Estados Unidos que pela primeira vez participou num torneio na Tailândia com 12 atletas.
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O “Muaythai”(Mueitai) é o desporto nacional na Tailândia. Os tailandeses praticam-no como uma forma de desporto ou de defesa desde 1257  e durante a era de Sokhothai; a primeira capital da Tailândia (de 1238 a 1377) e de quando os siameses saiem da condição de povo nómado, vivendo disperso pelas terras altas, por uns três mil e quinhentos anos, e se identificam com a nação “Muong Thai” (Terra Livre dos Tais).
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Os Tais são oriundos do sul da China, da província chamada Yunnan, e pertenciam a uma etnia minoritária, que não fugiu à regra da expulsão do território chinês pelas maiorias e, estas, sempre, com a tendência, natural, de seguir o curso dos rios em direcção à foz.

 
Um Rei de Ayuthaya (segunda capital dos tais), Pha Chao Sua, em 1702, é um entusiasta e praticante do “Muaythai” e luta, no ring, com os seus súbditos. O Povo siamês confere-lhe o título: “O Rei Tigre” dada a sua bravura nos combates. O Rei Pha Chao Sua luta e participa, incógnito em torneios nas redondezas de Ayuthaya. Encobria, assim, a sua identidade de monarca, entre os lutadores, para que estes não   favorecessem o seu Senhor e Rei com a vitória.  
 
 
Ayuthaya (Aiutaá) vivia dentro de um raro período de paz (as lutas entre a Tailândia e a Birmânia foram um quase constante) e, pretende, com isto, que os homens do seu exército  se encontrem em actividade plena. Ordena aos seus generais que dentro dos quarteis fossem ensinadas as técnicas do “Muaythai” e a realização de torneios entre militares. 
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O “Muaythai” está divulgado entre todas as classes da sociedade tailandeses. O pincel dos pintores exprimem-no, em imagens, nas paredes dos templos budistas como um desporto, de luta, nobre, onde os intervenientes, se identificam como valentes. 
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Mas, depois da luta, o vencedor não manifesta algo parecido que denote o desprezo pelo seu adversário que lhe possa  provocar a humilhação.
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O “Muaythai” além de ter sido ensinado e divulgado entre os soldados a luta, servir-lhes-à, como arma de defesa durante as batalhas de corpo-a-corpo.

 
Em 1774 um soldado tailandês, Khanohm Tom, famoso pela sua bravura nas lutas contra os birmaneses foi capturado e feito prisioneiro de guerra na Birmânia. Neste Reino são levados a efeito torneios de “Muaythai”, onde Khanohm Tom é inserido como lutador e, durante um combate, e vence, um-por-um, seguidos, 10  adversários dos mais famosos lutadores birmaneses. 

 
O Rei Mangra, birmanês é testemunha da luta e afirma depois: “todas as partes do corpo do lutador  tailandês estão benzidas com veneno; assim como as suas mãos, são capazes de fazer cair e  vencer nove ou dez adversários”.
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O monarca birmanês, admira Khanohm e concede-lhe a liberdade e, pode retornar, como homem livre, a Ayuthaya e ali, é ali recebido, entre os tailandeses, como heroi nacional. O “Muaythai” é  parte cultural de raizes  do povo tailandês e poder-se-à observar entre crianças de pouco mais de meia dúzia de anos.  
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No dia de 5 de Novembro a cerimónia de abertura e nos moldes, habituais, da hospitalidade tailandesa, teve as honras da presença do Vice-Primeiro Ministro,do executivo do Governo tailandês; os Embaixadores, acreditados, diplomáticamente, junto a Corte do Reino da Tailândia e com atletas a representar os seus países. 

Entre o grupo contava-se o Embaixador de Portugal Lima Pimentel que entrou no recinto, da inauguração, acompanhado do Vice-Primeiro Ministro Suwat Liptapanlop e de outras individualidades, tailandesas que estiveram presentes ao evento. 

 
Portugal foi o  primeiro país a  encetar relações de amizade com a Tailândia (Antigo Reino do Sião) e, estas, vêm dos longínquos anos de 1512 e na proximidade dos 500 anos. Portugal mantêm-se como a nação símbolo das relações entre a Tailãndia e a Europa.
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O Rei da Tailândia, Sua Majestade Bhumibol Adulyadej (visitou Portugal acompanhado de sua esposa a Rainha Srikit de 22 a 24 de Abril de 1960), sempre expressou a sua simpatia por Portugal aos Embaixadores portugueses, quando da  apresentação de suas  Cartas Credenciais.

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E raras são as cerimónias, governamentais, em que os Embaixadores de Portugal não ocupem lugares de honras. Mais uma vez aconteceu na abertura do “World Championships Muaythai Festival Against Drugs”
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O torneio ”Muaythai” realizado em Banguecoque foi sob o espírito: “pratique o “Muaythai” e abandone o hábito do uso e abuso de drogas”.           Na Tailândia e podemos afirmar com toda a convicção é um país aonde já não existe a produção de drogas leves ou pesadas. Não deixa porém que, esporádicamente, sirva de itinerário aos correios que a trazem de outras partes da Ásia.
 
As plantações do culvito da planta da papoila, produtora da resina que se transforma em a matéria prima e depois de destilada em heroína foram elimandas no norte da Tailândia e substituídas por outras culturas, onde se incluem os vegetais e as flores.   
        
 
O Rei da Tailândia teve uma importante acção na orientação, das populações, para que pequenos vales, intrincados, nas montanhas do chamado “Triângulo Dourado”, deixassem de ser terras, opiómanas,  proibidas e hoje transformados em jardins onde a cores do florir das rosas e o verde dos vegetais transformaram, para exuberante  beleza, o cenário da montanha.
 
Às duas horas da tarde um movimento desusual acontecia no espaço que compõe o centro de exposições de uma, das muitas, largas superfícies de vendas ao público a 20 quilómetros da baixa de Banguecoque. 

Cerca de 600 pessoas que constituiam os atletas participantes ao torneio, chefes de delegações, treinadores, massagistas e acompanhantes vindos de 71 países iriam perfilar perante a tribuna de honra onde as altas individualidades, tailandesas e representantes  estrangeiros convidados à cerimónia de abertura do torneio do “Muaythai” e, a de maior envergadura  levada a cabo até hoje.

 
Depois do desfile sucedem-se as sessões de fotografia, das delegações estrangeiras, para que levem a imagem para o seu país de orígem. Dezenas de fotógrafos de  jornais e revistas, batem “chapas” e, em directo, os canais de televisivos, de Banguecoque, transmitem o evento em directo, enquanto os estrangeiros fixam o desenrolar da cerimónia para, depois, via satélite chegarem, as imagens, às estações que representam.

 
No dia seguinte, 6 de Novembr,o o torneio via começar entre a “fina flor” de atletas, amadores, dos dois sexos que vamos relatar em seguida.

 
José Martins/2004