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terça-feira, 2 de julho de 2013

A MORTE DA PRINCESA GALYANI VADHANA - Uma grande Senhora

Wednesday, January 02, 2008
O Povo tailandês chora e está de luto, durante 100 dias, pela morte de Sua Alteza Real a Princesa Galyani Vadhana, até que seja realizada a cremação, segundo os rituais da Casa Real Tailandesa.
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Gentes em respeito à "Princesa do Coração" vestiu-se de negro e branco.
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Depois de prolongada doença a Princesa Galyani Vadhana apagou-se, no dia 2 de Janeiro de 2007, no Hospital Siraraj, em Thomburi, junto à margem do rio Chao Praiá e do outro lado de Banguecoque.
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Neta do Grande Rei Chulalongkorn e irmã do actual Rei Sua Majestade Bhumibol Adulyadej. Durante os seus 84 anos de vida dedicou-os ao serviço das gentes siamesas, em obras de caridade e interessando-se pelos menos bafejados da sorte. 
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Uma princesa de perfil intelectual de valor; Vice-Presidente Honorário da prestigiosa instituição de cultura a Siam Society, uma paixão, constante, pela fotografia herdada pelo seu avô o Rei Chulalongkorn. Fundou um museu de aparelhagem de fotográfica e onde se podem admirar máquinas do século XIX e de quando estas surgiram no mercado e revolucionam a divulgação da imagem. Os seus tempos livres dedicou-os à fotografia e à música e torna-se uma exímia executante do instrumento violino


Os pais: Príncipe Mahidol e Princesa Sri Sangwalya. A Princesa Mãe com seus três filhos: Princípes Mahidol (entronizado Rei Rama VIII), Bhumibol (o actual Rei Rama IX) e a Princesa Galyani, em Lausane, Suiça nos anos de 1928

Viajou muito e contribuiu para o excelente relacionamento diplomático entre a Tailândia e os países que visitou. Vimo-la, no primeiro dia de sua morte, em retransmissão televisiva, subir e descer as encostas da Ilha de Páscoa e admirar aquelas enormes estátuas, seculares, de granito. Sua vida foi marcada pela tragédia.
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O falecimento de seu Pai, o Principe Mahidol, o "Pai da Medicina" da Tailândia que abandonou os claustros e o protocolo da Casa Real e partiu para o estrangeiro especializar-se em medicina com o propósito de voltar ao Sião e aliviar as moléstias dos siameses numa altura em que grassava a malária e outras epidemias.
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Morreu no norte da Tailândia no exercício da prática da medicina onde a sua presença era necessária acudindo aos doentes e curar-lhe os males junto aos médicos, missionários, americanos.
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Anos depois e já na sua adolescência foi de quando seu irmão o Princípe Ananda Mahidol foi entronizado o Rei Rama VIII, viria a falecer em condições estranhas as quais, até hoje, nunca foram conhecidas.
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A Princesa Galyani nasceu em Inglaterra no ano de 1923 e de quando seu Pai estudava medicina. A única filha da Princesa Sri Sangwalya. Viveu uma vida intensamente dedicada, unicamente, a servir o Povo.
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Esteve ligada a Portugal e de quando inaugurou em 2 de Abril de 1995 o novo edifíco/museu no Ban Portuguete (Aldeia dos Portugueses). Estivemos lá a reportar em imagens o acontecimento. 
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Apenas duas fotografias, até esta data, foram inseridas num artigo, intitulado: "As Minhas Férias (no País das Maravilhas" que poderá ser lido depois de um clique: http://aquimaria.com/html/forum-Ferias.html
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Porém e como homenagem à Princesa Galyani outras imagens (das muitas obtidas que registaram o evento) são aqui inseridas.
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O barco ligeiro partia de Banguecoque em direcção ao Ban Portuguet

Na manhã de Domingo do dia 2 de Abril de 1995, um barco ligeiro partia da margem do rio Chao Praiá, junto à Embaixada de Portugal em Banguecoque, em direcção ao Ban Portuguete, com os Embaixadores de Portugal Maria Luisa e Sebastião de Castello-Branco; Dr. José Blanco, Administrador da Fundação Calouste Gulbenkian e esposa, o Ministro da Educação da Tailândia, o Núncio Apostólico, representante da Embaixada da Santa Sé na capital tailandesa; a Conselheira Cultural, junto da Missão Diplomática de Portugal, Ermelinda Galamba de Oliveira e ainda outros convidados. 
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Eu e o jornalista João Roque seguimos de Banguecoque de automóvel com a finalidade, de registarmos a chegada das personalidades que tinham viajado de barco e fazermos a cobertura do evento para a Agência Lusa (Macau). Mas o maior significado da cobertura de tão importante acto seria a presença da Princesa Galyani que iria inaugurar a obra.

Os embaixadores de Portugal Maria Luisa e Sebastião de Castello-Branco; a Conselheira Cultural Ermelinda Galamba de Oliveira; Dr. José Blanco e esposa à chegada ao acoradoiro da antiga Paróquia da Igreja de S.Domingos no Ban Portuguete. Lado esquerdo: o Embaixador Sebastião de Castello-Branco, Dr. José Blanco e dois arqueológos do Fine Arts Department, em Ayuthaya, aguarda a chegada de Sua Alteza a Princesa Galyani

Bem me parece transcrever o que já em tempos relatei: "O aldeamento (Ban Portuguete) na sua orígem, foi bastante extenso com mais de mil metros de comprimento onde foram fundadas três paróquias e espiritualmente administradas pelos Dominicanos, Franciscanos e Jesuitas. No local ainda estão envolvidas em denso matagal à espera que as ruínas sejam colocadas a descoberto as igrejas de São Francisco e a dos Jesuítas.. 
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A partir de 1982 e graças ao empenho do então Embaixador José Eduardo de Mello Gouveia e o entusiasmo do Dr. José Blanco, administrador da Fundação Calouste Gulbenkian que apoiada a concretização do projecto pelo falecido Presidente Dr. José Azeredo Perdigão a Gulbenkian viria subsidiar as escavações das ruínas e a construção de um belo edifício na Paróquia de São Domingos. 
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Portugal está, ali, condignamente representado para os próximos séculos e a reviver a memória às gerações vindouras a passagem e a presença da lusitanidade na velha capital do Reino do Sião".

Sua alteza a Princesa Galyani Vadhana é esperada pelo Embaixador Sebastião de Castello-Branco, o Dr. José Blanco e Núncio Apostólico. 
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"Verifica-se assim o desejo e, não menos o patriotismo do Dr. José Blanco na iniciação do projecto das escavações e a construção do edifício/museu que seria inaugurado em 2 de Abril de 1995, com a honrososa presença da Princesa Galyani, irmã de Sua Majestade o Rei Bhumibol, o Ministro da Educação, do Embaixador Castello-Branco e do Núncio Apostólico, além de outras individualidades ligas ao meio cultural da Tailândia" .


Sua Alteza A Princesa Galyani entra no edifíco museu que momentos depois inauguraria

E, pelo interesse que merece o brilhante e patriótico discurso que o Dr. José Blanco proferiu, dirigido às personalidades presentes e particularmente a Sua Alteza a Princesa Galyani apraz-me transcrever da língua inglesa, em tradução livre, o discurso aos presentes na ocasião:
 
" É para mim um grande privilégio estar presente a esta cerimónia representando a Fundação Calouste Gulbenkian, A presença de Sua Alteza Real é certamente uma honra para nós e apresentar a pedido dos meus colegas a Sua Alteza Real as saudações e os respeitosos agradecimentos da tão honrorosa presença. Sob os auspícios de Sua Alteza Real, nós estamos a reviver as palavras históricas de Sua Majestade o Rei Rama II, recordadas neste momento pela ocasião da doação do terreno em 1820 para instalar uma Feitoria S.M. mandou referir no documento: que favorecia a nação portuguesa mais que todas as outras. 
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Nós, igualmente, encontramo-nos honrados também pela presença de muito distintas autoridades tailandesas junto de Sua Excelência o Embaixador de Portugal em Banguecoque, mostrando assim o seu interesse e a importância de um projecto que é um exemplo, frutuoso, de cooperação entre a Tailândia e Portugal. 
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Esta cooperação amigável entre os dois países começou quase há cinco séculos e de quando Sua Majestade o Rei Rama Tibodi II deu as boas-vindas, em 1511, a um embaixador de Portugal enviado de Malaca por Afonso de Albuquerque, em nome do Rei de Portugal. 
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Os portugueses estão ainda hoje extremamente orgulhoso, não só pelo facto de terem sido os primeiros Europeus a conhecer este grande país mas também por ter sido a primeira nação a assinar, em 1516, um Tratado de Comércio e Amizade com o Reino do Sião.
 

Sua Alteza Real a Princesa Galyani, acompanhada das altas indivualidades, visita as ruínas da Igreja de São Domingos. O cicerone é o arqueológo, tailandês, Patipat do "Fine Arts Department" e quem dirigiu as escavações do Campo da Paróquia de São Domingos (Patipat é um velho amigo meu cuja amizade perdura há 25 anos).
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Este momento é profundamente comovente e de grande importância para nós Portugueses. Nós estamos comemorando a recuperação, comum, da herança histórica, precisamente onde os nossos antepassados viveram e morreram há mais de quatrocentos anos. 
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A Fundação Calouste Gulbenkian é uma organização filantrópica, privada, portuguesa que suporta e se envolve em projectos de caridade, das artes, da instrução e da ciência, não sómente em Portugal mas também no estrangeiro. 
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Em consideração as suas actividades internacionais a Fundação presta atenção especial aos projectos que se relacionem com a restauração de monumentos históricos portugueses em países estrangeiros. 
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Na solicitação de pedidos formulados pelas autoridades e com suas colaborações, nós executamos projectos no Quénia, República do Benin, em Marrocos, na Índia, no Brasil e Uruguai. 
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O interesse da Fundação Calouste Gulbenkian no projecto do estabelecimento das escavações principiou há doze anos em 1983. É de justiça recordar aqui o papel do Dr. José Mello Gouveia o elo de ligação e o seu empenho perante as autoridades tailandesas. 
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Sua Excelência era naquele tempo o Embaixador de Portugal em Banguecoque. A Fundação começou a contribuir para o projecto em 1983 de quando a primeira aprovação para as escavações arqueológicas das ruínas da Igreja de São Domingos. 
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Uma segunda concessão para a mesma finalidade foi efectuada em 1986 e, finalmente, em 1994, uma terceira contribuição foi atribuída para a construção do edifício que protege o cemitério.

 
Dr. José Blanco proferindo o seu discurso. Entregue uma lembrança a Sua Alteza a Princesa Galyani Vadhana.

Nós consideramos que o "Ban Portuguete" em Ayuthaya é um dos nossos mais relevante projecto internacional, não sómente porque era orientado de uma forma notável pelo "Fine Arts Department". 
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A partir de agora uma parte significativa do projecto da preservação histórica portuguesa, na antiga capital do Reino do Sião está concluída para o futuro. Desejo agradecer a todos os peritos e trabalhadores tailandeses que fizeram o seu melhor e se esforçaram empenhadamente para o bom sucesso do projecto de que a Fundação Calouste Gulbenkian orgulhosa de se ter associado a eles. 
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Sua Alteza Real, suas excelências, senhoras e senhores. Um poeta português, famoso, Fernando Pessoa, escreveu uma vez um poema sobre as descobertas portuguesas cujas linhas citarei: VALEU A PENA? TUDO VALE A PEQUENA SE A ALMA NÃO È PEQUENA.

A cerimónia terminou ao princípio da noite. Sua Alteza a Princesa Galyani é acompanhada pelas personalidades até ao ancoradoiro e partiu de barco até à cidade de Ayuthaya de onde partiria de automóvel para Banguecoque
BIOGRAFIA DA PRINCESA GALYANI VADHANA
Reconhecida como a protectora das artes, da cultura e das obras de caridade. Muitos projectos foram iniciados pela Princesa sua Mãe. O Povo Tailandês viria admirá-la pelo facto de não se envolver, demasiadamente, no protocolo real e em vez deste dedicar-se à saúde pública e às necessidades dos tailandeses. Foi uma intectual e conhecedora da música clássica francesa e com perfil raro de ensinar.
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A Princesa Galyani esteve incluída entre um grupo de mulheres da sua geração que foram educadas no estilo ocidental. Foram lhe concedidos doutaramentos em ciências, artes liberais pela Universidade de Lausana. Praticou na sua juventude os desportos de esqui, hipismo e vôo.
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Seguiu os passos da Princesa Mãe e dedicou toda a sua vida a causas dignas, sendo presidente de 63 organizações vocacionadas para actos de caridade.
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A filha mais velha do Príncipe Mahidol de Songkla e a Princesa Mãe, na altura mom Sangwal. Nasceu em Londres a 6 de Maio de 1923. Dois anos mais velha de seu irmão o Rei Ananda Mahidol, Rama VIII e quatro mais do actual Rei Bhumibol Adulyadej, Sua Majestade o Rei Rama IX.
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No seu assento de nascimento emitido em Inglaterra o nome designado foi de Mai. Mais tarde seu tio o Rei Vajiravudh, Rama VI concedeu-lhe o título: Sua Alteza a Princesa Galyani Vadhana Mahidol.
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Seu irmão Sua Majestade o Rei Bhumibol Adulyadej quando completou 72 anos de idade concede-lhe o mais alto título real: Sua Alteza Real Naradhiwas, ou de Krom Luang Naradhiwas Rajanagarindra. 
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Depois do nascimento no Reino Unido a família Mahidol voltou à Tailândia, para depois e quando a Princesa Galyani tinha dois anos partiu para a Alemanha onde o Príncipe Mahidol, seu pai iria continuar a sua cruzada de especialização médica. Na Alemanha nasceu seu irmão, segundo filho da família Mahidol, o Príncipe Ananda Mahidol.
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Mas a família Mahidol mais uma vez se muda. Príncipe Mahidol continua a ser um apaixonado pela medicina. Um Príncipe Real, um filho do Grande Rei Chulalongkorn que o preocupa a dor e as moléstias dos tailandeses e pretende minimizá-las. Parte para Boston (Estados Unidos) para estudar medicina na Universidade Harvard. Nasceu-lhe mais um irmão o Príncipe Bhumibol Adulyadej e o actual Rei da Tailândia. A Princesa era então matriculada num jardim de infância em Boston. Dá os primeiros passos na aprendizagem da língua inglesa.
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A Princesa Galyani mais tarde no seu livro "Nai Lek Lek de Jao": "Quando visitei a minha mãe no hospital depois de dar à luz o bébé príncipe Bhumibol, fiquei excitada, quando abria e fechava a boca. Desejava ver meu irmão e tocar-lhe nas mãos, mas não me foi permitido chegar junto a ele e observei-o através de uma divisão de vidro".
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Uma vez que o bébé Príncipe foi trazido do hospital para casa, divirtiu-se muito a ajudar a Princesa Mãe a dar-lhe banho, a vesti-lo e cuidar dele. Não sabia explicar se era mais uma ajuda a sua mãe se um divertamento de criança de 5 anos.
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A família Mahidol regressa à Tailândia em 1928. Seu Pai o Príncipe Mahidol após um ano da prática de medicina morreu de doença crónica em 1929. A Princesa Galyani tinha 6 anos de idade. A princesa Galyani continua no seu livro "Nek Lek Lek de Jao": Brincava no jardim, fui chamada para ir ter com minha mãe ao seu quarto. "Minha Mãe estava sentada numa cadeira junto à janela. Abraçou-me e disse-me algo que eu não compreendi e gritou. Eu gritei também". O meu Pai o Principe Mahidol, tinha morrido.
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Apesar do desgosto da perda do marido a Princesa Mãe tomou a seu cargo o cuidado e a educação das três crianças reais. Não descurou que os pequenos príncipes deveriam viver uma infância feliz. Os albuns da Família Real mostram os príncipes a praticarem jogos ao ar-livre, na areia, escavando canais na relva, montados em cavalos, planadores de papel para voar e nadar no mar.
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Depois do falecimento do Pai o Príncipe-médico Mahidol, a Princesa Galyani dava os seus primeiros passos na escola primária tailandesa. A conselho de sua avó a Rainha Savang Vadha, preocupada com a fragilidade da saúde do pequeno Príncipe Ananda Mahidol, aconselhou a Princesa Mãe a deslocar-se com as três realezas para a Suiça onde o clima (fora da humidade e calor tropical) seria mais propício para as crianças crescerem.
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Mas esta movimentação, além de livrar o pequeno Príncipe Ananda dos rigores do clima tropical , um dos objectivos teria sido para proteger os dois príncipes e a princesa, dada a instabilidade política de então. Princesa Mãe comungando com a Rainha Savang Vadha partiu para Lausane em 1933 e desde logo a Princesa Galyani é matriculada na escola Miremont.
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A política tailandesa de tumultosa alcançou finalmente o sossego e de quando o Rei Prachadhipok, Rama VII, abdicou em 1934. Então o irmão o Príncipe Ananda Mahidol, com apenas 9 anos, foi indigitado para, mais tarde, ser entronizado o Rei da Tailândia. Porém a Princesa Mãe, mesmo conhecendo que o Príncipe Mahidol viria a ser o próximo Rei da Tailândia, procura assegurar a seus três filhos uma vivência, a mais possível, normal. 
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A Princesa Galyani continua a sua educação numa escola superior de Lausane e no seu curriculum inclui as línguas alemã e o latim. Em 1938, com então 16 anos, está matriculada na Escola Internacional de Genebra. Completou os seus estudos, secundários e é lhe dada a classificação da terceira aluna mais aplicada na Suiça.
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Transita, depois para a Universidade de Lausane e escolhe estudar química, ciências e denota interesse pelas artes liberais. Fez exames paralelos em literatura, filosofia e psicologia na faculdade de ciência social.
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Em 1994 a Princesa Galyani viria a casar com o Coronel Aram Ratanakul Serirerngrit, homem sem qualquer título aristocrático e a Princesa abandonou o título real, segundo as normas da Casa Real. Nasceu uma filha dessa união, Thanpuyng Tasanavalaya Sornsongram. 
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Mais tarde o casamento acabaria em divórcio e seu irmão Sua Majestade o Rei Bhumibol Adulyadej restaurou-lhe os títulos e as honrarias reais. Em 1950 a Princesa Galyani dedicou-se à ocupação de professora e ensina por 9 anos, civilização, literatura, as artes e história de França, na Universidade de Chulalongkorn.
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Princesa é a Directora da secção de língua e literatura francesa, assim como de outros departamentos de ensino de línguas estrangeiras que cobrem o ensinamento da língua alemã, japonesa, o chinesa e a russa. A Princesa patrocina a associação dos professores de francês, tailandeses, para os ajudar a melhorar o ensino desta língua. 
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A Princesa, durante o período árido e da infiltração comunista no território tailandês, deu lições em universidades de províncias da Tailãndia, alheando-se ao perigo que corria.
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Devido às suas obrigações que a uma Princesa Real lhe estão atribuídas, foi forçada abandonar o ensino. Continua, mesmo já fora do ensino a suportar, todos os anos, a sustentação de várias instituições educacionais assim como a conceder a suas expensas bolsas de estudo a estudantes dos meios rurais e aos jovens com vocação musical.
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Suportou financeiramente a participação de jovens estudantes nos jogos olímpicos académicos. Foi uma entusiasta no incitamento a jovens estudarem nos campos da matemática, da física, da química, na ciência dos computadores e da biologia.
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Foi uma educadora do coração na saúde e interessada na educação das crianças autistas, tomou por sua conta o compromisso, em linha recta, facilitar a educação e melhorar e dar condições de vida às crianças autista.(Nota nossa: A Princesa Galyani teve um segundo sobrinho, Khun Poom Jensen, filho da Princesa Ubol Rattana Rajakanya, filha mais velhas de Sua Majestade o Rei Bhumibol Adulyadej, que nasceu autista, parcialmente recuperado, viria a ser vítima da tragédia "Tsunami", em 25 de Dezembro de 2004, quando praticava o desporto aquático, pilotando uma mota de água, sendo colhido pela onda gigante que o arremessou contra a parede de um hotel causando-lhe a morte na flor de sua juventude.
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Uma Princesa ao serviço do bem dos outros. Herdou de seu Pai o Príncipe Mahidol, a intuição de olhar para os mais carenciados e desprotegidos e oferecer-lhe saúde e o bem estar. É uma continuadora da causa iniciada pelo Príncipe Mahidol Songkla, o "Pai da Medicina Moderna".
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Quando a Princesa sua Mãe estava viva acompanhou-a quase sempre nas suas missões humanitárias onde se incluíam unidades móveis médicas para levarem aos pontos mais remotos da Tailândia assistência aos mais necessitados. A Princesa Mãe, por motivos de saúde, já não se podendo deslocar foi a Princesa Galyani tomou conta da obra da "Velha Senhora".
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(Nota nossa: "Por anos e anos admirámos a Princesa Mãe a "Velha Senhora", a viajar de helicóptero, de carro e a caminhar pelos carreiros das terras altas da Tailândia, para dar assistência às gentes pobres das montanhas vinculadas ao "Triângulo Dourado". As atitudes da Princesa Mãe, "Velha Senhora" consternavam-me, quando a via no vidro do televisor, de minha casa. 
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A toda aquela gente a Princesa dava uma palavra de conforto e um cobertor para a cama. Mas no seu caminhar por carreiros a benemérita, "Velha Senhora", interrompia o seu andar, baixava-se e colhia uma flor silvestre que por ali tinha nascido, ao acaso e cheiráva-a. Os meus olhos estavam perante uma imagem, patética e campestre que confortava o meu ser. Tinha à minha frente a Princesa Mãe de um Povo que nunca haja sido uma figura (que bem poderia) do palco protocolar dos movimentos palaciais de uma qualquer monarquia.
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Alargou as obras de bem fazer iniciadas e mantidas por muitos anos pela Princesa Mãe e já idosa como sua mãe, não olhou a sacrifícios e sua saúde e continou a sua missão até que as forças lhe começaram a fraquejar. Fez doações, avultadas, a diversas fundações de saúde entre estas a fundações para o transplantes de rins, cardíaca destinada às crianças com problemas de saúde do coração, residentes nos bairros de "lata" de Banguecoque.
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Uma Princesa escritora e afeiçoada à escrita. O seu primeiro livro dá-lhe o título: "Penned". Seguem outros um "Dek de Nitaan" são histórias para criança quando apenas tinha 9 anos idade. Escreve 11 sobre a história da família real e 10 sobre as impressões de viagem a países estrangeiros que visitou. Traduziu três livros.
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Quando professora, a Princesa Galyani Vadhana fez questão de compartilhar, com o público, e transmitir-lhe os conhecimentos que adquiriu. Viagens cobertas pelas câmaras de televisão que depois eram transmitidas pelos canais e isso iria contribuir para o ensino pedagógico dos estudantes tailandeses
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É uma amante dos animais, a Princesa Galyani, tinha especial afeição pela raça canina. O seu animal favorito era o "Sam sip" que significa o número 13 na língua tailandesa. Fundou um departamento na Universidade de Chulalongkorn cuja missão era o de olhar pelos cães vadios desabrigados. Inicia o projecto com uma unidade especial de emergência e hospitalar para os caninos abandonados e a necessitarem de tratamento veterinário.
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Além do seu amor pela música clássica suportou a música folclórica tradicional. Um grupo de tradicional de marionetes quando lutava com dificuldades financeiras para se manter em actividade e com o infalível encerramento, interviu junto às autoridades, para que o grupo se mantivesse vivo e o que eles transmitiam era uma parte da cultura tradicional tailandesa.
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No seu 72 aniversário Sua Majestade o Rei Bhumibol, concedeu-lhe o título de Krom Luang Naradhiwas Rajanagarindra, ou seja a Princesa Naradhiwas, honraria que lhe foi atribuída pela dedicação às obras de caridade. Apreciava a boa saúde que havia tido durante sua vida. Manteve toda a sua actividade até à idade de 80 anos.
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Sua filha, Thanpuyng Tasanavalaya, tentou persuadir a Princesa a fazer exames médicos anuais e exercícios físicos. Os conselhos da filha foram em vão. Após uma cirugia alguns anos atrás, a saúde da Princesa começou a deteriorar-se e teve que movimentar-se apoiada por um apetrecho com rodas onde a Princesa apoiava as mãos e empurrava. Mesmo assim nunca deixou de participaçar em eventos realizados nas obras de caridade e culturais que tinha criado.
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Em 15 Junho de 2007 a Princesa foi admitida no Hospital Siriraj onde os testes dão conta que tem um cancro do estômago. Já não saiu do hospital e ali permaneceu até ao dia que deixou de pertencer ao número de vivos. 
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A imprensa foi sempre informada das condições de saúde da Princesa Galyani. Em 25 de Outubro, quatro meses depois de ser admitida no Siraraj, a Casa Real, informa a imprensa que depois de observado o seu cérebo, alguns vasos sanguínios encontravam-se obstruídos. 
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No dia seguinte, dia 26, outro comunicado informava que o cancro abdominal detectado no estômago era do mesmo tipo do cancro de "mama" que lhe tinha sido detectado, extraído 10 anos antes e já em estado adiantado.
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No dia 31 de Dezembro e a finalizar o ano 2007, a Casa Real comunica que a Princesa Galyani tem dificuldades em respirar e os rins deixaram de funcionar. Pouco por pouco a Princesa foi tendo dificuldades em respirar e apagou-se às duas e meia do dia dois de Janeiro de 2008.Deixou unicamente uma filha Thanpuyng Tasanavalaya e um neto Jitas Somsonggram.
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Notas biográficas extraídas de várias publicações que passei para a língua portuguesa em "tradução livre"
José Martins