Translator

quinta-feira, 11 de julho de 2013

2006: PORTUGAL NO FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA EM BANGUECOQUE


Portugal esteve representado no Festival Internacional de Cinema 2006 de Banguecoque com a grande metragem “ODETE”. 
.
O filme transpõe para o ecran uma história  de vida, actual, onde no contexto da mesma deparamos com a homossexualidade,  a obsessão, de dois jovens por um amor que foi, por ano, para um e para outra, imaginário, que já não existe e jaz numa campa rasa no Cemitério do Alto de S.João, em Lisboa. 
.
.
Estamos perante uma história onde nos deparamos com a fantasia; a paixão ardente entre dois homens que se querem e uma rapariga que aspira ser mãe e obtém a negação do namorado com quem compartilha,sob o mesmo tecto,  o seu viver.
.
João Pedro Rodrigues, um cineasta de 38 anos, corajosamente, trouxe para a salas de cinema, uma história que embora nela se encontre o impossível da realidade, transmite a mensagem ao público que o amor entre dois homens que se amam, já não é um tabú dentro da sociedade em que vivemos.  

.
O filme principia com uma imagem de Pedro e Rui beijando-se, ternamente, junto à entrada de uma discoteca em Lisboa. Namorados há cerca de um ano, trocam alianças e juram amor eterno. Pedro parte enquanto Rui vai dar continuação à ocupação na discoteca onde trabalha. Minutos depois o Rui, liga o seu móvel para o de Pedro e este já não lhe responde.
.
Ouve, entretanto, um som que lhe trasmite que algo de anormal e fatídico tinha acontecido ao Pedro. Corre, loucamente, pelo caminho que o Pedro tinha tomado e vai encontrar a viatura “espatifada” de encontro a um muro. 
.
Pedro está encharcado de sangue, tenta reanimá-lo, em cima do “capot” do carro; não o consegue e apaga-se sem proferir uma só palavra que seja. 


Rui desesperado, encontra-se só no mundo, desamparado e a esperança de viver esvaída. Numa outra zona da cidade existe Odete, jovem dos arrabaldes de Lisboa que exerce a profissão de “mandarete”, patinador, num supermercado. 
.
Como namorado tem o Alberto, um guarda, da superfície comercial. Segue-lhe na alma o desejo de ser mãe e vir a ter um filho do Alberto e pede-lhe para que a engravide. Recebe em troca a negação e depois de uma troca de “palavrões”, por parte da Odete, agredi-o (os dois desnudos), em cima da cama, empurra-o para a porta e atira-lhe com a mala da roupa, para fora do apartamento.

.
A pobre da rapariga, humilhada, dentro do seu ser, cria um espaço de ilusões, onde se encerra. A Odete vive, também, o seu dia-a-dia com a obsessão e a esperança de vir a “parir” um filho. Ao chegar ao apartmento, encontra a mãe de Pedro, lavada em lágrimas, a sair para o velório onde filho já se encontrava dentro da urna. 
.
A Odete, conhecia, apenas o Pedro de olhares vagos que se resumiam aos de cruzamentos, esporádicos, de entradas e saidas no prédio onde viviam. Repentinamente a Odete tem um impulso sobrenatural, traja de preto e segue o itinerário da inconsolável mãe, já viúva, que caminha para o velório onde o Pedro repousa na urna.  
.
A rapariga, depois da recusa de Alberto a engravidar, chora a morte de Pedro e dentro dela nasce uma nova ilusão: o pensar, histéricamente, estar grávida de Pedro. 
 .
.
No velório a urna com o amor, necrológio, de Odete está no centro da sala. A um lado sentam-se pessoas, amigas e familiares que foram  prestar as últimas homenagens e o adeus à vida terrena de Pedro. 
.
Entre estas está a inconsolável mãe. O avançar da noite faz com que as pessoas fechem os olhos e durmam. Odete chega junto à urna, retira o lenço, bordado, que cobre o rosto de Pedro e beija-o na boca.
.
Olha para as suas mãos, sobrepostas, e num dos dedos está aliança, que tinha selado o amor eterno com o Rui. Surrateiramente, não descurando observar se algum presente está acordado e tenta retirar o anel do dedo do defunto. 
.
Não o consegue com as mão e fá-lo, com êxito, usando os dentes.
Registam-se, no correr do filme outras cenas dramáticas, que deixa o espectador em “suspense” até ao final da película. 

Da esquerda para a direita: João Pedro Rodrigues,Rui Poças, Ana Cristina (Odete),Nuno Gil (Rui), João Carreira (Pedro), Maria João Sigalho e Rafael Hernande (direcção/imagem)
 .
Tomadas de imagem dentro do cemitério do Alto de S.João, nocturnas e diurnas, embora, estas, num espaço que podem causar calafrios são compensadas, pelo interesse, do espectador no desfecho da história de uma Odete, imagináriamente, grávida de um Pedro que mal o conhecia e que já não pertence ao número dos vivos.
.
João Pedro Rodrigues, inteligentemente, teve a arte de saber manobrar o espectador e transmitir-lhe a mensagem que dentro de cada humano queda-se uma obsessão de “qualquer coisa”, cujo cada qual a preserva, silenciosamente, mas no caso da Odete,assim não aconteceu na sua totalidade... manipulou, um quinhão dessa obsessão, dado que ela sabia que não se encontrava grávida. A negação de Alberto em lhe fazer um filho, feriu o seu instinto de mulher e o desejo de procriar. 

João Pedro Rodrigues, depois da exibição do filme, responde às perguntas que lhe foram colocadas pelos espectadores
Uma Odete que se refugia no mundo de sonhos; de invisibilidade e introduz no seu cérebro um morto/fantasma (que bem poderia, ser vivo) chamado: Pedro.
.
Porém, a longa metragem, Odete, merece ser vista e apreciada. Os entendidos, a nível mundial, na sétima arte têm tecido os melhores elogios e criticas de boa referência ao fime de João Pedro Rodrigues.
.
Tivemos a oportunidade de contactar, em Banguecoque, com o cineasta e encontramos nele um homem de poucas palavras, alguma timidez quando foi questionado pelos espectadores depois de terem assistido ao seu filme. 
.
Dado aos numerosos filmes, simultâneamente exibidos em numerosas salas onde decorria o Festival Internacional de Banguecoque, a sala comportava cerca de 50% dos assentos. 
.
Acreditamos sem a menor ponta de dúvida que em exibição, fora do certame, Odete teria um retumbante êxito não só de bilheteira como de  repercussão perante a opinião pública.
.
É de realçar que Portugal estivesse representado no Festival Internacional do Filme na capital tailandesa que de ano para ano vai ganhando contornos no mundo do Cinema.
José Martins
P.S. Distribuidora do filme: www.rosafilmes.pt  - E-mail: rosafilmes@esoterica.pt