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sábado, 22 de junho de 2013

VISITA DE RAMA V DO SIÂO

 
O Rei Chulalongkorn do Sião Visitou Portugal
(Segunda Parte)
 
<< O dia de hontem -  No Hotel Braganza  Visita aos efifícios – A Recepção – O chá em Cascaes – Outras notas. 
O dia de hontem era destinado á visita da monarchia siamez aos edificios publicos e museus.
Não poude porém realisar-se o programma, conforme estava traçado e nós publicamos , em consequência de sua majestade ter-se levantado tarde e encontrar-se bastante massado da viagem desde Sevilha e do dia de ante-hontem em que pouco tempo teve para descançar.>>
 
No Braganza
O rei Chulalogkon levantou-se às 10 horas e meia da manhã, sendo-lhe servido nos seus aposentos o petidejeuner.
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Em seguida recebeu a visita do sr. Conde de S. Januário que era acompanhado pelo sr. Tenente-coronel Moraes Carvalho, antigo adido militar na corte de Siam. À 1 hora e três quartos da tarde, o rei do Siam recebeu a visita do sr. Infante D. Affonso, que em nome de sua augusta mãe a sr.ª D. Maria Pia, foi agradecer ao monarcha oriental a sua visita de ante-hontem ao palácio d’Ajuda.
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O Sr. infante era acompanhado pelo sr. D. José de Mello Sabugosa. No hotel paço estiveram tambem os srs. Marquez de Pombal, João Aitrcão, monsenhor Ajuty nuncio de Sua Santidade, etc.
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O sr. D. Affonso rettirando-se um quarto de hora depois, formando a guarda e excutando a banda o hymno portuguez. Pouco depois  das 2 horas começou o almoço, a que assistiram além do rei do Siam e altos dignatários da sua corte, o srs. Marquez de Fronteira, Roberto Ivens, D. António Paraty e capitão Menezes e alferes Barba e officias da guarda do paço.
A guarda era de caçadores nª 2.
Ao almoço serviu-se o seguinte
                                                         
Menu
Olives farcis
Bors d’oeuvre a la reine
Oeufs Cecilies
Saumon à la Daumont
Cotes de boeuf grillees  sauce
Bearnaise
Pommes soupplées
Fonds d’articliants á la Parisiennne
Gravits au Kirach
Dessert  Café
 
A Comitiva
A comitiva do rei do Siam levantou-se às 8 horas, conservando-se por muito tempo no terraço do hotel a disfructar o lindo panorama que d’ali se offerece.
Assitiu ao render da guarda, às 9 horas, achando que essa cerimónia militar não é tão aparatosa como em Madrid, almoçando às 11 horas o seguinte:
 
Menu
Consommé aaux perles
Canapés à la Victoria
Barbeurre à Montpensier
Toursudes Rossini
Cailles braiseés au riz
Haricot Verts beurre
Salade
Glacés Prolinces Patisserie
Café
 
Notas do hotel
De manhã os ministros e o secretário do rei de Siam foram deixar cartões de visita em casa do sr. presidente do conselho, na so sr.ministro dos estrangeiros e ao palácio do Nuncio.
Mais tarde dirigiram-se ao ministério dos negócios estrangeiros.
- O rei Chulalongkon dispensou a guarda de honra de cavalaria.
- O serviço de polícia foi feito por 20 guardas, sob as ordens do chefe Pedro.
- Durante o almoço a banda de caçadores 2 executou varias peças do seu reportório.
-  Parece que o rei do Siam assistirá hoje aos espectaculos no teathro D. Amélia e Colyseu dos Recreios.
 
Passeio pela cidade
Esperava-se que a magestade siameza saisse do paço às 2 horas para percorrer os monumentos mais curiosos. Mas como foi a essa hora que o almoço começou  só poude sair às 3 ½ da tarde. Era grande a impaciência do povo que se aglomerava na rua Paiva d’Andrada. Aquella hora, pois, o rei de Siam partiu do hotel em carruagem da casa real, precedida de batedores, acompanhados de seus dois filhos e do sr. marques de Fronteira. Seguiam-se outras carruagens com a comitiva siameza, em que tomaram logar os srs. Roberto Ivens e D. Antonio Paraty.
O sr. governador civil seguia no couce do cortejo a apos esta carruagem mais duas com representantes de jornais de Lisboa.
O rei, a corte e resto da comitiva trajavam à paisana, de chapeu alto. O cortejo seguiu o seguinte itinerário – Chiado, rua do Carmo, Rocio, Avenida, ruas Alexandre Herculano, Rodrigo da Fonseca, S.Mamede, da Escola Polytechnica, de D. Pedro V, de S. Pedro de Alcantara, de S. Roque e Alecrim, praça dos Remolares, ruas 24 de Julho, do Calvario, da Janqueira a Belem e Jeronymos, onde chegou às 4 ½ em ponto. O rei achou a nossa Avenida encantadora e gabou o edificio da Escola Polytehcnica.
Nos Jeronymos
No largo a multidão era enorme, abrindo a policia, sob o commando do sr. capitão Dias, duas compridas e compactas alas, por entre as quaes desfilaram as carruagens.
Tanto as ruas do transito até ali, como no largo de Belem, o povo que assistiu á  passagem de Chulalongkon descobria-se respeitosamente cabal prova de que Portugal é um paiz civilisado.
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O rei do Siam correspondia aos cumprimentos do povo com a maxima cortezia e pairando-lhe nos labios o seu sorriso mais amavel. No portico do sumptuoso templo achavam-se 30 alunnas do asylo do Campo Grande, com o sua professora sr.ª  D.  Damiana da Purificação Duarte as quaes estão actualmente a banhos em Pedrouços.
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O rei foi recebido pelo sr. capitão Dias e pelo sub-director da Casa Pia, sr. Alfredo Soares e outras pessoas, entre as quaes muitas senhoras. Chulalongkon, seguido de todos os personagens que já referimos, visitou os claustros dos Jeronymos que admirou por algum tempo.
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Em seguida visitou o tumulo de Alexandre Herculano, a que não ligou grande importancia, dando novamente volta pelos claustros até ir outra vez à porta por onde entrara. Seguindo pela nave da esquerda entrou na capella do Senhor dos Passos, detendo-se algum tempo examinando o Senhor Morto. Todas as capellas e altares achavam-se illuminados. D’ali passou o soberano siamez a nave central, admirando as abobodas e as columnas que são como se sabe, um primor de  arte.
O rei manifestou a sua admiração ao sr. marquez de Fronteira, por tão distincto trabalho e por monumento tão grandioso. Examinou tambem a capella dos Santissimo, avançando sosinho até junto ao altar, onde se deteve a admirar os baixos relevos dourados. Passou d’ali à capella de S. José da Virgem; altar mór, que examinou com curiosidade e outros altares, descendo pela nave da direita.
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Chulalongkon tomou logo a carruagem, tendo gasto na visita apenas um quarto de hora Não quiz visitar o Muzeu Colonial, por que era já tarde e pelo mesmo motivo não foi à torre de Belem, onde era esperado, e onde se achava uma força de polícia sob o commando do chefe Maldonado.
Regresso ao hotel
Eram mais de 4 ¾ quando o rei e o cortejo se poz em marcha para o hotel Braganza. Nas ruas, muito povo avido de curiosidade, e pelas jannelas bastantes senhoras. O povo sempre respeitoso descobria-se e as guardas por onde o cortejo passava  prestavam as honras devidas a alta gerarchia do nosso regio hospede. Ao hotel chegou o rei Chulalongkon cerca das 5 ½ horas, tendo trazido o mesmo trajecto, subindo a rua do Alecrim e atravessando o largo das Duas Igrejas.
 
Recepção do corpo diplomatico
Não se realisou, como fora determinado, a recepção do corpo diplomatico pelo rei do Siam, ás 11 horas da manhã. Esta cerimonia foi transferida para quando o monarcha oriental voltasse de Belem, e  por isso so se realisou no regresso ao hotel. Começou portanto a recepção pouco depois das 6 horas, assistindo a comitiva do rei e dignatarios portuguezes ás suas ordens.
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Concorreram os seguintes diplomatas: - Principe de Cariatti, encarregado de negocios de Italia,ministro de Inglaterra; ministro dos Estados Unidos da America; D. Angel Ruata, ministro de Hespanha; coronel Godinez, adido miitar hespanhol; ministro da Allemanha; monsenhor Ajuti, nuncio de Sua Santidade; encarregado dos negocios da Belgica; mr. Altizé, encarregado de negocios da França; ministro da Russia, e encarregado de negocios da Austria-Hungria.
A recepção terminou ás 6,20 minutos.
 
O jantar
O jantar começou ás 7 horas da tarde, assistindo o rei do Siam, comitiva, srs. marquez de Fronteira, capitão de fragata Roberto Ivens, D. Antonio Paraty, capitão Menezes e alferes Barba, da  guarda de honra, tocando durante o jantar a banda de caçadores 2. O rei do Siam ostentava já a banda das tres  ordens, com que foi agraciado pelo Rei de Portugal.
Menú
The Braganza
Lisbon 23 october 1897
His majesty’s dinner
Potage
Crémes Nantua
Consommé de volailie
Friends a la Rotschild
Filets de barbue a la Mornay
Yambon dº York a la Danoise
Chafroid de calles a la Nova
Haricots vert á Langlaise
Faisans de  Boheme trufles
Glace ananaa
Breton
Dessert
Café
O jantar acabou pouco depois das 8 horas, dirigindo-se em seguida o rei e comitiva para o caes do Sodré, onde tomou o comboio para Cascaes.
Do hotel Braganza a Cascaes
Depois do jantar, como dissemos, dirigiu-se o nosso  hospede siamez para a estação do Caes do Sodré, onde tomou  logar no comboio real que partiu as 8 horas e 45 minutos. Era composto da locomotiva 0,81 carruagem de 1ª classe para a imprensa, duas carruagens salão e o salão real. Era grande a quantidade de povo que aguardava a chegada do rei do Siam, e  em extensas alas e pittorescos grupos estendiam-se no Caes do Sodré compacta de massa de povo. O serviço de policia era feito por 30 guardas, sob o commando do chefe Costa, e manteve-se sempre com cordura e paciencia. Chulalongkon e a sua comitiva trajavam casaca, ostentando o monarcha oriental  a  banda da tres ordens.
Acompanhavam-no como officiaes ás ordens o sr. marquez de Fronteira, capitão de fragata Roberto Ivens e major D. Antonio Paraty, seus filhos e a sua comitiva. Por parte da Companhia Real tomaram logar no comboio  o srs.  Garcez, chefe de secção; Guedes, sub-chefe do movimento; Bossa, sub-chefe da exploração; Dias, inspector e dr. Moncada. Da imprensa seguiram tambem no comboio  real representantes do Popular e do Diario de Noticias.
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A noite amenissima de hontem tornou ainda mais agradavel o trajecto; e quando se chegou  a Santo Antonio do Estoril, Chulalongkon veio a varanda da janela do salão, admirando o espectaculo verdadeiramente assombroso e indiscriptivel   que produzia aquella pittoresca bahia, tendo ao longo, destacando  se formosamente atravez os clarões produzidos pelos centenares de tigelinhas, balões e barricas de alcatrão a elegante silhouette da cidadella desenhada em todas as suas linhas, por milhares de luzes de côres varias.
A chegada
Desde as 7 horas e meia da noite uma  enormissima quantidade de povo convergia para a estação de Cascaes, para aguardar  a chegada de Chulalongkon. Extensas filas de trens  onde se viam as principaes familias que estão na formosa villa, se agrupavam proximo a gare Apesar do serviço que ali era delicadamente dirigido pelo chefe Bazilio ser muito bem feito, a agglomeração de ccuriosos era de tal ordem, que se tornava dificil dar um passo. Na plataforma da estação, era o rei do Siam aguardado por sua alteza o sr. infante D. Affonso, e o seu ajudante de ordens, D. José de Mello, o sr. Fernando Castello Branco, administrador do concelho, D. Fernando Angeja e o nosso amigo e incansavel presidente da camara de Cascaes, sr. Jayme Arthur da Costa Pinto.
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Era tambem grande o numero de damas e cavalheiros que se achavam na gare, entrando ali o comboio real ás 9 e ¾ da noute, sendo saudado pelo himno siamez, executado pela banda dos bombeiros voluntarios.
Na cidadella
Apenas o rei do Siam chegou a cidadella, onde foi recebido com todas as honras, passou  mais a sua comitiva ao terraço, d’onde se difrutava o effeito mais surpreendente  e phantastico que se pode imaginar. O soberano oriental dizia, n’aquella occasião, imaginar-se  transportado a um dos castellos encantados das Mil e uma noites. No terraço tocava a banda da guarda municipal sob a regência do maestrol Gaspar, que executou o hymno siamez.
Pouco depois de ali chegar o soberano de Siam, deu-se uma salva de 21 morteiros e começou em seguida a queimar-se o fogo do ar. O fogo era nacional fornecido pelo pyrotechnico da rua do Alvito, sr. Domingos Antonio da Silva, e bem podia rivalizar com o melhor importado de Inglaterra. Custou apenas 330$000 reis, enquanto que, se fosse estrangeiro, custaria alguns contos de reis. Sobretudo o que causou verdadeiro pasmo e admiração, foi uma peça que ardeu no mar, que se transformou n’um elephante branco, com movimentos na tromba. Chulalongkon achára as iluminações ultra bonitas e assim o communicou a el-rei D. Carlos, perguntando ao mesmo tempo se  aquillo era uma festa popular.
 
O elephante impressionou-o assim como ao sequito, achando-o uma maravilha pyrotechnica. Achavam-se na cidadella por convite de suas magestades para presencerarem o bello effeito das iluminações e assistirem ao chá, as seguintes pessoas: condessa de Seisal e filha, duques de Palmela, conde de Ficalho, conde de Sabugosa, irmã e filhos, D. Maria de Menezes, marquezes do Fayal, condessa de Sabugal e filhos, condes d’Anadia, conde da Lapa, conde da Figueira e filha, conde Valbom, conde das Galveias, condessa de Paraty e filha, condes  de Arnoso e filhas, Jorge O’Neill, esposa e filhos, condes de Mossamedes, filhos e sobrinhos, duque de Loulé e filha, visconde da Lançada, D. Izabel Almeida, marquez de Pombal e filhos, marquez da Fronteira, ministro da America e esposa, encarregado de Italia e esposa, secretariko da Russia e esposa, encarregado da Austria, 2º secretario da Hespanha, segundo secretaro da Allemanha, almirante Baptista d’Andrade, D. Fernando Serpa, D. Antonio de Noronha, senhora e filha, Fernando Eduardo de Serpa Pimentel, Antonio Pinto Basto e esposa, Antonio Waddington, Jo\ao Velelz Caldeira, Custodio Borja e esposa, Thomaz Rosa, Pimentel Pinto e esposa, Costa Pinto e esposa, D. Fernando Pombeiro  e esposa, governador da Pra;a, presidente do conselho e esposa, ministros da marinha, da justiça, dos estrangeiros e esposas, e das obras publicas, etc.
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As 11,10 minutos foi servido o chá, tocando a banda o himno siamez, quando o monarcha oriental se retirou do terraço, tocando mais algumas peças durante a refeição. Pouco antes de se servir o chá, um grupo de pessoas que estavam no passeio Maria Pia fizeram uma chamada ao nosso amigo Costa Pinto, pela brilhante illuminação. De toda a parte irrompiam palmas e bravos, que elle agradeceu do terraço da cidadella.
 
As illuminações
Não se pode  descrever, em nota d’informação feita com a precipitação de quem tem que ver muito em pouco tempo, o effeito realmente phantastico que produzia a vasta bahia de Cascaes, onde milhares e milhares  de luzes de várias cores, contornando quer as sinuosidades da rocha, quer as linhas geometricas dos edificios, em caprichosas curvas, não se pode descrever o quadro extraordinário que offereciam as iluminações organisadas para festejar a visita nocturna de Chulalongkon áquela vila.
 
Desde o Estoril, onde, milhares de tigellinhas espalhadas pelas encostas e combinadas com centenas de barricas de rubro fogo formavam maravilhoso conjunclo, até á curva produzida pela muralha de Cascaes, o quadro era tudo que ha de mais surprehendente e extraordinario. No Estoril, sobresahiam pela sua brilhante illuminação os chalets da sr.ª duqueza de Palmella, marqueza de Fayal, dos srs. Carlos Anjos, Schroetet, Ornellas, Arouca e outros. Na villa, sobresahiam pela sua caprichosa illuminação a casa da camara, caserna dos bombeiros voluntarios, casino, onde havia 2.000 lanternas, e muitos outros edificios   publicos e particulares.
Esse extraordinário conjunto de luzes, visto a distancia era realmente assombroso e á actividade do nosso amigo Costa Pinto, que incansavel auxiliado pelo administrador D. Fernando Castello Branco, Rodrigo Caldeira, secretario do municipio, e o estimado agronomo Ferreira Santos, se deve em grande parte o brilhantismo d’aquela festa que parecia um verdadeiro conto das mil e uma noites, realisado no nosso bello cantinho tão apreciado por todos quantos o ignoram.
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Desde o Estoril, pela margem do Oceano até á cidadella, notavam-se centenares de tigelinhas, balões e lanternas. A titulo de curiosidade, indicaremos o numero dos  elementos empregados  na iluminação: Lanternas de azeite 13:000, lanternas de stacarina 2:000, balões 9:000, Tigelinhas 10:000 e mais 900 barricas de alcatrão collocadas no percurso do vasto areal do que foi empregado na iluminação elevou-se a mais de 200 praças de infantaria e cavallaria. 
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No mar, produziam tambem bello efeito, as iluminações dos yatch D.Amelia, canhoneira Nandovy, a Lia, vapor Dragão e outros barcos. Nas ruas era na verdade enorme a concorrencia de povo, e o comboio que chegou minutos antes do comboio real a Cascaes, veiu completamente cheio.
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Mas apezar de talvez se encontrarem na pittoresca villa mais de 12 mil pessoas, o serviço de policia , feito com toda a delicadeza e urbanidade, serviço que havia sido reforçado hontem por mais 15 guardas sob as ordens do chefe Bazilio, não deixou nada a desejar. Sua majestade a rainha srª D. Maria Pia, acompanhada pela srª D. Eugenia Niza e sr. Benjamim Pinto, foi em trem do Estoril a Cascaes, onde chegou ás 10 horas e meia da noite, andando a ver as iluminações.
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Deve o rei oriental guardar uma bella recordação da sua visita nocturna a Cascaes e, certamente da sua viagem pela Europa a festa de hontem, será mais uma das paginas mais salientes. Devemos ainda notar que foi a camara de Cascaes quem forneceu a toda a villa os necessários elementos de iluminação, devendo tecerem se ao municipio os maiores elogios pelo deslumbrante espectaculo que realisou em honra do nosso regio hospede.
 
Regresso a Lisboa
A partida da cidadella realisou-se ás 11,50 minutos. Antes tinham suas magestades, os reis de Portugal apresentado o monarcha siamez e a comitiva ás damas que ali se achavam, e por ultimo Chulalongkon apresentou tambem  a  sua familia e os dignatarios.
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Pelo caminho até á estação organisou-se uma marcha aux flambeaux, com mais de cem archotes, formando duas alas os individuos que os conduziam, ladeando as carruagens do rei de Siam e do seu sequito. A multidão era enorme nas ruas e a custo se podia atravessar Á meia noite partiu o comboio real em direcção ao Caes do Sodré, acompanhando os srs. presidente do conselho e esposas, conselheiro Mathias de Carvalho, governador civil etc., chegando ás 12,50 minutos.
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O rei entrou no Hotel Braganza á 1 hora, ao som do hymno siamez. Pouco depois foi-lhe servido, nos seus aposentos, chá e torradas. Em seguida o rei Chulalongkon enviou para Nopoles, 2 telegrammas, em inglez, aos seus secretarios, com respeito ao proximo regresso a Siam.
 
Telegrama
A sua magestade el-rei D. Carlos – Cascaes
ás 9 horas na noite. – Urgente. – Sua magestade o rei do Siam encarrega-me de agradecer a vossa magestade a a sua magestade a rainha sr.ª D. Amélia a brilhante recepção que levem essa cidadella e onde traz as mais gratas e inolvidaveis recordações, aproveitando o ensejo para pedir a vossa magestade que o desculpe do almoço de amanhã (ou logo) em Cintra, pois encontra-se muito fatigado e tem uma longa viagem em perspectiva.Beijo a augusta mão de vossa magestade. Marquez da Fronteira, camarista.
 
Notas
Quando o rei saia dos Jeronymos, uma mulher do povo offereceu-lhe um memorial pedido esmola. Chulalongkon olhava para ella sem perceber o que ella queria, mas a mulher, sem desistir, continuava ao lado do soberano siamez com papel na ponta dos dedos e olhos suplicantes. O sr. capitão Dias, que presenceou, fez desviar a mulher, dizendo-lhe que aquella magestade não aceitava petições de esmolas.
- Durante o trajecto para Belem e vice-versa formaram as guardas de S.Pedro d’Alcantara, Ribeira Nova, quartel do Ultramar e Paço de Belem.
- Os srs. dr. Zofimo Pedroso, visconde de Gabrella e Martinho Guimarães,presidente e vereadores da camara municipal, estiveram no Braganza hontem de tarde, assignando os seus nomes.
- O aparelho de gaz acetylene fez projecções á entrada e saida do corpo diplomatico, produzindo bom efeito.
- As carruagens fornecidas pela casa Monte Christo, na rua Formosa, hoje propriedade do nosso amigo José Mendes, eram manificas, muito asseadas e com excellentes parelhas.
Esta casa tem contracto para aluguer de carruagens enquanto o rei de Siam estiver em Lisboa.
- O rei de Siam manifestou desejo de possuir todos os numeros do Diario de Noticias, que falam da sua viagem e principalmente da chegada a Lisboa. Foi-lhe satisfeito esse desejo, enviando-se-lhe todos os numeros desde o 1º do corrente mez.
- O soberano de Siam agraciou com as commendas da ordem do Elephante Branco os srs. marquez da Fronteira e Roberto Ivens, e com o habito da mesma ordem o sr. D. Antonio Paraty.
- O rei do Siam durante os dois dias que está em Lisboa tem enviado telegramas no valor de reis 500$000 para seu paiz.
- Por determinação superior foi ordenado que ás praças da guarda de honra no paço-hotel, lhes sejam abonadas eguaes gratificações as que recebem nos paços reais.
- Sua magestade o rei de Siam e todos os personagens da comitiva muniram-se de plantas de Lisboa, que acham formosissimas, gabando muito o nosso tejo.
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- Um dos ajudantes do monarcha siamez esteve hontem de manhã no terraço do hotel  tirando varios clichés photographicos. A’s 11 ½ horas da manhã como estava determinado achavam-se reunidos no commando geral e de grande uniforme todos os officiais pretencentes ás repartições do mesmo commando, ao deposito geral e aos estabelecimentos fabris, para receberem o rei siamez, visita que, como dizemos adiante, não se realizou.
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Eram 2 horas e um quarto quando o sr. marquez de Fronteira mandou communicar ao sr. general commandante geral que o rei de Siam não ia visitar nem o museu nem as fabricas.Depois d’esta communicação, o sr. general Antonio Candido da Costa mandou telegraphar para o ministerio da guerra perguntando se os estabelecimentos poderiam ou não fechar a hora regulamentar e, obtendo resposta affirmativa, mandou retirar todos os officiaes que já estavam cançados de esperar. No largo da Fundição de Baixo e no campo de Santa Clara havia muito povo.
O comboio de retirada
Á’s 11 horas da noite de hoje, deixará Lisboa, partindo para Barcelona. O comboio no trajecto de Lisboa a Valencia de Alcantara terá as seguintes paragens: um minuto em Sacavem; 4 minutos em Santarem; 6 no Entroncamento; 2 em Tancos; 4 em Abrantes; 5 na Torre das Vargens, e 9 em Marvão. A Valencia de Alcantara chega ás 5 horas da madrugada de amanhã, e a Barcelona na segunda feira pela manhã.
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O comboio em que viaja Chulalongkon, compõe-se de 2 fourgons, 2 carruagens sleeping, uma restaurante e 1 salão; e pertence á Companhia dos wagons lits. A carruagem restaurante irá toda enfeitada com flores e arbustos. Por parte d’esta companhia, acompanha o comboio mr. Conturier, inspector principal, que hontem de manhã chegou a Lisboa.
Amphora de ouro
Ainda com respeito á estada do nosso ilustre amigo sr. conde de S. Januário, como ministro plenipotenciario de Portugal na corte de Bangkok, temos a crescentar que sua magestade Chulalongkon offereceu como lembrança ao sr. conde de S. Januário uma riquissima amphora de ouro massiço, cuja tampa tem uma dedicatoria muito affectuosa, do teor seguinte: Offerecido por S. Magestade Sorndech Phra Para Mindr Maha Chulalongkon, rei de Siam, a S. Excelencia o sr. Visconde de S. Januario, enviado estraordinario e ministro plenipotenciario de Portugal junto da corte de Sia,, como lembrança  da visita de S. Execellencia a S. Magestade, em 1875. Esta inscrição na lingua inglesa é traducção de outra em caracteres siamezes que está pela parte superior. O diametro da tampa é de cerca de 11 centimetros.
Moedas de Siam – Medalha de ouro
O nosso amigo amigo ilustre numimasta dr. Teixeira de Aragão tambem possue uma collecção de moedas siamezas, que lhe foi offerecida por intermedio de António F. Marques Pereira, que foi nosso consul em Bangkok. El-rei de Siam agraciou-o com a medalha de ouro Pushapamata. O diploma data de 14 de Abril de 1881, diz que que a mercê é feita em attenção aos trabalhos do illustre archeologo com relação á moeda portugueza. Esta moeda é somente conferida por distincção literaria.
 
Tractado entre Portugal e Siam
Em 10 de fevereiro de 1859 foi assignado entre o representante de Portugal, Isidoro Francisco Guimarães, e os representantes dp 1º e 2º reis de Siam, Krom Huang Yougoa Thirat Danith, Chao Pya Nicanabodin, ministro do reino, Chao Pya Iom-marat, ministro da justiça, e Pya Vorapong, ministro privado de sua magestade magnifica o primeiro rei, um tratado de amizade, commercio e navegação, paz, amizade e alliança, que teem sempre existido entre as duas nações e cujos pontos capitaes são os seguintes:
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Os subditos de cada um dos dois paizes poderão gozar no outro de inteira e plena  protecção para as suas pessoas e bens, e terão reciprocamente direito a todas  as vantagens que forem concedidas aos subditos de nações estrangeiras mais favorecidas; Portugal  continuará a ter em Siam um consul ou agente consular, podendo os dois paizes nomear consules ou agentes para residirem nos portos dos dois estados. 
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Estes consules e agentes, deverão proteger os interesses dos seus compatriotas, velar pela execução dos regulamentos estipulados e fazer outros que julguem necessários para a execução do tractado. Os consules não entrarão em exercicio sem o exequatur do soberano territorial.
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Quaesquer questões que haja entre subditos portuguezes e siamezes deverão ser  apresentadas ao consul portuguez que de accordo com as auctoridades siamezas, diligenciará termina-las amigavelmente, e ser decididas pelo consul segundo a nacionalidade do delinquente ou accusado.
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Os subditos siameses não poderão apossar-se, ou intrometer-se, com as pessoas de subditos portugueezes, nem com suas casas, terras , navios ou outra qualquer especie bem; acontecendo o mesmo com os subditos portuguezes.
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Os subditos portuguezes gosarão em todo o reino de Siam de plena liberdade, podendo cumprir com os deveres da religião, tanto nas suas casas como nas egrejas publicas, não podendo os subditos siamezes ser molestados por causa da sua religião. Os subditos portuguezes que quizerem residir em Siam deverão matricular-se  no  consulado geral de Portugal em Bangkok.
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Os subditos portuguezes poderão commerciar livremente em todos os portos do reino de Siam o que bem lhes parecer, sem que essa liberdade lhes seja embaraçada por algum monopolio ou privilegio exclusivo de venda;  porém só poderão residir permanentemente em Bangkok e em roda d’esta dentro em um circuito de raio egual á distancia andada em 24 horas por um barco do paiz.
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Se algum subdito quizer estabelecer o seu commercio fóra d’este limite, isto é, a 6 kilometros de Bangkok, terá de pedir, salvo se estiver residindo por espaço de dez anos n’quele reino.
Se algum subdito portuguez quizer adquirir bens de raiz, deverá dirigir-se á auctoridade local e tem de sujeitar-se ás leis do paíz.. 
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Se no prazo de 3 annos o terreno não for  cultivado, o governo siamez pode annular a venda, reembolsando o comprador da quantia que pagar. 
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Os bens dos subditos que falecerem n’algum dos reinos ser\ao entregues aos seus herdeiros e, não os havendo, ao consul competente.
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Os subditos portuguezes residentes em Siam poderão construir navios com licença do governo siamez e poderão empregar no seu serviço, como interpretes, subditos siamezes.
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Se alguns subditos siamezes empregados no serviço dos portuguezes se tornarem culpados por infracção de leis, crime, etc., e se acoitarem em casa de algum subdito portuguez, serão procurados e entregues ás autoridades siamezas, acontecendo o mesmo com os subditos portuguezes.
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Qualquer subdito portuguez  que seja casado em Siam com mulher do paiz e que se queira retirar não soffrerá embaraço algum por parte das auctoridades siamesas.
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As auctoridades siamesas não terão acção nenhuma sobre navios mercantes portuguezes., Na entrada de navios de guerra portuguezes, o reino de Siam prestará todo o auxilio para fazer respeitar a sua auctoridade.
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Se algum subdito siamez se recusar a pagara alguma divida a portuguez, as auctoridades siamezsas darão a este todo o auxilio para que seja reembolsado da divida. Reciprocamente com o portuguez.
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Os navios de guerra portuguezes poderão entrar no rio e fundear em Paknam, devendo dar conhecimento a auctoridade siameza antes de entrar em Bangkok, para que esta lhe de o logar onde deve fundear. A algum navio que entre arriahdo com avaria n’algum dos portos de Siam, as actoridades siamezas são obrigadas a prestar-lhe todo o auxilio. Reciprocamente com os portuguezes.
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Os navios mercantes portuguezes só serão sujeitos, nos portos do Siam, aos direitos de importação e exportação. Os direitos de importação nos portos deste reino nunca  excederão a 3 por cento do seu valor, que serão pagos em dinheiro ou em fazenda, conforme a escolha do importador.
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Os portuguezes poderão tambem exportar toda a qualidade de mercadorias. Quando por escassez no paiz o governo siamez tiver de prohibir a exportação de sal, arroz ou peixe, essa proibição devera ser anunciada um mez antes da data em que deva ter efeito.
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Quando algum navio portuguez  for roubado, o governo siamez fará tudo quanto possivel para descobrir os auctores do roubo e para que se recobrem os objectos roubados, não ficando porem responsavel por estes se se provar que empregou todos os meios para os alcançar. Acontece o mesmo para com os subditos portuguezes.
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O subditos portuguezes poderã abrir minas em qualquer parte do reino do Siam, construir fabricas, quando o governo siamez veja que estão em condições rasoaveis. As rectificações depois de tractadas serão trocadas no intervallo de 18 mezes a contar da data da sua assinatura. No final de 10 annos, depois da rectificação poderão, d’accordo entre os dois reinos, nomear-se commissarios para fazerem n’elle as modificações que acharem convenientes para o desenvolvimento das relações commerciais dos dois paizes.
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Este tractado, que foi assignado pelos representantes em 10 de Fevereiro de 1859 da era christã que corresponde ao oitavo dia da terceira lua do anno Prinamia Sanvorrethisope da era siameza de 1220, contem tambem uma tarifa dos direitos internos e de exportação a  que ficam sujeitos os artigos de comercio. Conforme o annuncio adiante vae inserto, o Pimpão de hoje publica 23 magnificos retratos das mais formosas odaliscas do Siam.
José Martins
 
(O conteúdo acima descrito foi retirado do jornal “Diário de Noticías” de 22, 23,24 e 25 de Outubro de 1897)