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quinta-feira, 27 de junho de 2013

UM MÉDICO PORTUGUÊS NA CORTE DO REI CHULALONGKORN DO SÎÃO

Depois de tantas investigações que ao longo de 26 anos venho fazendo em cima das relações históricas entre Portugal e a Tailândia nunca encontrei nada que me informasse que um médico português exerceu clínica em Banguecoque e no Reinado do S.Majestade o Rei Chulalongkorn.
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Tenho, apenas, conhecimento do Dr. Joaquim Campos que além de Cônsul de Portugal, exerceu a medicina em Banguecoque, com consultório aberto, na rua Chalerm Krung, junto ao Hotel Oriental, a uma distância escassa da Embaixada de Portugal, na década 30/40 do século passado.
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Porém sabia que no Museu Nacional de Banguecoque estava exposta uma caixa de prata e uns brocados que teria pertencido ao médico português. Vi estes apetrechos há 22 anos e de quando a visita do Primeiro-ministro Cavaco Silva, em Abril de 1987, visitou com a sua delegação o Museu Nacional de Banguecoque.
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Há uns 7 anos o Embaixador Mello-Gouveia, um inveterado amante da Tailândia e tudo relacionado com a história de Portugal neste Reino, numa das suas visitas a Banguecoque foi visitar o museu onde se encontra, exposta, toda a história do Reino da Tailândia desde a sua fundação. Na altura pediu-me que deveria ir ao museu tirar fotografias aos objectos que pertenceram ao médico português.
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Prometi-lhe que sim. Porém, ultimamente, tenho-me desinteressado e até desprezado de certo modo a continuação da investigação do relacionamento de Portugal e a Tailândia, por me achar um “vencido” porque todo o meu trabalho (não me incomodo muito que sirva a interessados), nunca foi visto com olhos de ver.
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Acredito que tenha sido pelo facto de eu não possuir o símbolo “DR” e não tenha passado da licenciatura da 4ª classe da Primária Elementar do meu tempo.
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Há uns dois meses recebi uma carta do Embaixador Mello Gouveia, para que lhe fizesse o favor de ir ao Museu Nacional da Tailândia e tirar-lhe as fotos que me tinha pedido há anos porque estava a escrever as suas memórias e o caixa de prata e os brocados, do médico português, deveriam figurar no seu livro.
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Desde há um ano e meio e de quando o Embaixador António de Faria e Maya (que não vou designar o porquê) me mandou colher urtigas e o adeus a uma casa que foi muito minha por 24 anos, entrei numa certa melancolia que por vezes não me apetece fazer algo, pelo facto de não conseguir lidar com a ingratidão.
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Ontem Domingo, pela manhã, resolvi então ir ao museu e ver se conseguia satisfazer o pedido do Embaixador Mello Gouveia. Eu sabia que a tarefa não me iria ser fácil para obter imagens dentro do museu. Munido da carta, escrita na língua portuguesa, pelo Embaixador Mello-Gouveia e ir perante o director do museu, que me atendeu com toda a simpatia, tive autorização recolher as imagens de tudo que pertencia a Portugal.
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O Fine Arts Department dedicou uma montra no museu, não só à caixa e aos brocados do médico português como os achados, mais significativos, arqueológicos de quando as escavação do terreno onde se situava a Igreja de S.Domingos no “Ban Portuguet”.
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Não ignoro a forma de simpatia com que fui atendido no Museu Nacional de Bangkok e acompanhado por uma simpática, funcionária/guia de nome Bird.
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o fica aqui descurado o interesse dos alunos das escolas, secundárias, pela história do seu reino, acompanhados de uma sua professora que além de visitarem o museu, sob uma árvores ali mesmo lhes deu uma lição.
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Hoje mesmo um disco, contendo as imagens gravadas, seguiu pelo correio para satisfazer o desejo do meu amigo o Embaixador Mello Gouveia. Estou ansioso por ler a sua obra e bom seria que fosse trazida à luz no ano 2011 e de quando das celebrações dos 500 anos da chegadas dos portugueses ao Reino do Sião.
José Martins
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P.S. Embaixador Mello Gouveia faleceu em Novembro de 2012.