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sexta-feira, 21 de junho de 2013

CASAMENTO ELEGANTE NA "CASA NOBRE"

Alexandra de Mello Gouveia  viveu e cresceu sete anos  na Embaixada de Portugal em Banguecoque. O Pai  Embaixador José Eduardo de Mello Gouveia foi acreditado, em 8 de Agosto de 1981, como Embaixador de Portugal no Reino da Tailândia tinha Alexandra quasi 4 anos. Alexandra brincou no jardim da “Casa Nobre”; correu, caiu e sentou-se na relva fresca e verde; teve uma casa em cima de uma árvore, junto à arcada do “palacete”, e a única peça no seu estilo arquitectónico, em território nacional e conhecida por sino/portuguesa; andou de bicicleta pelos passadiços de cimento, que marginam o jardim e ao fim da tarde, junto a sua mãe, Embaixatriz Jill de Mello-Gouveia, sentadas em cima do patamar de cimento, junto à margem do Rio Chao Praiá, absorveram a brisa fresca  vinda da outra margem  do lado de Tomburi.
Uma Alexandra de irrequietude constante e sem preconceitos na escolha de outras crianças para brincar incluindo os filhos do pessoal da Missão Diplomática. Com isto aprendeu a falar correctamente a língua tailandesa que nunca esqueceu e hoje continua a dominá-la perfeitamente.
A Alexandra saiu de Banguecoque em 8 Junho de 1988 quando seu Pai foi acreditado em Tóquio, como Embaixador,  pesarosa por deixar, a capital  tailandesa; o lugar de sua infância que a marcou e os seus amigos ao longo de sete anos. Mais tarde e com mais uma movimentação, diplomática e acreditação de seu Pai, como Embaixador na Bélgica lá partiu a Alexandra, para Bruxelas.
As memórias de sua infância, a magia da Tailândia, e a criancice, feliz, passada em Banguecoque jamais se apartariam de si e de quando em quando a Alexandra veio à “Terra dos Sorrisos” passar umas curtas férias e, matar saudades e reviver uma fase de sua vida, que nunca havia esquecido.
                                                           
Um casamento de Amor
 
Alexandra Mello Gouveia e Johan Prevot conheceram-se em Bruxelas em 1995 no final do curso liceal. Terminaram os estudos secundários e ambos partiram para a mesma universidade em Londres tendo regressado a Bruxelas após a conclusão dos estudos universitários.
Alexandra prosseguiu seus estudos post graduação em Bruxelas e terminou com um “Master of Arts” em Administração de empresas tendo posteriormente encontrado emprego na mesma companhia internacional de orígem americana onde trabalhava já o futuro marido. Desde há oito anos inseparáveis até no trabalho profissional se mantiveram juntos.
Alexandra nasceu na Austrália onde seu Pai era Cônsul-Geral em Sidney. Com dois anos, apenas, parte em 1997 (“diplomacia a quanto obrigas!”) com a família para Maputo em Moçambique e daí para Banguecoque onde o Pai foi Embaixador durante mais de sete anos, onde atraz se refere aprendeu a falar a língua tailandesa.
Com enorme desgosto, pois adora a Tailândia foi em seguida para Tóquio e durante cinco anos continuou a sua formação académica na “Escola Internacional do Coração de Jesus”, parceira da mesma escola com igual nome em Banguecoque, e posteriormente em Bruxelas.
Trata-se de uma escola secundária de grande nome internacional com filiais na capital tailandesa, Tóquio e Bruxelas. No Japão, a actual imperatriz foi aluna desta prestigiosa escola internacional de ensino médio em inglês,  onde Alexandra, aprendeu a falar, escrever, e ler a difícil língua japonesa.
Os noivos celebraram o casamento em Banguecoque por expresso desejo da Alexandra que reuniu amigos e familiares vindos da Austrália, Bélgica, África do Sul e vários países da União Europeia. A cerimónia civil decorreu na Embaixada de Portugal, no dia 14 de Abril onde a família Mello Gouveia viveu de 1981 a 1988 foi presenciada por numerosos convidados, entre os quais os Embaixadores de Portugal, em Banguecoque João de Lima Pimentel ( que lavrou o assento de casamento)  pelo Embaixador de Portugal em Timor Rui Quartim Santos, pelo Conselheiro de Embaixada, em Banguecoque Dr. Jorge Marcos, antigo embaixador da Tailândia em Lisboa Sr. Bairaj, Vice-Cônsul em Camberra e Cônsul em Melbourne antigos colaboradores do Embaixador Mello Gouveia, outros diplomatas e figuras representativas de nove países o que conferiu à recepção e jantar uma atmosfera de convívio internacional.
Dois dias depois, o regresso a Bruxelas, a Lisboa e aos outros destinos, espalhados pelo mundo.
O Copo de Água
Teve lugar no Hotel Oriental, a poucas dezenas de metros, a jusante, da Embaixada de Portugal. Hotel de classe, mundialmente, conhecida e fundado em 1876  no reinado do Rei Chulalongkorn, Rama V,  iniciador da Tailândia moderna.
O Oriental é uma legenda, em Banguecoque onde figuras proeminentes, durante o percurso de sua vida  de 128 anos, desde a sua fundação ali se hospedaram:  os escritores Joseph Conrad, capitaneando o primeiro navio a gasóleo que aportou a capital tailandesa; o “Selandia” em 1888 é, em 1923 Somerset Maughan um apaixonado pela Tailândia que depois viria a visitar por várias vezes Banguecoque  onde o seu aposento tinha pela frente o majestoso Rio Chao Praiá e, ali, escreveu parte das suas novelas. Hoje ainda se mantém, no mesmo estilo e com o seu nome a suite que ocupou.
Personalidades, realeza mundial Chefes de Governos, figuras  marcantes na vida política de seus países; organizações Internacionais e celebridades na área das artes, literatura e da moda, hospedaram-se no Hotel Oriental. No Oriental, durante o seu “consulado”, o Embaixador Mello Gouveia realizou vários eventos e entre estes se destaca, um festival de gastronomia portuguesa, a cargo do Clube dos Empresários de Lisboa no restaurante “Lord Jim’s”, por duas semanas, onde actuou o mestre da guitarra portuguesa António Chainho.
O pianista Adriano Jordão, em 1986 deu um concerto de piano no Salão Nobre, onde decorreu o jantar do casamento da Alexandra Mello Gouveia e Johan Privot, a cerca de setenta convidados.Depois da celebração do matrimónio na Embaixada de Portugal, os convidados dirigiram-se para a Sala de Chá do Oriental onde foram servidas bebidas onde nelas se incluindo o champagne e vinhos portugueses do Douro. 
Após a apresentação, tradicional dos convidados, entre uns e outros, neste género de convívios durante os “drinks” o Embaixador Mello Gouveia foi trocando palavras com as suas velhas  amizades; os noivos solicitados pelos familiares da Austrália da Bélgica e amigos para uma imagem que fica como recordação da festa do casamento de Alexandra e Johan, no álbum de boas lembranças, lá em casa.
    Foi servido um  jantar no “Regency Room” cuja a ementa designava:
Salada of blue and papaya
Servede with Asian herb pesto
Foamy cucumber cream soup with vegetables
and crab meat
Oven roast beef fillet on a forest mushroom
Sauce accompanied by shallot confit
and sautéed potatos
Yoghurt parfait marbled
With raspberry sorbet and fresh fruit
Mocha
Home made chocolates
 
No final do jantar houve discursos do Embaixador Mello Gouveia e do  seu genro Johan Prevot. O Embaixador Mello Gouveia e no seu estilo, próprio, de fácil improviso,  usou da palavra que conhecemos durante mais de 20 anos, proporcionou excelente disposição entre os convidados e muitos sorrisos. No final Pai extremoso que sempre foi não conseguiu disfarçar a humana emoção de um Homem que está a celebrar e a festejar o casamento de uma filha.
Seguiu-se o corte do “bolo de noiva” e, depois, em outro salão, a festa continuou até altas horas da madrugada, com dança onde todos os convidados, os “entradotes” deram um “pézinho”,  ao som de melodias da época do romantismo e modernas.
Entre os “entradotes” e, como tal não não poderia deixar de acontecer Embaixadores José e Jill Mello Gouveia dançaram músicas do “Rolling Stones” e do Elvis Presley. Os nossos desejos das maiores venturas e felicidades ao novo casal..
 
 Embaixador Mello Gouveia um Humanista
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Sou amigo do Embaixador Mello Gouveia há mais de duas dezenas de anos. De facto nunca  cheguei a compreender a fácil introdução e apresentação que existiu, entre mim e um diplomata que já nos anos de 1981, gozava de grande prestígio nos meandros da diplomacia internacional. Em 1981, eu não era mais nem menos que um simples supervisor mecânico da multinacional “Texas Instrumentos” na área da prospecção do petróleo nos países do Médio Oriente.
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Na altura da apresentação e, porque estava em férias de duas semanas em Banguecoque trajava, turisticamente, de calças de ganga e chinelos nos pés. A primeira introdução aconteceu no grande salão da “Casa Nobre”, onde a Chancelaria na altura estava instalada. Em redor dessa linda casa, onde se incluia o jardim havia por ali uns barracões em ruinas e arbustos a envolvê-las.
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O motivo porque o Embaixador Mello Gouveia veio falar comigo pelo facto que durante duas semanas me viu, todos os dias, ir à Chancelaria à procura de um passaporte que pedi à Secção Consular, dado que o que possuia estava já sem folhas para carimbar nos aeroportos.
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Na altura o Vice-Cônsul, José de Souza, natural de Goa, com mais de 20 anos em Banguecoque; homem de boas palavras mas que nunca chegava à acção!
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Durante os 14 dias, seguidos, visitei a Secção Consular e as palavras do Souza eram sempre estas: “olhe venha amanhã”... e essa manhã só chegou quando o Embaixador Mello Gouveia interviu um dia antes de partir de eu regressar a Dhahran na Árabia Saudita e retomar as minhas funções.
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Enquanto o passaporte foi tendo folhas para carimbar, não precisei de ir à Secção Consular para requisitar outro o que  aconteceu pouco depois de um ano e voltei encontrando uma Chancelaria transformada de num barracão, centenário, num espaço que dignificava as relações históricas entre Portugal e a Tailândia.
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Bem! Se na emissão do meu primeiro passaporte caminhava, completamente, confrangido, para a Embaixada de Portugal, agora, ía ali todos os dias, durante as minhas férias, com prazer para conversar, em português, com os funcionários que ali exerciam funções e ler o “Diário de Notícias” (o único jornal diário que ali chegava) e saber notícias de Portugal.
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Comecei a ser “pessoa” de casa e, chega-me o infortúnio da crise do preço das ramas de petróleo, em 1986, no mercado mundial, que me deixa sem emprego e a uns milhares de trabalhadores da Texas Instrumentos.
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A minha filha Maria Martins gerava no ventre da Mãe e, humanamente, senti-me na obrigação de ficar e criá-la. De facto (e porque a experiência de 16 anos em Moçambique e Rodésia me ensinou algo cheguei a Portugal com alguns vinténs em 1976), sendo a minha situação económica  mais ou menos confortável.
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Porém a residência na Tailândia não era coisa fácil para um estrangeiro assim necessitava de esperar o nascimento de minha filha e depois escolheria o caminho a seguir.
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Numa manhã, na Chancelaria, com coragem apresentei o meu problema ao Embaixador Mello Gouveia que com muita pena me diz que os lugares na Embaixada estavam todos preenchidos. O diplomata, durante uns 3 minutos não deu resposta ao meu pedido e, depois olha-me e diz-me: “Zé Martins sabes pintar?” Fiquei perplexo por instantes porque não sabia que género de trabalho de pintura o Embaixador Mello Gouveia pretendia.
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Da arte nada sabia, tampouco o “pintar a manta!”
Seria um quadro decorativo para pendurar numa parede?
E, respondi-lhe: “ sei, sim Senhor Embaixador!”
Então Zé Martins vai pintar as paredes que circundam o jardim!
Estas nunca tinham sido pintadas desde que o Embaixador Mello Gouveia as tinha mandado construir havia uns três anos.
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Os blocos de cimento que as compunham absorviam demasiada tinta o que me obrigava a dar-lhes umas três demãos. Depois do trabalho terminado ficaram essas vedações, primorosamente brancas (ainda hoje o estão) e que nessa obra de pintor dispendi 27 dias.
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Foi o trabalho de pintor que me elevou a conhecer os parcos, conhecimentos, sobre a história de Portugal na Tailândia, a desenvolver o meu saber, culturalmente e conhecer muita gente a vários níveis, onde se incluem, políticos, individualidades ligadas à cultura, ao jornalismo, à diplomacia, às Forças Armadas e a  Macau.
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O mais de tudo foi a amizade criada entre mim e o Embaixador Mello Gouveia que me leva, sem favor algum, a considerá-lo um humanista.
José Martins  
Abril2004