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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

RESQUÍCIO DO PASSADO EM MEMÓRIA PRESENTE

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O embaixador Andersen Guimarães será o nosso representante de Portugal em Washington, soube O Independente. Andersen é actualmente o responsável do Governo no grupo de ligação  luso-chinês para tratar a questão de Macau e vai substituir Francisco Knoffli, que vem para Lisboa ocupar o cargo e secretário-geral do Ministério.Esta é uma das muitas mudanças que Durão Barroso preparou a que já estão em Belém nas mãos de Mário Soares. Quanto a António Monteiro, director-geral dos Negócios Políticos, fica nas Necessidades.
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Francisco Knoffli abandona assim a Embaixada, regressando a Lisboa para o lugar de secretário.geral do MNE. Gabinete até agora ocupado por Costa Lobo, que vai substituir em Londres o embaixador Vaz Pereira. É o movimento diplomático em marcha, cujo pacote o ministro dos Negócios Estrangeiros já terá enviado para a Presidência da Republica.
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Preparada em grande segredo, as mudanças de embaixadores vão atingir postos-chave da diplomacia portuguesa, levando mesmo ao abandono de funções por limite de idade de alguns diplomatas. É o caso de Vaz Pereira, que deixa a chancelaria na capital britância. Também Sebastião Castelo Branco deverá abandonar Bangkok pelas mesmas razões.
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Lopes da Costa será transferido para Dublin, deixando vago o lugar no Maputo, que tudo indica será ocupado por Rui Brito e Cunha que assim deixa Argel. Ainda nos PALOP, Rocha Páris deverá continuar em Luanda, enquando o embaixador Rosa Lã vem da Guiné-Bissau para Lisboa, onde irá ocupar o lugar de assessor diplomático do primeiro-ministro.
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É a substituição, já conhecida, de António Martins da Cruz, que deixa Cavaco Silva, ao fim de 11 anos, parea assegurar o cargo de embaixador de Portugal na NATO, em Bruxelas. Outro posto que ficará vago é o de Paris.
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Segundo fontes contactadas por Independente, Varsóvia é um destino possível para Sherman de Macedo. A vaga será ocupada por José Pauloro das Neves que deixa a Reper, sendo.... (ilegível na fotocópia).
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Mathia continua. Madrid
Roma e Brasília, postos ocupados, respectivamente pelos embaixadores Leonardo Mathias, Nunes Barata e Ribeiro Menezes, não deverão sofre alterações, Já Pinto da Franºa poderá deixar Bona.
Entretanto, o secretário-geral da UEO, embaixador José Cutileiro, já tem chefe de gabinete. É Bernardo Futscher Pereira, que assim abandona o cargo de secretário da Embaixada portuguesa em Telavive.
Depois deste movimento diplomático é bem possível que outras alterações possam ocorrer. É que normalmente a rotação de embaixadores é feita por faes.
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Negócio asiático.
A manutenção da Embaixada de Portugal na Tailândia é assegurada pelos proprietários do edifício de um dos hotéis da cadeia Sheraton, em Bangkok, soube O Independente de fonte diplomática.
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A troco de usufruto do jardim da Embaixada, que inclui “court” de ténis e piscina, o hotel assegura todos os trabalhos de manutenção do jardim, da chancelaria, da residência do embaixador e das casas dos empregados. Trabalhos que orçam em cerca de seis mil contos por ano. Conforme apurámos, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, que só há pouco tempo começou a enviar verbas para fazer face a estas despesas, apenas destina para este efeito cerca de 600 mil escudos anuais. Montante irrisório.
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Tudo começou em 1982, Nesse ano iniciou-se a construção do Royal Orchid Sheraton num terreno contíguo à Embaixada portuguesa, instalada no local desde 1820. O terreno da representação foi doado pelo Rei Rama II, do então Rei de Sião. Os portugueses chegaram em 1811, e poucos anos depois tinhamos a primeira representação diplomática ocidental. E, durante 39 anos, fomos os únicos. Um verdadeiro património histórico, ao qual o Governo português não tem dadi manutenção.
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Lixeira. A propriedade tem uma área de aproximadamente quatro mil metros quadrados e hoje os jardins da Embaixada fazem as delícias dos hóspedes do hotel vizinho.
Antes deste “gentlemen agreement”, os donos do edifício ficaramn horrorizados com o “degradante” espectáculo que era dado ver aos clientes do Sheraton. Ali mesmo debaixo do seu nariz era um verdadeiro matagal cheio de lixo completamente abandonado.
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Existem fotografias da altura que ilustram a cena “repugnante e deprestigiante para Portugal”, conforme disse  a O Independente o embaixador em Bangkok, Sebastião Castelo Branco, que começou por confirmar a existência desta insólita situação.
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E, apesar de insólita, ela é necessária. Porque, como nos adiantou o embaixador português, “o acordo foi excelente, porque isto era vergonhoso para Portugal. A responsabilidade era de todos os governos, sem excepção”. Se o acordo fosse quebrado “começava tudo a cair, já que a humidade e a água infiltram-se com muita facilidade. Eram meia dúzia de meses para a degradação total, adiantou Sebastião Castelo Branco. Um negócio de mútuos benefícios.
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Embora este acordo tenha sido autorizado pelo secretário-geral do MNE na altura, ele não chega a ser um contrato de arrendamento. Foram sobretudo trocas de cartas entre uma e outra entidade que permitiram manter de pé esta colaboração. Uma relação frutuosa que permite aos hóspedes do Sheraton utilizar a piscina e o “court” de ténis sem que para isso tenham de pagar qualquer quantia.
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Um verdadeiro intercâmbio cultural. Do mesmo modo, os jardins são cedidos gratuitamente ao hotel sempre que este deseja lá realizar festas.  No entanto, neste caso, a administração tem de fazer o pedido por escrito ao embaixador, que tem o direito de recusar se assim o entender. Tudo por uma questão de segurança, visto que é necessário utilizar portas de passagem da Embaixada para a introdução de materiais, com mesas, cadeiras, etc..
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MNE não sabe. Para o representante diplomático de Portugal em Bangkok, a Embaixada e os terrenos que a circundam, uma propriedade de quase quatro hectares sobre o rio Chao Phaya, são uma preciosidade histórica da presença de Portugal na Ásia”. Uma região por cujos mercados os portugueses não têm muita apetência, já que, de todos os países da União Europeia, incluindo a Grécia, Portugal é o único que não tem ali qualquer representação dos seus interesses comerciais.
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Curiosamente, em Lisboa o Ministério dos Negócios Estrangeiros não tem conhecimento desta questão. Nem o ministro nem o Gabinete de Informação e Imprensa, Contactado por O Independente, a reacção foi de desconhecimento do assunto e a promessa sobre a recolha de informação e um comentário ao “pitoresco” desta cena da nossa diplomacia. Até ao fecho desta edição a resposta ficou nas Necessidades.
Paulo Lavadinho
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À MARGEM: Poderia acrescentar muito em relação ao deturpado artigo que O Independente publicou com imensos erros de informação, em 2 de Dezembro de 1994. Porém, esta investigação, foi entregue antes, à falecida jornalista, do O Independente, Ana Osório que por carta,na altura contactou o embaixador Castelo Branco de quem a finada viria a ter conhecimento que sua mãe tinha sido professora do embaixador e então, pelo que prevemos, entregou o trabalho a Paulo Lavadinho. – José Martins

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P.S. – Temos cópia em recorte do conteúdo acima transcrito.