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domingo, 19 de outubro de 2008

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - HISTÓRIAS POR CONTAR

Parte 9ª
António Frederico Moor o terceiro cônsul de Portugal no Reino do Sião
Pouco antes da saída de Marcelino Rosa, faleceu o Rei Rama III, sucedendo-lhe seu meio irmão que viria a ser coroado com grande esplendor. Antes que descreva a obra do terceiro cônsul de Portugal no Sião, vamos transcrever o que o português Carlos Caldeira escreveu em 1858: « O trono do Sião é ocupado por dois reis. O primeiro, Somdet Pha Maha Mongkut, chamado grande rei, mostra muita inteligência, e parece ter lido muito os livros europeus, sobretudo a história das dinastias reinantes. Possue vasto conhecimento das línguas orientais antigas; fala as línguas modernas melhor que nenhum dos seus súbditos; conhece alguma coisa de latin; e tão correntemente o inglês, que o escreve com grande facilidade. Assim, faz figurar, com ufania, entre os seus títulos, o de professor de línguas»
Carlos Caldeira, em 1858, descreve as festas da coroação do rei Mongkut, celebradas dois anos antes em Banguecoque, tendo o retrato da Raínha de Portugal na sala do trono: « O sobredito cônsul (aqui refere-se a Carlos Manuel da Silveira), foi demitido em 1833 pela sua incapacidade. Hoje ainda alli temos um macaista Marcelino de Araújo Rosa, e ainda a nação portuguesa é a única que gosa de tal privilégio em Sião onde a nossa bandeira é respeitada há mais de 3 séculos. Recentemente alli ocorrerarm factos bem curiosos, comprovativos do prestígio de que ainda gozam os portugueses nestas partes. Em Abril de 1852 (aliás 1851) faleceu o velho rei do Sião com 63 anos de idade, e 27 de reinado, e o conselho supremo, composto por princípes, mandarins, e outros dignatários chamou para ocupar o trono o princípe Somdet Phra-Paracinde-Mahá-Mong-Kut. Logo que o novo rei foi proclamado, lhe dirigiu o nosso côncul uma carta de felicitaçóes, que foi entregue por via do mandarim Pascoal Ribeiro d´Albergaria, que serviu de capitão do porto, e intérprete do Estado, por quem o rei mandou agradecer, convidando o cônsul para a festa da sua entronização que teve lugar em 15 de Maio immediato. Dizem ter sido das mais brilhantes de que há notícia em Sião. O rei tinha na sala do do trono, , aos seu lado no lugar mais nobre, o retrato da rainha de Portugal, a quem trata por irmã, e ali recebeu felecitações de vários dignatários, co cônsul portuguez, e dos negociantes e missionários estrangeiros, assegurando a todos que permitia a continuação dos estabelecimentos estrangeiros, tanto comerciaes como religiosos; depois os convidou a um jantar, preparado à europeia, no fim do qual distribuiram aos convidados algumas flores de ouro e prata, e moedas dos mesmo metais. No dia 20, houve uma grande procissáo, ao uso do país, que o novo rei acompanhou, lançando ao povo moedas de prata no valor de um maz (130 reis); em 21, repetiu-se a mesma cerimónia no rio, sendo as moedas de prata lançadas à ágoa em paus boiantes de forma de limóes, e em grande profusão... A procissão compôs-se de 5.000 pessoas, e de muitos elefantes e cavalos ricamente ajaezados. Houve nestas solemnidades salvas de 21 tiros, e ainda a companhia ou corpo d´artilheiros denominada artilharia portuguesa. Entre os presentes que os príncipes ofereceram ao rei, figurou como especialidade o rabo de um elefante branco... Na última monção partiram de Bangkok 4 navios europeus; um para Cantáo com embaixadores, outro com fazendas para Hong Kong, e dois para Xangai. Para Macau já não há comércio algum, nem ali aportam embarcações siamesas, como dantes succedia, no entanto, conserva-se um consulado inútil, com o que se dispendem 1.000 patacas anualmente pela fazenda de Macau» (Nota: Carlos Caldeira, podemos considerá-lo um jornalista que efectuou uma viagem de Lisboa à China que viria a ser publicado aquilo que viu no Oriente num livro: "Apontamentos d´uma viagem de Lisboa à China e da China a Lisboa». Parte 2.ª (Lisboa,1853), 7-8,.
António Frederico Moor, foi nomeado cônsul efectivo, em 22 de Março de 1855, e esteve no cargo até 28 de Abril de 1868. Foi, igualmente. encarregado, interinamente, de negócios da França no Sião.
Mas quem era António Frederico Moor?
Vamos transcrever como o Monsenhor Manuel Teixeira o descreveu: Hugh Moor, natural de Rotterdam, veio para Macau como médico da "Oast Indische Compagnie»; quando esta Companhia holandesa se extinguiu, o Dr. Moor fixou aqui resiência e aqui morreu. Era casado com Ana Maria Moor, natural de Macau, de quem teve ( que nós saibamos) dois filhos.
1. Ana Maria Doroteia Rosa; casou com José Osório de Castro Cabral Albuquerque, governador de Macau (1817-1823), de quem teve um filho, Joáo, nasceu a 13 de Novembro de 1821. António Frederico Moor, nasceu em Macau, a 19 de Agosto de 1807, e viria a falecer em Bangkolém, perto de Bangkok a 22 de Fevereiro de 1877; casou com Joana Maria Grandpré, nascida em Macau, a 21 de Maio de 1818, filha de Alexandre Joaquim Grandpré e de Juliana Antónia Alves, neta paterna de Alexandre Joaquim Grandepré e de Teodora Francisca de Paula Proença, e materna de Joáo António Alves e de Rita Catarina Quíncio. António Moor teve de sua mulher Joana Grandepré os filhos:
1. Emílio Aquiles Moor, nasceu em Macau a 27 de Fevereiro de 1843; faleceu solteiro na província de Muang-man, en Sião, em Agosto de 1870.
2. Hersília Victória Moor; nasceu em Macau, em Janeiro de 1844, e faleceu solteira em Bangkok a 21 de Setembro de 1870.
António Frederico Moor, que enviuvara, casou, outra vez, pouco antes de morrer, com Catarina Maria do Rosário, natural de Timor, a qual faleceu em Bangkok de hemoptise, a 31 de Agosto de 1877. Assim se extinguiu esta família. António Frederico Moor exerceu o seu cargo até 28 de Abril de 1868, sendo a sua gerência interrompida apenas em 1863, ano em que desempenhou interinamente, as funçóes consulares Joaquim Maximiano da Silva. (Dado que náo temos informação sobre o motivo que o Moor, teria entregue a gerência a Maximiano da Silva, prevemos que deveria ter-se deslocado a Macau).
O rei Rama IV comunicou ao nosso Cônsul o desejo de de assinar um tratado com Portugal. A Portaria do Ministério da Marinha e Ultramar a comunicar as instruções pelas quais o Governador de Macau e Plenipotenciário do Rei de Portugal para concluir e firmar até ao ponto de ratificação um tratado de amizade e comércio com o reino do Sião, Isidoro Guimaráes, se deverá reger no cumprimento da referida missão. (Sobre o conteúdo deste Tratado convidamos a um clique http://portugalnatailandia.blogspot.com/2007/07/texto-do-tratado-de-1859-entre-portugal.html um outro nosso blogue, onde foi inserido, o texto e a visita, a Banguecoque, do Governador de Macau Isidoro Guimarães).
Voltando a Sua Majestade o Rei Mongkut, Rama IV, nasceu em 18 de Outubro de 1804, denominado Príncipe Celestial de primeira classe, e viria a ser entronizado com o nome de Somdet-Phra-Paramender-Maha-Mongkut. Antes do falecimento de seu meio-irmáo, fora nomeado Director-Geral do Departamento dos Pagens Reais; aos 20 anos, recebeu a ordenação de monge budista, vivendo num templo durante os 27 anos do reinado de Rama III; estudou, profundamente, a religião budista a fundo, obtendo no exame o grau de "parien" (doutor).
Nomeado superior do Templo de Bouvinnivet em 1837: tratou de purificar o budismo e viria a fundar a congregaçao de Tammayut Nikaya, daqueles que aderem à lei.
Com os seus amigos, os missionários americanos, Reverendos Dr. B. Bradley e J.Caswel e o latim com Monsenhor Jean Pallegois, bispo titular de Mallos e coadjutor do vigário apostólico do Siáo (1838-1842). Rei Mongkut foi o primeiro monarca siamês a falar e a escrever a língua inglesa. Carlos Caldeira informa:«Por falecimento do cônsul Rosa, foi nomeado macaense, António Frederico Moor, que hoje (1858) reside em Bangkok, e de quem recebemos cartas recentes, que suscitaram escrever este artigo: É só pelo antigo e arraigado prestígio do nome português, que o nosso cônsul goza da estima e consideração da corte de Bangkok. perante a qual é também interinamente encarregado de negócios da França, o que é bem significativo...
Concluiremos esta notícia transcrevendo do jornal francez La Press, o que publicou sobre este assunpto no meado de março último, ignorando a nossa incúria e a verdadeira causa do~favor que gozamos no Sião.
«Muitas potências ocidentais tèm feito novos tratados de amizade e comércio com o reino do Sião. Os portugueses e os franceses, ingleses e americanos têm hoje direito de se estabelecerem em Bangkok, de comprar propriedades e de se entregarem a todas as indústrias que julgarem proveitosas.
Podem igualmente, sobre condições razoáveis, importar e exportar géneros no país e do país.
Há, portanto, grande vantagem nestes trabalhos; mas cumpre que não se deixem cair em desuso, aliás acabarão por si mesmos. Esta observação cabe principalmente à França, que por descuido tem perdido as vantagens do tratado que fez.
Portugal, Inglaterra e os Estados Unidos mandaram cônsules para Bangkok e, semelhantemente muitos estabelecimentos industriais naquelas regiões são protegidos pelos seus respectivos governos. Resulta daqui que os súbditos destas três nações acham ali protecção.
Porque não fará o mesmo a França?
O redactor da Press ignorava que o poderoso império francês é representado em Sião pelo humilde cônsul de Portugal, a quem incumbiu tais funções mr. Montigny, cônsul de França em Shangae (na China), quando foi a Bangkok negociar o tratado»
«O Rei Mongkut tem perguntado ao cônsul porque não se apressa a fazer tratado que o equipare às nações que os têm com Sião. É verdade que os nossos navios, que de Macau vão a Bangkok, gozam dos mesmos privilégios, e pagam os mesmos direitos que os das nações que já têm tratados; mas isto é pura cortezia e favor do governo siamês, que nos pode retirar quando bem lhe prouver. Esta circunstância, lisongeira para Portugal, mais devia determinar o governo, ainda que só fosse por espírito de grata civilidade, a realizar quanto antes uma convenção da qual o reino e mais particularmente as nossas províncias da Ásia e da Ásia Oriental poderão colher vantagens muito reais».As nações que firmaram tratados de amizade e commércio com o Sião neste reinado foram as seguintes:
Em 18 de Abril de 1855, foi assinado o tratado anglo-siamês por John Bowring, governador de Hong Kong, enviado pela Raínha Victória.
A 29 de Maio de 1856, novo tratado de Amizade, Commércio e Navegação com E.U.A., assinado por Townsend Harris, Cônsul-Geral da América no Japáo, enviado ao Sião pelo Presidente Franklin Pierce; no mesmo ano 1856, Tratado franco-siamês, assinado por Mr. de Montigny, enviado por Napoleão III: em 1856, Tratado com a Dinamarca; em 1860, com a Holanda; em 1862, com a Prússia; e em 1868 com a Suécia-Noruega, a Bélgica e a Itália.
O cônsul A.F. Moor informou Portugal dos desejos do rei Mongkut para que lhe fosse enviado um ministro com poderes para efectuar um tratado de aliança com o Sião.
O Minsitro escolhido foi Isidoro Francisco Guimarães, Visconde da Praia Grande, Governador de Macau e Ministro Plenipotenciário de Portugal às cortes da China, do Japãõ e do Sião (1851-1863), que concluiu o tratado com o Sião em 1859.
José Martins
Fim da parte 9.ª
Fontes: Várias dos nossos arquivos.
CONTINUA

2 comentários:

Combustões disse...
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Jose Martins disse...
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