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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE - HISTÓRIAS POR CONTAR

Parte 12.ª
Consulado de Guilherme Ferreira Viana

Foi curta a sua gerência, apenas de um ano e nove dias. Já várias vezes escrevemos sobre o cônsul Guilherme Ferreira Viana, que viria a morrer, trágicamente nas proximidades do "Ban Portuguet" afogado no curso do rio Chao Prya. Morte que envolve muito mistério e nunca a verdade foi trazida à luz. Foi o primeiro diplomata, enviado de Lisboa, para gerir o consulado. Um jovem de 27 anos, com o propósito de colocar em ordem a casa. Verdadeiramente nunca se teve o conhecimento de qual a razão do cônsul Viana teria sido destacado para Banguecoque mas aventa-se que teria chegado a notícia, ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, que a administração da representação portuguesa no Reino do Sião não corria pelo melhor.
Poderia ter sido algum português, residente em Banguecoque, alertado Lisboa de anomalias no consulado. Tais informações de homens, que não estavam ligados ao Governo da Índia, teriam sido correntes com acusações a reis de Portugal e uma que conhecemos, bem longa, foi dirigida ao Rei Dom Manuel I, a transmitir-lhe acusações, graves, onde numa passagem informava: "andam aqui estes mamões a roubar a fazenda de el-Rei de Portugal".
Como foi dito, anteriormente, no consulado não havia dinheiro para fazer faces às despesas de funcionamento dos ordenados e os cônsules começaram a usar habilidades arrendando pedaços de terreno, já muito disputados na margem do rio onde situava o consulado.
A poucos metros e a jusante do rio Chao Prya está o porto de marítimo de Banguecoque; os serviços alfandegários e a necessidade de os agentes transitários armazenarem mercadorias para exportar e as outras, do exterior, descarregadas.
Ora a comunidade portuguesa, residente, embora não fosse muito significatica, havia homens portugueses ao serviço da Corte e interpretes macaenses que falavam as línguas: portuguesa, siamesa e inglesa.
Estes moravam no "Bairro do Rosário"; junto ao consulado, está a alfândega e nas proximidades, a comunidade estrangeira inglesa e outra.
O cônsul Viana chegado a Banguecoque com a toda a vitalidade de um homem novo de 27 anos; um patriotismo e orgulho enorme de ser português e tem em mente de recuperar as terras que tinham sido oferecidas a Portugal, as quais as "Missões Estrangeiras" de Paris se tinham assenhorado delas.
Nos parece que aqui está em causa a recuperação do bairro do Rosário, a curta distância do consulado e o bairro de Santa Cruz, a uns três quilómetos a montante, da representação portuguesa, na margem direita do rio Chao Prya.
A igreja católica, praticamente, na altura tinha ou pretendia acervar mais poder sobre a comunidade portuguesas do que o consulado.
A Igreja católica, aproveitando-se da liberdade e da tolerância dos reis do Sião em cima da fixação de outras religiões, as "Missões Estrangeiras de Paris", aquela rivalidade, havida em Ayuthaya, entre o "Padroado Português do Oriente" mantinha-se em Banguecoque.
As três igrejas, portuguesas, que existiam na nova capital: Imaculada Conceição, Santa Cruz e do Rosário estavam sob a jurisdição dos padres portugueses.
Os católicos residentes eram portugueses ou de descendência dentro de uma população que não iriam além de uns dois milhares, divididos pelos três bairros, onde a linguagem como meio de comunicação entre as pessoas era a portuguesa.
Nem sempre a expansão de uma religião está ligada à crença que os missionários divulgam mas ligada a fins materiais.
O "Padroado Português do Oriente", com raízes em Lisboa e não no Vaticano, foi fundado logo após os descobrimentos portugueses na Ásia.
A Santa Sé, através de bulas, o Papa recomendava ao Rei de Portugal que os missionários construissem igrejas e fizessem muitos cristão.
Em 1622 a Santa Sé, começou a virar o "bico ao sacho", talvez devido ao sucesso dos missionários portugueses que tinham tido na expansão do catolicismo por todo a Ásia, Índias Orientais e extremo-Oriente.
O Padroado que se regia sob as ordens de reis de Portugal, verificando que o Vaticano lhe estava a retirar poderes, protesta de que nada lhe valeria.
O Papa Gregório XVI, em 1834 e 1836 desfere o golpe de misericórdia ao Padroado e definitivamente arrumado na concordata assinadas em 1857.
Os missionários franceses, em Banguecoque, estão em vantagem, não só pelo facto de o número de seus colegas, residentes, portugueses ser diminuto, mas porque estavam bem providos de capital para construirem, imponentes, igrejas (Assunção e do Rosário), hospitais, dispensários e escolas.
Quando Guilherme Ferreira Viana chegou a Banguecoque, os franceses, encontravam bem estabelecidos.
Poucos anos depois do falecimento do cônsul Viana, os franceses tinham 55 missionários (europeus e nativos do Sião), 58 catequistas; um seminário com 78 estudantes; 49 escolas primárias frequentadas por 3.077 crianças.
Todo aquele entusiasmo do cônsul Viana pretender recuperar os terrenos, ocupados pela igreja, para que voltassem a Portugal; e a petição que teria enviado à Corte do Sião, uns dias antes de falecer, não passava de um sonho do jovem diplomata que jamais poderia trazer à realidade.
A nova capital, do Sião, crescia a olhos vistos; a fixação de estrangeiros (europeus); muito significativa; a emigração de chineses começava atingir o auge (depois do ópio o ingleses inventam a escravatura do tráfico de seres humanos) transportados de Hong Kong para o Sião aos quais, chegados aqui, lhe davam o estatuto de protegidos; os barcos a vapor já efectuavam carreiras, da América e da Europa para a Ásia e Oriente.
Junto â consulado, em casas de madeira ou de tijoleita (alguma carregada em bargues e chegada das ruínas de Ayuthaya) instalavam-se os estrangeiros, americanos e europeus.
Luis Maria Xavier, além de funcionário, superior, da alfândega, da Corte do Sião, ia dando uma vista de olhos aos negócios de seu pai, Joaquim Maria Xavier, nascido em Macau, na altura com 75 anos e que passado 13 anos (1881), viuvo, falecia de senilidade com 88, sendo-lhe dada sepultura no cemitério do "Bairro do Rosário", lavrando o óbito o missionário E.B. Dessales e certifica-o o cônsul Henrique Prostes e fica registado o assento, no consulado, com o número 37.
Os homens de barbas longas e de saias tinham tomado a permanências dos portuguesa, no Sião, de séculos.
Mas o cônsul Viana ainda encerrava no seu todo aquele heroismo dos Gamas e dos Albuquerques de séculos atrás e teria pensado: levar em frente seus propósitos de reaver a propriedades que de facto tinham sido doadas a Portugal.
Sua nau navegava contra a maré... todo aquele crédito que os portugueses tinham grangeado perante o reis do Sião tinha-se esfumado no correr do tempo.
Os cônsules, representantes de Portugal não estavam bem vistos pelos reis Rama III e Rama IV, cuja culpa não lhes pertencia, mas aos governos de Goa e Macau que deixava ao completo abandono em Banguecoque vivendo de expedientes ou empréstimos da Corte.
Ao desfolharmos a obra do historiador W.A.Wood "A History of Siam", na página 276 vamos encontrar um parágrafo que trancrevemos na, integra, na língua inglesa:
" In 1818 a Portuguese envoy, Carlos Manuel Silveira, came from Macau to Bangkok, and commercial Agreement was subsequently conclued between Portugal and Siam. Senhor Silveira later became the first resident Portuguese Consul in Siam. His position seems to have been curious one. He bore the Siamese title of Luang and Captain Burney reported in 1827 that the King of Siam had pronouneed sentence of death upon him: he was, however, subsequently pardoned. In these days it would seem that "what with one consideration and another, a Consul´s lot was not happy one".
Um trecho, que desconhecíamos, em que o Capitão Burney lhe concede as melhores referências de quando veio a Banguecoque, assinar preliminarmente, o primeiro acordo, entre a Inglaterra e o Sião, de amizade e comércio e depois, em outro relatório (falso ou verdadeiro) a que o historiador, cônsul de Inglaterra, em Chiang Mai, senhor Wood escreveu, cem anos depois, na sua obra, publicada em 1924, a dar conta que o cônsul Carlos Manuel da Silveira, teria sido condenado à morte, pelo rei do Sião e que depois a pena lhe tinha sido comutada!
Vamos dar conta do que escreveu o Monsenhor Manuel Teixeira relacionado com o cônsul Viana:
"Sucedeu a António Frederico Moor, sendo nomeado cônsul-geral do Sião, de que tomou posse a 16 de Setembro de 1868.
Marques Pereira no seu «Relatórios de I-III-1881, diz:
«O novo cônsul-geral Guilherme Ferreira Viana estabeleceu neste ano registos regulares e inscreveu portugueses cristãos:
Em 1868....................................................... 23
E em 1869.................................................... 11,
mas logo faleceu, desastrosamente»
Dele se pode dizer que brevi vivens tempore, explevit tempora multa: estando mui pouco tempo à frente do consulado, o exemplo da sua conduta ainda perdura. Foi ele um dos melhores cônsules que Portugal teve no Sião. Infelizmente suicidou, deitando-se ao rio Menam (Chao Prya) em 25 de Setembro de 1869. No seu «Relatório» de 30.12.1882 o cônsul José Loureiro, depois de relatar a má conduta de Henrique Prostes, dizia em 1881 -1882: «Que a conduta do cônsul Prostes fosse excepcional, não quero crer, porque de alguns de seus colegas e antecessores, não se faziam boas ausências exceptuando, porém, o falecido cônsul Guilherme Ferreira Viana, que, segundo a opinião geral, soube fazer-se respeitar pelas autoridades siamesas e por todos quantos o conheceram, o que faz honra à sua memória. (Nota nossa: a data do falecimento está errada, cuja falta não sabemos se do Monsenhor Manuel Teixeira, ou do cônsul Marques Pereira, a morte do cônsul aconteceu em 25 de Abril e não a 25 de Setembro, conforme assim o reza documentos do consulado dos quais temos cópias. É falso que o cônsul Viana se tenha suicidado, mas morreu afogado ou o afogaram. Continua a sua morte um mistério que nunca será desvendado. Publicamos, em Maio de 2008, um artigo profundo, com cópias de documentos e pormenorizado sobre aquilo que nos pareceu, melhor, em cima da vivência do cônsul Viana que poderá ser lido clicando no endereço abixo designado.
José Martins
Fim da parte 12.ª
CONTINUA

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